O Rádio no RS - Radiodifusão

O RÁDIO EM SANTO ÂNGELO-RS

O RÁDIO EM SANTO ÂNGELO-RS

RÁDIO SANTO ÂNGELO

Quando o mundo recém começava a reconstruir os escombros da Segunda Guerra Mundial, muito poucas famílias em Santo Ângelo possuíam um rádio em casa. As que o tinham, captavam a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a Farroupilha de Porto Alegre ou a Belgrano, de Buenos Aires. Mantinham-se informadas sobre o mundo e o país. Tinham conhecimentos dos atos do então Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra e do governador do estado, Valter Jobim.

Mas não tinham acesso aos atos da administração de Pio Müller da Fontoura na Prefeitura de Santo Ângelo, a não ser que a frequentassem com assiduidade ou obtivessem informações orais de amigos, vizinhos, funcionários da municipalidade.

Neste contexto, a 15 de agosto de 1947, foi fundada, na Capital das Missões, pelo Sr. Arnaldo Ballvé, a Rádio Santo Ângelo, emissora que integrava o Grupo “Emissoras Reunidas Rádio Cultura Ltda.”, com sede em Porto Alegre. A cidade literalmente parou a fim de participar das atividades de inauguração. O filho do fundador, Sr. Frederico Arnaldo Ballvé, residiu seis meses na cidade, a fim de aprender como se administra uma emissora de rádio. A gerência, a partir da inauguração, foi confiada a Celso Fernandes.

A Rádio Santo Ângelo não apenas aproximou as pessoas dos fatos de sua cidade, mas foi responsável por uma revolução nos costumes, na cultura, na politização e na formação da opinião pública.

Registrada ZYF-6, a emissora que nasceu “para bem servir e melhor informar”, passou pelo prefixo ZYH-99 e adotou o slogan “A Comunicação Solidária” como reflexo de seu trabalho mobilizador e de liderança regional, até chegar ao indicativo ZYK-298 e comprovar em pesquisas de opinião pública, uma preferência que efetivamente a caracteriza como “Super”.

A liderença entre os ouvintes que não pára de crescer, como sua potência nascida em 250 watts e hoje nos 10 KW, foi mantida ao longo do tempo, com base em um objetivo permanente: refletir os anseios da comunidade, buscar sempre a qualidade técnica e de conteúdo na programação, investir no profissionalismo de sua equipe.

Jan Oswaldo Jung, técnico da emissora, recorda que quando ingressou na Rádio Santo Ângelo, em 1966, era tudo valvulado e o transmissor estava localizado na esquina da rua Roque Gonzales com Daltro Filho (o transmissor, com a antena irradiante). “Era um transmissor de 250 watts, da marca STP - Sociedade Técnica Paulista. O transmissor era difícil de arrumar. Quando esquentava, ficava rouco.”

A Lei nº.2, de 14 de março de 1967, considera de Utilidade Pública a então ZYF-6, pelos relevantes serviços prestados à população em 20 anos de atividades. A Lei está assinada pelo 1º vice-presidente no exercício da presidência da Câmara de Vereadores de Santo Ângelo, Jordão França Bittencourt.

A cidade cresceu e acabou sufocando a antena. Então, entre 1972, 73, ela foi transferida para a rua São Lourenço.

Jan Oswaldo Jung diz que a partir de 1978, a rádio passou a contar com um transmissor de 5 KW, da marca Collins. “A cobertura passou a ser regional e antes ainda de 1980, já passava para 10 KW. Depois foi trocado o  transmissor para um da marca “Easa”, fabricado em Jundiaí-SP. Tmbém lembra que no início das atividades da emissora, os discos eram de 78 rotações. “Os anúncios eram todos lidos pelo locutor. Foi só la pelos anos 1966, 67, que apareceram os gravadores a rolo. A partir de então, podia se gravar alguns anúncios, assim como as entrevistas, mas tudo ainda apenas no estúdio. Antes de começar a década de 70 no entanto, já apareceu o cassete, o gravador portátil. Nesta época chegava também o long-play. Realmente foi um salto de qualidade técnica, que veio aperfeiçoar todo nosso trabalho”.

Na época a freqüência da emissora era de 1.460 kilociclos e o Indicativo ZYF-6. “Em 1976, com o novo plano de distribuição de canais, passou para 930 KHz e alterou o Indicativo para ZYK-298.

Jan Jung, ao comentar as mudanças implantadas na área técnica da emissora, observa que “agora os sons não são mais em cartuchos, como desde 1978, mas digitais. É tudo através de um computador com programa específico. Entre as inúmeras vantagens, está o fato de se poder trabalhar num comercial, por exemplo, até deixá-lo perfeito.”

Sob a supervisão de Arnaldo Ballvé, que comparecia com regularidade à emissora, ocuparam a gerência após Celso Fernandes, os senhores Ely Coelho Marchetti, José Alcebíades de Oliveira, Valdemar Rosenthal, Getúlio Soares, Nelson Bresolin, Lucindo Amaral, Gilberto Kerber, Valmir Ribas, Jairo Almeida, Laércio Pilau e Eduardo Debacco Loureiro.

No início da década de 1980, um grupo de setenta e quatro santo-angelenses instituiu uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada e adquiriu a Rádio Santo Ângelo do grupo das Emissoras Reunidas.
O registro desta mudança, em cartório data de 9 de julho de 1984, mas dia 1º de julho de 1983, o salão paroquial da Catedral Angelopolitana lotou suas dependências na confraternização que efetivou a compra da emissora. Frederico Arnaldo Ballvé marcou presença e foi homenageado na oportunidade em que o então gerente Lucindo Amaral mereceu o apreço dos funcionários através de uma placa de prata. Como coordenador do grupo de cotistas, usou da palavra Nelson Bresolin, que seria o próximo gerente.

Na década de 90, quando a emissora chega aos 50 anos de atividades, outras características definem o trabalho, que por contingência da evolução técnica e por exigência de um ouvinte criterioso, busca o máximo em qualidade e profissionalismo.

Desde 29 de março de 1996, o Conselho Diretivo da Rádio Santo Ângelo é integrado pelos sócios Eduardo Debacco Loureiro, Sigefrido David Milanesi, Nelson Antônio Zimmer, Bortolo Pizzolotto Neto e Laércio Jorge Pilau. A Diretoria Executiva é ocupada pelo sócio Eduardo Debacco Loureiro e o controle acionário pertence ao sócio Adroaldo Mousquer Loureiro.

O jornalismo e o esporte destacam-se como atividades que merecem preocupação especial por parte da direção da emissora. O profissionalismo da equipe, o criterioso cuidado com a programação, o compromisso em servir à comunidade Missioneira e a presença permanente nas coberturas esportivas que envolvem equipes da região, acabaram se refletindo na consolidação da Rádio Santo Ângelo como a preferida entre os ouvintes, segundo pesquisas de opinião pública realizadas em diferentes oportunidades. A liderança comprovada, é fruto de um ideário que nasceu com o pioneirismo de Ballvé: a rádio só tem sentido, se estiver a serviço da comunidade.

Coroando estas mudanças que aconteceram, a emissora ingressa na era digital, confirmando a preocupação permanente em fazer da melhor forma possível, o rádio que os fiéis ouvintes merecem.