O Rádio no RS - Radiodifusão

O RÁDIO EM SÃO GABRIEL-RS

O RÁDIO EM SÃO GABRIEL-RS

OS PRIMEIROS RECEPTORES DE RÁDIO

Osório Santana Figueiredo

Já era guri taludo, quando comecei a ouvir falar dos primeiros aparelhos de rádios-receptores que estavam chegando a São Gabriel. Foi lá pelos idos de 1935, e eu fazia confusão com o televisor que aprendera a conhecer, lendo o “Zeca Tatuzinho” de Monteiro Lobato, um pequeno livreto encontrado na caixa do vidro de Biotônico Fontoura, um fortificante até hoje preferido pela nossa gente. Nele apareciam no vídeo, os operários trabalhando nas lavouras, enquanto, da sua mansão, o sr. Zeca Tatu, gordo, rico, já curado dos vermes que o prostara, doente, esquelético, observava atento as atividades de cada um.

Certo dia à noite (só havia energia elétrica na cidade depois do escurecer), vi um grupo de moleques da minha idade, trepados numa das janelas de uma casa da rua Coronel Sezefredo, a duas quadras da estrada de ferro, todos muito quietos, e pude ver também o que se passava através dos vidros da janela, uma caixa grande, retangular, falando uma voz rítmica, que parecia sair de um visor em forma de meia lua, iluminado, com um carreiro de botões abaixo. Achei aquilo um pouco fantasmagórico e deixei aquele local, como os outros, desconfiado e apreensivo, fazendo as nossas conjeturas. Não compreendíamos em nada aquela enorme caixa de vozeirão musicada.

Vivia-se a época getuliana. Nas ruas, muitos comentavam entre suspeitos e jocosos: - “Esse Baixinho” (assim chamavam popularmente o Presidente Getúlio Vargas) é esperto demais. Temos de nos cuidar. Tudo que se fala nas ruas ou até mesmo dentro de casa, o rádio leva quentinho para ele”. Quanta ingenuidade! Tanta ignorância! Mas era assim naquela época. Para não poucas pessoas o rádio era um aparelho de escuta e com quem vivíamos ninguém explicava, simplesmente por ausência de curiosidade da gente mais humilde do nosso meio. Não se falava de uma rádio transmissora, pela qual poderíamos assimilar o estranho engenho falante.

Raras eram as residências do centro da cidade, entre os ricos, que possuíam aparelhos de rádio. Depois começaram a se ouvir falar nas emissoras mais ouvidas - assim comentavam - como a Rádio Tupi do Rio de Janeiro, e algumas de Montevidéu e Buenos Aires.

No ano de 1939/40, quando a Segunda Grande Guerra recém havia eclodido, apareceram de contrabando na nossa campanha, vindos do Uruguai e Argentina, os chamados cataventos movidos pelo vento, marca “Wincharger” (aéreo-dínamo), acompanhados de um aparelho de rádio e uma bateria de 6 ou 12 Volts. Adquiriam-no os médios e grandes criadores. Foi quando, morando no subdistrito de Batovi, município de São Gabriel, pude entender e aprender o fenômeno do rádio, ouvindo-o na estanciola de um vizinho os noticiários da Grande Guerra Mundial, transmitidos diretamente do Rio de Janeiro. Era um sucesso com comentários os mais variados; porém, verdade incontestável. Mas não faltavam os exagerados, confirmando a velha sentença de “quem conta um conto aumenta um ponto”.

A PRIMEIRA RÁDIO DE SÃO GABRIEL

Após o término da Segunda Guerra Mundial, teve início a interiorização de pequenas emissoras de radiodifusão. Em fevereiro de 1949 foi inaugurada a Rádio Marajá, de Rosário do Sul, chegando a São Gabriel com um som local, sendo ouvida pela maioria das pessoas. Os pequenos aparelhos de rádio, bonitos, modernos, como os da RCA-Victor, já estavam chegando por preços acessíveis ao alcance de quase todos os bolsos, nos moldes de pequenas prestações, em algumas casas comerciais da cidade.

RÁDIO SÃO GABRIEL LTDA.

A Rádio São Gabriel Ltda. - ZYO-2, a 16 de maio de 1949, solicitou a municipalidade, a cessão de um terreno, cito à Praça João Pessoa (hoje Camilo Mércio), pelo prazo de 15 anos para nele ser instalado as torres irradiantes e construir um pequeno prédio para o seu transmissor, que prontamente foi atendida.

As chamadas antenas “Marconi” da nascente emissora foram levantadas entre duas torres de ferro, no sentido leste-oeste, com 24 metros de altura, na atual Praça Dr. Camilo Mércio, onde está hoje o Mercado Público Municipal. Junto às mesmas fora construído um pequeno prédio de alvenaria, para a instalação do transmissor com a potência de 250 Watts. Como havia carência de energia elétrica na cidade, por vezes era alimentado por um gerador de  corrente contínua. Os escritórios de redação, sala de transmissões e estúdio foram sediados no antigo edifício de dois pisos, na esquina da Av. Marechal Mascarenhas de Moraes com a General Mallet, ocupando a parte térrea. Por espaço de mais de mês esteve fazendo irradiações em caráter experimental, na freqüência de 580 Klc. A Rádio São Gabriel Ltda. era integrante do grupo Emissoras Reunidas.

Sua inauguração oficial deu-se a 25 de outubro de 1949, sendo presidida pelos senhores Arnaldo Ballvé e Deodato Araújo, este Diretor da Rádio São Gabriel. Estiveram presentes as mais altas autoridades do município e pessoas gradas da sociedade local. Entre tantos vamos citar os seguintes: Anibal Machado, Prefeito Municipal, Marechal Fábio Azambuja, Ten. Cel. Oswaldo Menna Barreto, comandante do 3º RCM e Guarnição Militar, José Sampaio Marques Luz, pela Assembléia Legislativa Estadual, Partido Trabalhista e jornal “O Imparcial”, Dr. Pery da Cunha Gonçalves, representando Sr. Juiz de Direito, Dr. Carlos Eugênio Benavides, pela Câmara Municipal de Vereadores, Victor Aguiar, Cônsul da República do Uruguai, João Tito Bento Pereira, pela Associação Rural Gabrielense, Valêncio Corrêa, representando a Associação Rizícola Gabrielense, Bernardo Barbosa, pelo Clube Comercial, Dilon Schumaker, pela Loja Maçônica - Rocha Negra, Aristides Marcos da Rosa, Presidente da S. R. 15 de Novembro; citamos ainda Franklim M. de Lima, Nabor Salgado, João Baptista Lopes, Paulo Salgado, inspetor da Organização das Emissoras Reunidas, Luiz Carlos Araújo, gerente da emissora, entre muitos outros.

Durante o ano de 1959, a Rádio São Gabriel transferiu suas instalações para o prédio “Centenário”, localizado no centro da Praça Dr. Fernando Abbott, onde está sediada hoje a Câmara Municipal de Vereadores, continuando o seu destino de servir a comunidade gabrielense, primando cada vez mais pela seleção dos seus programas para satisfazer a crescente exigência dos seus ouvintes em fase sempre crescente.

Em 1978, após 19 anos de incessante labor em prol da sociedade local, tornando-se a voz portadora de todos os anseios coletivos, regressou à Av. Marechal Mascarenhas de Moraes, antiga “Rua da Ponte”, desta vez para ocupar um prédio próprio, de nº.586, onde se  encontra, perdendo dessa vez o auditório que dispunha nas anteriores, cumprindo os requisitos cincunstanciais, impostos pelos ditames da modernização que se fazia necessária nas radiodifusoras interioranas.

A 1º de março de 1980, a Rádio São Gabriel Ltda. já com o prefixo ZYK-299, com a aquisição de um novo transmissor de 1 Kilowatt. alongou a sua distância, passando a atingir cerca de 40 municípios do Estado.

RÁDIO EMISSORA BATOVI LTDA.

A Rádio Batovi foi fundada a 18 de maio de 1981, por um grupo de sócios, constituído pelos senhores Pedro Chofik Germano, Baltazar Balbo Teixeira e Fernando Abbott Filho. Todavia seu serviço sonoro só teve início oficialmente, em 06 de fevereiro de 1986. Sua Direção e Estúdio estão localizados na Av. Mascarenhas de Moraes, 298, e seus transmissores, nos terrenos da antiga Chácara da Sibéria, pertencente a Prefeitura Municipal. Com o tempo seu quadro social foi mudando, tendo agora como Diretores Nissio Eskenazi e Isabella Trevisan. Atua na freqüência de ondas médias de 700 KHz, com transmissores de 1000 Watts de potência. Sua programação é variada, com seleções musicais, esporte e noticiários, estando filiada à Rede Gaúcha Sat. Como as demais, a sua finalidade é difundir a cultura e informar com precisão a comunidade, proporcionando também, horários de lazer.

RÁDIO QUERÊNCIA - FM Stéreo

No dia 1º de fevereiro de 1991 era inaugurada, em São Gabriel, a Rádio FM, tendo como proprietário Alex Winter Quartieri. Com a potência de 1 Kw, está localizada na Avenida Antônio Trilha, nº.370, e atua na freqüência de 98,3 MHz. Possui um quadro de locutores capazes e experimentados, dotados do pendor para a radiofonia. Estão imprimindo aos seus programas uma qualidade seletiva de grande aceitação e prestígio popular, graças ao entusiasmo com que transmitem suas mensagens.