O Rádio no RS - Radiodifusão

O RÁDIO EM CANELA-RS

O RÁDIO EM CANELA-RS

RÁDIO CLUBE DE CANELA - ZYH-274

A Rádio Clube de Canela, no período de 1968 a 1977, era assim:

Com uma potência de 100 watts, na frequência de 1.550 KHz, abrangemos, até as 18 horas, uma área de 100 quilômetros de raio. Porém, nossa programação ajusta-se ao “modus faciendi” dos municípios de Canela, Gramado, Nova Petrópolis e Caxias do Sul, limítrofes ao município de Canela.

Com a potência de 100 watts, de Emissora local, tornamo-nos regional, espontaneamente, com a presença diária de ouvintes desses municípios, conforme explicamos mais adiante.

Nosso transmissor, modernizado, emite fielmente a qualidade da mesa de som, e nossos ouvintes, sempre, dizem, ao microfone ou pessoalmente, vindos das mais distantes localidades desses seis municípios, com sua simplicidade, ser o som desta Emissora, “... claro, suave e limpo...”. E isso deve-se a nossa preocupação técnica de chegar, até onde o nosso sinal fôr mais fraco, com a maior filtragem e equilíbrio entre a onda portadora e a modulação.

A fidelidade e pureza da qualidade do nosso som deve-se também, ao uso para entrevistas, cantos e audições ao vivo, de um microfone e condensador, e à linha de enlace, com cêrca de 1.800 metros ao transmissor. Preocupados em fornecer alta qualidade de som, e pelas particularidades de estática e propagação na serra, desenvolvemos tecnologia própria na montagem da mesa de som e estúdio. Permanecem sempre abertas nossas instalações à visitação pública, que recebemos diariamente. Paineis sobre as telecomunicações e o rádio, explicações visuais de como funciona técnicamente a Emissora, em nossa sala de recepção, proporcionam rápido e eficiente aprendizado, notadamente para os milhares de estudantes, em grupos e classes, que nos visitam durante o ano.

A nossa preocupação pela fidelidade reflete-se, até na dispensa de compressor no transmissor, a fim de, semanalmente, melhor reproduzir, desde as pianíssimos aos fortíssimos das orquestras sinfônicas no programa semanal, de uma hora, de música erudita. Assim, podemos dizer, que nosso som possui “profundidade” e reflete o sinal da respectiva gravação.

A MÚSICA, FATOR PSICOTERÁPICO

A música é o fator preponderante na radiodifusão. A mente humana, pelo mecanismo psíquico, aceita os sons musicais e o ritmo como fator de equilíbrio e derivação dos impulsos e manifestações do inconsciente, que pressionam o consciente e necessitam, sempre, de um derivativo que o consciente escolhe para canalizar os impulsos inconscientes.

Assim, através da música, vocal ou instrumental, uma Emissora pode conquistar ou condicionar a mente do ouvinte.

Conquistar a mente do ouvinte, é cultivá-la através da música ou do som, que exprima o seu “modus faciendi” e o seu “habitat”. É deixar o ouvinte escolher e viver com o seu “som” musical, variando-o, mas dentro do mecanismo de conquista da mente; fazer com que o consciente receba bem a música instrumental ou vocal, conseguindo que a primeira sublime os impulsos inconscientes, e a segunda “crie” e desenvolva “imagens” no subconsciente, ou zona da memória, num exercício contínuo e salutar, pois exercita a imaginação, a criatividade. Na música vocal é, necessário porém, que o conto seja na lingua nacional, para lque seja ativado o mecanismo das “imagens”. Assim, na conquista da mente há a valorização do ouvinte e sua participação automática na programação da Emissora.

Condicionar a mente do ouvinte é provocá-la e procurar alterar o seu psiquismo, em contraste com o seu “modus faciendi” ou o seu “habitat”, com símbolos, sons ou cantos que ele não entende, pois não sabe “traduzir”, nem verbal, nem em “imagens” o que está ouvindo. Assim, se ele aceita a música instrumental, que se compõe apenas de ritmo ou harmonia, a melodia, que é o canto, não realiza sua função integral psicoterápica, não sensibilizando a sua zona de memória, simplesmente por que não lhe forma “imagens” descritivas do que ouve, em seu mecanismo psiquico.

Assim, a mente condicionada é pobre em comunicação; forma, na verdade, uma geração sem “expressões verbais” maiores, vocabulário restrito e de gíria, dificuldades em expressão exata e correta na língua nacional; inadaptação ao ambiente em que vive, porque sua mente foi condicionada a uma vida diferente ao seu “habitat” e a realidade socio-econômica nacional.

Como a música instrumental ou vocal representa maioria na programação de uma Emissora de radiodifusão, a Rádio Clube de Canela escolheu e executa fielmente aquilo que chamamos de conquista da mente e que explicamos a todos que desejam saber o motivo de somente transmitirmos composições musicais em língua nacional.

O OUVINTE, A META PRINCIPAL

Vemos, no ouvinte, o principal motivo da atividade de nossa Emissora. Deixamô-lo sentir a Emissora como um “movel” de sua casa, pelo mecanismo de conquista da mente; fazemô-lo aproximar-se da Emissora, pela carta em que pede sua música, ou nessa mesma carta “pinta”, desenha, ou da vazão a sua criatividade pela “carta colorida”, que mais adiante detalharemos; citamos o seu nome no microfone, seus parentes ou amigos, dizendo, diariamente cêrca de 1.800 nomes em nossa programação musical ou literária; trazemos pessoalmente sua arte instrumental ou vocal; fazemos da Emissora o veículo  natural das notícias e das informações para seus familiares mais distantes, dentro dos seis municípios onde eles vivem; na sua visita a Emissora, notadamente quando vem de longe, conversamos com ele no microfone, sôbre seu trabalho, quer no campo ou na cidade, sua vida social e suas realizações comunitárias; o agricultor, o peão, o estancieiro, o operário, o estudante, o profissional liberal, a dona de casa ou moça de prendas domésticas, porque sabem que na conquista da mente, valorizamos e cultivamos a mente do ouvinte.

PUBLICIDADE

Com essa orientação de procurar manter o ouvinte “ligado” à conquista da mente, e de toda essa participação espontânea não há nenhum ônus financeiro para ele, o faturamento da Emissora, na região, subiu extraordinariamente, sem dispormos de corretor de publicidade, somente recebendo a publicidade através do contato e da visita direta das firmas comerciais, industriais ou os próprios ouvintes interessados em anunciar seus negócios comerciais. Há, assim, a procura, também espontânea do anunciante, o qual observa o valor de nossa tabela, de acôrdo com a importância do nosso veículo publicitário, que pode comprovar sua audiência através de suas 350 cartas diárias que recebe.

PROGRAMAÇÃO

Fazemos uma programação litero-musical aberta a todos os gostos, de assuntos, instrumentação e voz, dentro do gosto artístico da região, conforme as cartas-pedidos que recebemos.

O DIA DO OUVINTE: SÁBADOS E DOMINGOS

         Os sábados e domingos são reservados à visita dos ouvintes dos Municípios de Canela, Gramado, São Francisco de Paula, Três Coroas, Nova Petrópolis e Caxias do Sul, que vêm participar, espontaneamente, da programação ao vivo, movidos pela amizade à Emissora.

Assim, o peão da estância de São Francisco de Paula, com seu violão e acordeona; o agricultor ou o operário de Canela ou Gramado, com seus conjuntos musicais ou cantores e músicos individuais; as Bandinhas de Nova Petrópolis; os cantores de Três Coroas; os Conjuntos Gauchescos de Caxias do Sul; os corais do interior de Canela ou Gramado, todos são benvindos ao microfone, onde cantam, mandam suas mensagens aos amigos e familiares, oferecem seus números musicais, ao vivo, falam a linguagem franca, alegre e comunicativa da região; trazem as suas “homenagens” musicais à Emissora, confraternizam no microfone com os nossos locutores e expressam, sempre, o seu propósito de retôrno, sem medir distâncias ou despesas; querem mostrar às comunidades onde vivem, a importância de sua criatividade artística e interpretativa.

Incentivamos, assim, os futuros artistas profissionais, partidos do seu ambiente, e estimulamos sua criatividade artística de expressão.

E num “Dia do Ouvinte”, que assim é chamado, não obstante todos os dias serem do ouvinte, há duas missas irradiadas diretamente da Igreja Matriz, e, no domingo, ao fim da noite, a Emissora encerra suas atividades da semana com um concêrto de música erudita, com uma hora de duração, com comentário próprio sôbre o valor da melodia e do ritmo, que será ouvido, dentro do mecanismo da meloterapia, ou seja, uma explicação rápida sôbre a função psicoterápica da melodia e orquestração, dentro do princípio de “sublimação” da psicanálise, preparando, assim, a mente do ouvinte para acompanhar as melodias. E um programa dirigido para fazer ouvir a música clássica sob o ângulo da musicoterapia.

OS NOTICIÁRIOS

Os noticiários em cada hora, abrangem notícias da região, de interêsse sócio-econômico e esportivo. Há um incentivo constante à prática do esporte amador e o programa respectivo sòmente trata dos Clubes e jogadores dos municípios vizinhos, com uma das maiores audiências da Emissora em caracter regional.

Não há noticiário policial. As autoridades policiais, quando acham conveniente, fornecem notas oficiais assinadas. A Emissora considera que o destaque ao crime ou ao criminoso, apenas condiciona a mente ao impulso negativo da violência, que fica escondida no inconsciente, aflorando, muitas vezes, no impulso agressivo deixado passar pelo consciente, e resultado, em grande parte, do noticiário policial sensacionalista e sem controle da autoridade e de destaque à violência.

A Emissora, fiel ao Código Brasileiro de Telecomunicações, usa o noticiário para destacar o trabalho, a honestidade da vida em comunicade, o incentivo às iniciativas sócio-econômicas comunitárias, quer da região, como de todo o País, apoiando, divulgando, em sua orientação, firmemente, e sem predileções político-partidárias, os objetivos da Revolução de Março.

CARTA COLORIDA: INÉDITA NA RADIODIFUSÃO?

O ouvinte de todas as idades é estimulado, diariamente, a enviar, além da carta simples, sua “carta colorida”, pedindo sua música. Assim, ele floreia sua correspondência, ou adorna-a com filetes, desenhos coloridos de flores, paisagens onde vive, a natureza agreste ou as plantações diversasl, imagens de trabalho, gaúchos a cavalo ou pastoreando o rebanho, enfim, toda a gama de criatividade natural, num colorido esfuziante ou suave. Das 350 cartas diárias que a Emissora recebe, cêrca de 80 são coloridas e o número aumenta.

A carta colorida, depois de comentada ao microfone, é fixada num painel especial na sala de recepção do estúdio da Emissora, onde os visitantes apreciam os trabalhos expostos. Depois de alguns dias, há renovação do painel das cartas coloridas, para dar margem a exposição de todas.

A carta colorida individualiza o ouvinte que, muitas vezes, não sabe tocar um instrumento musical, mas faz-se presente na Emissora pelo seu trabalho exposto. Pela vivacidade ou tonalidade do colorido, podemos averiguar a “sublimação” do ouvinte em seu trabalho e o efeito psicoterápico do mesmo sôbre ele. Todas as cartas coloridas demonstram, sempre, assuntos simples ou alegres, numca trágicos ou depressivos, o que representa uma prova da “conquista da mente” que a Emissora realiza com sua orientação.

Uma finalidade, também expressiva, da carta colorida, é o aprimoramento da letra manuscrita e o gosto pelo escrever cartas, em contínua correspondência com a Emissora e resposta pelo microfone. Faz-se, assim, uma comunicação epistolar, verbal e artística.

LOGOTIPO SONORO - PREFIXO

Além do seu logotipo impresso, a Rádio Clube de Canela possui seu logotipo sonoro, representado pela “marchinha” da Rádio, que abre e fecha os seus trabalhos diários e é executada de hora em hora.

Assim, o logotipo sonoro da Rádio Clube de Canela, gravado com acompanhamento de gaita apianada, e cantado por um coral de vozes juvenis, tem a seguinte letra: “Rádio Clube de Canela, / A Rádio da Integração; / Ela é dos seus ouvintes, / De toda esse região!

O efeito psicológico desse logotipo sonoro faz-se sentir em todos os setores; firma-se a orientação de amizade inter-municipal, constituindo-se uma Emissora de carácter local, mas de influência comprovada regional.

Quanto ao prefixo oficial, irradiado em cada intervalo, “Rádio Clube de Canela, ZYH-274, 1.550 KHz”, é precedido, pela expressão “nos lares de seus ouvintes de Canela, Gramado, São Francisco de Paula, Três Coroas, Nova Petrópolis e Caxias do Sul”, numa homenagem constante aos municípios onde temos ouvintes, que se fazem presentes, na prática, por suas cartas diárias.

EMISSORA TURÍSTICA

Consideramos o turismo não só visual, mas no sentido da audição, dos sons da terra, dos seus ouvintes naturais, de sua pronúncia e sotaque, dos instrumentos musicais próprios.

Assim, para o turista que deseja “ouvir” a região, num verdadeiro turismo áudio-visual, basta ligar o seu rádio de carro na Rádio Clube de Canela, principalmente aos sábados e domingos, e estará ouvindo os “sons e vozes da região”, enquanto visita as paisagens turísticas.

Assim era a Rádio Clube de Canela, no período de 1968 a 1977, sob a direção de Otto Albuquerque.