O Rádio no RS - Radiodifusão

O RÁDIO EM BENTO GONÇALVES-RS

O RÁDIO EM BENTO GONÇALVES-RS

RÁDIO DIFUSORA - ZYQ-5 - 1.570 KHz

Os empresários, de modo geral, começam a perceber que o rádio era um meio mais eficiente para divulgar seus produtos do que os veículos impressos, pois alcançava também uma grande camada da população analfabeta.

O rádio mostra-se um órgão extremamente eficaz para incentivar a introdução de estímulos ao consumo. Diante deste quadro, o rádio começa a adquirir importância fundamental e ser visto como um instrumento capaz de interferir decisivamente no progresso. Assim, o governo federal inicia a concessão de vários prefixos para as cidades interioranas.

As transformações também começam a surgir em Bento Gonçalves, com o despontar de novas forças, como o comércio e a indústria, que formam o contexto ideal para a implantação de uma estação de rádio na cidade.

O jornalista gaúcho Luis Neves, com 24 anos de idade, deixa sua cidade Alegrete e transfere-se para Porto Alegre. É contratado pelo Diário de Notícias, indo mais tarde trabalhar no Correio do Povo. Posteriormente foi nomeado diretor da Agência Nacional em nosso Estado. Mesmo trabalhando na imprensa escrita, Neves tinha uma profunda admiração pelo rádio, veículo que já vinha conquistando o seu espaço.

Com a liberação de canais, Luís Neves habilitou-se junto ao Departamento de Correios e Telégrafos, órgão subordinado ao Ministério da Viação e Obras Públicas, recebendo a autorização para instalar uma emissora em Bento Gonçalves ou Caxias do Sul.

“Meu marido gostava muito desta região. Como Caxias do Sul já tinha sua emissora, inaugurada a 27 de abril de 1946, ele achou que Bento Gonçalves era uma cidade de futuro e fazia por merecer uma emissora radiofônica”. A revelação é feita por dona Adair Neves, 87 anos, viúva do fundador e atualmente residindo em Porto Alegre.

O primeiro contrato social foi registrado na Junta Comercial sob o nº 45.918, a 30 de janeiro de 1947, com a participação de três sócios: Luís Neves - Cr$ 60.000,00; seus cunhados: Walter Bomgharhem Freitas e Otacílio Flores Freitas, com Cr$ 30.000,00 e Cr$ 10.000,00 respectivamente.

No dia 10 de outubro de 1947, o Departamento dos Correios e Telégrafos, através do serviço radioelétrico do Ministério da Viação Públicas, autorizava a abertura da Rádio Difusora de Bento Gonçalves.

Neves alugou uma casa pertencente a Luiz Matheus Todeschini, na Rua Todeschini, 10, onde foi instalado o primeiro estúdio e a antena um pouco mais abaixo. Todos os equipamentos e aparelhagem adquiridos por Luís Neves tiveram como avalista o Sr. Todeschini.

E foi justamente às 9h30min do dia 21 de novembro de 1947, sexta-feira, sob os acordes do Hino Nacional Brasileiro, com a presença do prefeito nomeado, intendente Antônio Galileu Contino, autoridades e convidados, que vai ao ar pela primeira vez o som da ZYQ-5, Rádio Difusora de Bento Gonçalves, atuando na freqüência de 1.570 KHz, com transmissor de 100 watts de potência.

“É claro que, no início, tivemos de enfrentar algumas dificuldades”, relembra dona Adair. “Afinal, era um empreendimento novo e não tínhamos nenhuma experiência. O Luís se desdobrava: fazia locução e percorria as firmas em busca de patrocínios. A mim cabia cuidar do escritório, da parte administrativa. Entretanto, nas emergências, também atuava como locutora.

Em seguida contratamos Egídio Freitas Lima, Lacy Tramontina, Aloar Griggio, Cláudio Pasquetti e Vitor Ely. Itacir Luiz Giacomello era um grande colaborador da emissora. A Lacy foi contratada para fazer a programação musical diariamente.”

“Minha função era a de selecionar as músicas do dia e datilografá-las, para que o locutor pudesse seguir o seu trabalho sem maiores problemas. Fiquei na rádio até 1950”, diz Lacy Tramontina Fontanive, professora de História e atualmente residindo em Porto Alegre.“Afora isso, participei de uma apresentação de rádio-teatro com a direção de Camilo Pasquetti. A peça chamava-se ‘Está lá fora um Inspetor’. A rádio abria às dez da manhã, prolongando-se até às vinte e duas horas. Predominava a música e a notícia. A propaganda era limitada. Não havia ainda entre os empresários a consciência de hoje de que ela é a alma do negócio. Fazíamos um rádio rudimentar, pois não tínhamos experiência. Mas foi um período muito bom em minha vida”, afirma Lacy.

O Ayrton Gonçalves também cooperou com a rádio. Era um garoto muito inteligente. Estudava no Senai em Caxias do Sul e, mais tarde, na Escola Parobé, em Porto Alegre. Fez o curso de Torneiro Mecânico. Ajudou o Neves na instalação da torre.

“Fui um dos primeiros técnicos de som da rádio”, diz Ayrton, hoje funcionário municipal aposentado. “Fazia também cobranças. Muitas vezes fui a Caxias do Sul cobrar as contas da Cervejaria Brahma”.

À época da inauguração, a rádio transmitia no período das 9 às 23 horas. Até então, os estúdios permaneciam funcionando junto aos transmissores.

No dia 26 de julho de 1948, o Ministério da Viação e Obras Públicas emite licença para o estabelecimento de estação radioelétrica particular e no dia 28 de julho do mesmo ano, a rádio recebe autorização para funcionar nas dependências alugadas do prédio do Sr. João Farina, localizado na Marechal Floriano, 34, onde hoje funciona a Data Control.

A 7 de julho de 1950, a rádio assume o serviço de alto-falantes de propriedade de Cláudio Pasquetti e a Prefeitura, a 3 de agosto de 1950, autoriza a instalação da emissora neste complexo sonoro, implantado nos três postes de iluminação pública situados em frente a Municipalidade, funcionando das 10 às 14 horas e das 15h30min às 23 horas.
Nesta fase a rádio operava com transmissor Classe B, fabricação própria, cristal com câmara térmica, válvula de saída, duas - 838 e duas válvulas 838 para modulação. Torre irradiante. Transmissor na Avenida Todeschini, 10, estúdios na Marechal  Deodoro, 34, freqüência 1.750 KHz, Antena Marconi.

Luís Eduardo Neves, geólogo, residente no Rio de Janeiro, um dos filhos do casal, tem boas lembranças do tempo em que seus pais iniciaram os trabalhos na Rádio Difusora, lutando com muitas dificuldades, mas sempre na busca de um ideal.

A instalação dos equipamentos foi feita por um militar, técnico em eletrônica, de Porto Alegre. Posteriormente, uma forte ventania que assolou o município, provocou a queda da antena, sustentada por dois postes de eucalípto.

Em virtude do imprevisto, a emissora ficou fora do ar vários dias. Foi providenciado, então, a compra de uma antena mais potente em São Paulo, com formato triangular, constituída por três peças de aço e montada pelos técnicos da empresa vendedora.

Apesar da potência reduzida, apenas 100 watts, as ondas da Rádio Difusora iam longe, alcançando até cidades fronteiriças como Uruguaiana, Itaquí e Santana do Livramento.

O primeiro locutor profissional contratado foi Egídio Freitas Lima, de Porto Alegre, mas que trabalhava como telegrafista no Departamento dos Correios e Telégrafos de Bento Gonçalves.

“Ocorre que a maioria falava o dialeto italiano e meu pai queria um locutor sem sotaque, daí a contratação de Lima. Depois veio o Alaor Griggio, mecânico da Agência Ford, e em seguida foi contratado o Gustavo Vanzelotti, locutor e narrador esportivo”.

Apesar de Bento Gonçalves ser a capital do vinho, quem sustentava a rádio, em seu início, eram principalmente as agências de automóveis, que representavam as firmas americanas. Foram estes os grandes anunciantes da Rádio Difusora na sua primeira fase: Michelin, Mello & Cia. Ltda., Agentes Ford, Mecânica Internacional Ltda., de Ruga, Farina & Cia. Ltda., concessionária Chrysker Plymouth e Fargo, A. Bertuol, Moré & Cia. Ltda., concessionária Chevrolet e Frigidaire, Oficina Mecânica Belini & Barbon, de Spag-nol, Reffati & Cia. Ltda., Farina, Zago, Brum & Cia. Ltda., concessionários Mercedes Benz; Casa Koff; Casa Fontanari, de Adylio Lapolli; Casa Fasolo, de Guilherme Fasolo & Filhos; Posto Auto Motor Ltda., concessionários Dodge; Ângelo Milani & Cia. Ltda.; Irmãos Salton Ltda., fabricantes do conhaque e champanhe Salton; Vinhos Único; Conhaque Dreher e outros, complementa Luís Eduardo Neves.

No ano de 1972, a Rádio Difusora mudou a freqüência para 900 KHz e com o prefixo ZYH-227, ampliou a potência para 1 kilowatt, transferindo a antena de transmissão para a linha Pedro Salgado. Em 1979, aumentada a potência para 5 kilowatts e a freqüência passa para 890 KHz.

No dia 1º de abril de 1981, o controle acionário da emissora passa a ser de Orlando Tolotti, Fortunato Rizzardo, Darcy Pozza e Carlos Perizzolo, ficando a direção a cargo de Orlando Tolotti e a gerência com Carlos Perizzolo.

Outra alteração que ocorreu foi a 20 de janeiro de 1983, quando Fortunato Rizzardo se retirou da sociedade, transferindo as cotas para Gilberto Pozza.

A 13 de abril de 1983, a Rádio passou a ser administrada por Carlos Domingos Piccoli, Alfredo Cousandier Filho, Antônio Luís Piccoli e Fernando Antônio Merlin Rachele.

A programação fica 24 horas no ar. Novos equipamentos foram adquiridos e no ano de 1986, para acompanhar o desenvolvimento do setor das comunicações, houve a mudança do nome, quando a Rádio Difusora Bento Gonçalves passou a se chamar Rádio Viva.

A fase atual da Rádio Viva começou em março de 1993, quando assumiu a freqüência de 1.070 KHz e a potência de 1 kilowatts, com o prefixo ZYK-357.

Em dezembro de 1994, foram adquiridos equipamentos de última geração, sendo a primeira emissora da região a operar com MD.

“Entre vales, parreirais e montanhas verdejantes, transmite ZYQ-5 Rádio Difusora de Bento Gonçalves...”

“No ar: ZYK-215 890 KHz, Rádio Viva de Bento Gonçalves, uma rádio de muitas vidas...´

Obs.: Matéria extraída do livro “RÁDIO VIVA UMA HISTÓRIA DE 50 ANOS - UMA RÁDIO DE MUITAS VIDAS”, de autoria de Alceu Salvi Souto.