O Rádio no RS - Radiodifusão

O RÁDIO EM GRAMADO-RS

O RÁDIO EM GRAMADO-RS

RÁDIO FLORESTA - A PRIMEIRA EMISSORA DE GRAMADO

Poucas pessoas sabem, mas a FELICIDADE FM é a terceira emissora de rádio a operar em Gramado-RS. Além da RÁDIO EXCELSIOR, nossa cidade já teve uma outra emissora, na década de 60. Era a RÁDIO FLORESTA, que apesar de ilegal, funcionava normalmente como qualquer outra emissora legal da época, inclusive veiculando comerciais, de 1961 a 1964.

A Rádio Floresta foi idealizada por Antônio Gonçalves, o “Macaco” carinhosamente chamado, e Rineu Benetti, já falecido. “Eu tinha um pouco de conhecimento de locução e de vendas comerciais enquanto o Rineu conhecia a técnica”, relata Antônio. Antes de colocar no ar a Rádio Floresta, ele explorava os serviços de alto-falantes no centro da cidade, colocando música, propagandas, inclusive notícias de utilidade pública. Era a “voz de Gramado”, como era chamada, que antecedeu a Rádio Floresta. Tinha seu estúdio localizado na esquina da avenida Borges de Medeiros e Coronel Diniz, onde hoje se situa o Banco Meridional. Este serviço funcionava das 10 h. às 12 h. e das 14 h. às 17 horas, oferecendo música e notícias de utilidade pública.

Rineu conhecia eletrônica e já fazia experiências com equipamentos de transmissão, e procurou Antônio e lhe perguntou se não queria abrir uma emissora de Rádio. Antônio a princípio ficou um pouco indeciso e depois decidiram abrir, juntando a experiência dos dois, além do amor pelo rádio e a vontade de prestar algum serviço para a comunidade. Foram agregando todos esses “ingredientes”, e em 1961 nasceu a Rádio Floresta, que operava em 1.120 quilociclos. Rineu montou o equipamento da emissora, cujo estúdio foi instalado no prédio do antigo Hotel Fish, onde hoje se encontra a Praça Major Nicoletti. A emissora operou por 30 dias, em caráter experimental e logo passou a funcionar como se estivesse legalizada. Apresentava músicas, comerciais e notícias. A programação da emissora, segundo Antônio, se baseava no estilo que a Rádio Guaíba AM mantém até hoje ou seja música, sete textos no máximo e novamente música. A emissora tinha, também, programas de auditório (diretamente do CTG Manotaço), rádio-teatro (com sonoplastia sendo feita na hora do programa, sem gravação), entre outras atividades de entretendimento.

Além de manter-se no ar ilegalmente por mais de três anos, a Rádio foi responsável por uma proeza inesquecível, segundo seu Antônio: transmitir uma partida do Gramadense, que disse, no Café Cacique, que se a Rádio Floresta não fosse uma “radiozinha”, transmitiria o jogo. Esta afirmação mexeu com os brios dos idealizadores. Rineu juntou seus conhecimentos de eletrônica e alguns trocados e foi para Porto Alegre comprar os equipamentos necessários para transmissão direta. Segundo Antônio, “Rineu conhecia tudo de eletrônica de forma que no domingo os gramadenses puderam ouvir a narração da partida”.

            “Nós fizemos a transmissão sem a utilização do telefone, somente com a propagação das ondas. O som não era perfeito, mas aquilo foi uma façanha, que espantou muita gente”, afirma.

            “Nós temos que cuidar o que a gente fala pois entramos na casa dos gramadenses sem pedir licença”, recomendava Antônio aos “papagaios” (locutores) e aos “vira-discos” (operadores). Entre os colaboradores desta emissora estavam Romeu Dutra, Silvia Zorzanello, Garibaldi Ferreira dos Santos, Paulo Pante, Lindolfo Ruschel, Laerte Dutra, Ivan Rosa Barbosa, Jair Teixeira, professor Hugo Daros, Romeu Ernesto Rieguel, Irani Cardoso, Joecy Zatti, Inge Fisch e outros.

Durante todo este período a Rádio Floresta operou normalmente, sem ser incomodada pelo Departamento de Correios e Telégrafos (hoje fiscalizada pela ANATEL). O primeiro fechamento da emissora aconteceu em 1963, quando a rádio não cedeu espaço para a propaganda gratuita, mas não deixou de noticiar o que acontecia em termos de política. “Eu não podia colocar a rádio a disposição da Justiça Eleitoral porque ela não era legalizada”, afirmou Antônio, destacando que apesar disso a emissora era solicitada a divulgar notícias de interesse da própria Justiça Eleitoral, Polícia, Brigada Militar, Posto de Saúde e inclusive do Departamento de Correios e Telégrafos”.

Um adversário político de Antônio (que era do PTB mas cedia espaços iguais para todos os partidos políticos) queixou-se para o promotor público de Canela, argumentando que a emissora privilelgiava o PTB. O juiz determinou o fechamento da rádio, comunicando o fato para o DCT.

            “A Rádio ficou fechada por uma semana e então reabri, porque quem deveria determinar o fechamento da emissora teria que ser o DCT”, afirmou Antônio. No processo que foi movimentado contra ele na justiça, Antônio anexou cartas de agradecimentos pelos serviços prestados. Uma das cartas era do próprio juiz que o estavam julgando. Antônio foi absolvido por falta de provas. A partir de então a emissora começou a perder anunciantes, principalmente os que estavam em partidos opostos ao de Antônio. “Nós tínhamos a emissora como um ideal, queríamos prestar serviços à comunidade e não fazer política. Apesar de prestarmos serviços de utilidade pública, muita gente não entendeu isso”, afirmou Antônio.

Em 1964, Antônio decidiu fechar a emissora por falta de apoio da comunidade, principalmente dos anunciantes. Antes disso ele e o Rineu tentaram legalizar a rádio, mas o DCT somente dava concessão para pessoa jurídica, além disso era necessário muito dinheiro. Com a falta de apoio o amor pelo rádio começou a diminuir, motivando o seu fechamento definitivo.
Esta é a história da primeira rádio que entrou no ar em Gramado-RS e que mostrou a pujança, o amor pelo rádio, destes dois gramadenses, que lutaram por um ideal.

RÁDIO EXCELSIOR

Historiadora Marília Daros

Gramado-RS teve algumas experiências no passado, ligadas aos sistemas de som nos festejos cívicos ou populares, religiosos ou profanos com Antônio Gonçalves, o radialista, Rineu Benetti, técnico. Mesmo na clandestinidade, eles buscaram levar a voz de Gramado ao ouvido dos gramadenses. Mas os anos 70 reservavam-nos uma agradável surpresa. Uma grande mudança iria acontecer e com certeza, para melhor.

Fazia alguns anos que o Sr. Amabílio Joaquim de Castro olhava para Gramado de uma forma diferente. Proprietário da rede Visão de Comunicações com três emissoras, a oportunidade bateu à sua porta quando acontecia um evento que contava com a presença do Ministro das Comunicações, Quant de Oliveira. Nesta data ficou a constatação de que Gramado, uma cidade de renome no Brasil inteiro, não possuia uma rádio doméstica.

Quando os editais de convocação para a exploração do Plano Básico de Ondas Médias foram publicados, o Sr. Joaquim de Castro e o radialista Marney Barcelos prepararam os documentos necessários e foram escolhidos pois não havia concorrência.

Foram várias as dificuldades depois desta compra, com relação à área para colocar os radiais; para desviar o curso da estrada da Linha Ávila e ocupar a área. O prédio foi construído num tempo record nacional de 90 dias. As características arquitetônicas deste prédio a diferenciam das demais rádios de nosso estado, se mantendo até hoje na Avenida das Hortênsias, número 78, Bairro Bavária. O contrato entre a emissora e a Prefeitura Municipal de Gramado para a concessão de uso de terreno público, foi firmado a 20 de julho de 1978. Este contrato foi transformado em Lei Municipal de nº. 615/80 de 19 de setembro de 1980, pelo Vice-Prefeito em exercício, Mário Tissot, posteriormente à inauguração e funcionamento da emissora.

No dia 12 de outubro de 1978 a emissora entrava no ar em caráter experimental. Conforme depoimentos “esta rádio vinha preencher um claro que existia no plano de comunicações de nosso município“. A inauguração da Rádio Excelsior aconteceu no dia 13 de outubro, sexta-feira, no Cine Embaixador, com um show artístico, de entrada franca, a partir das 10 horas da manhã. No dia 14 de outubro, às 10:30 horas foi oficialmente inaugurada a RÁDIO EXCELSIOR DE GRAMADO. Depois desta cerimônia aconteceu um churrasco para mais de 200 convidados no CTG Manotaço.

Esta rádio é a 1440 AM no seu dial e um marco das comunicações em Gramado, sempre com um trabalho voltado para o social, a comunidade, a cidadania. Os direitos e as aspirações de nossa comunidade, hoje sob a gerência do radialista Voltencir Luis Fleck transformando, nos últimos anos, a imagem radiofônica regional.

A 18 de maio de 2002, às 11 horas, aconteceu a inauguração do espaço da Excelsior, agora remodelado e melhor preparado para os novos tempos que se avizinham.

Parabéns a todos os que nela trabalharam e trabalham. A todos os que nela acreditaram e acreditam. Em todos os seus momentos históricos.
Assim é que nossa terra vive: passando o tempo, com o ouvido ao pé do rádio.

Um rádio sintonizado na nossa Rádio Excelsior!