O Rádio no RS - Radiodifusão

O RÁDIO EM BAGÉ

O RÁDIO EM BAGÉ

RÁDIO CULTURA DE BAGÉ LTDA.

Por volta das 10h, de 4 de julho de 1946, toca um clarim do Exército: “Entra em operação a Sociedade Difusora Rádio Cultura de Bagé Ltda.”, “estas foram as primeiras palavras de Athaualpa Dias, proprietário da Rede Cultura de Emissoras, com sede em Pelotas”, lembra Mário Nogueira Lopes, que foi o primeiro comentarista e narrador da emissora.

A emissora foi a primeira a operar em Bagé.

A Rádio Cultura teve como primeiro diretor Heraldo Duarte, sucedido por Dirceu Mendes, Albérico Duarte, Carlos Lopes Peres, Aníbal Alves e, desde janeiro de 1978, Vacionir da Silva Lopes. Os atuais proprietários são os empresários Alencar Dal Molin e Odilo Dal Molin.

No início a sede da rádio era na Rua Dr. Pena, 18, quase esquina com a rua 7 de Setembro, possuía o prefixo ZYG-4 e operava em 1.460 KHz, com 250 watts de potência.

O primeiro clássico futebolístico Ba-Gua irradiado pela Rádio Cultura foi em 1º de junho de 1947, com a vitória do Bagé por 3 x 1.

Em 15 de março de 1956 foi inaugurada a sede própria na Avenida 7 de Setembro. Neste prédio, de dois andares, funcionava no térreo um auditório (atualmente é uma padaria) e no andar superior os estúdios.

Em 10 de outubro de 1983 ocorreu um incêndio na emissora. A solidariedade da população colocou a emissora no ar em 24h, na Rua Almirante Gonçalves. Logo após a sede ter sido recuperada, a emissora voltou a operar na Avenida 7 de Setembro, 672, com o indicativo ZYK 214, na frequência de 1.460 KHz.

Um dos grandes feitos da emissora eram as transmissões de corridas de carro, realizadas do Cerro de Bagé.

A mesa de som da emissora possuía dois toca discos de 78 rotações. Após tocar cada música, as agulhas eram substituídas para evitar defeito nos discos.

A emissora tem o objetivo de atender a toda a gama de ouvintes. Por isso, promove e transmite eventos em todos os setores. Porém, desde 1954 a base de programação tem dado enfoque ao tradicionalismo, notícias e agropecuária.

       RÁDIO DIFUSORA E RÁDIO DELTA FM

Tudo começou com o antigo serviço de alto-falantes, que deu origem à Rádio Difusora, “A Voz de Bagé”, fundada por Vicente Gallo Sobrinho, inaugurada oficialmente em 27 de fevereiro de 1956.

Quem foi Vicente Gallo Sobrinho

Nasceu em 9 de outubro de 1900 na cidade de Nápoles, Itália. Filho de Francisco Gallo e Aquila Mangini Gallo. O pai, Francisco, era piloto de navio e morreu em um naufrágio.

Veio com a mãe Aquila para a cidade de Bagé, com um irmão mais moço, Antônio Gallo. Sua primeira residência foi no bairro “Povo Novo”, hoje chamado de Getúlio Vargas.

Seu irmão Antônio era barbeiro de profissão. Depois, com eles, vieram morar Ernesto e Luiz Gallo, sobrinhos de Vicente. Algum tempo depois, ambos se mudaram para a cidade de Dom Pedrito.

Para sustentar a mãe, Vicente Gallo Sobrinho trabalhava de garçon em uma confeitaria da cidade, no início do século 20, de propriedade de Viterbo Alves Cruz.

Mais tarde, conseguindo empréstimo do antigo Banco Pelotense, iniciou suas atividades comerciais com a Tabacaria Gallo, na avenida 7 de Setembro, 860, onde também agenciava automóveis e motos, com revenda para cidades da região. Hoje, a “Casa Gallo”.

Foi sempre um idealista e nunca desistia diante das dificuldades.

Em 1935, fundou o primeiro serviço de alto-falantes do Estado, denominado de “A voz de Bagé”, cujo funcionamento era idêntico a uma estação de rádio, dadas as características da programação: música, notícias, esportes, utilidade pública, participação de artistas famosos, recitais de piano e uma grande equipe de locutores e apresentadores que, mais tarde, foram trabalhar em emissoras da Capital do Estado como Otávio Hipólito, Pedro Karam, Ney Saraiva, Lauro Lima e tantos outros.

Em 1942, fez a pioneira transmissão de rádio em Bagé, a partir da visita do então presidente Vargas à Rainha da Fronteira.

Da iniciativa da “voz do poste” surgiu o desejo de fundar uma emissora de rádio. Mas, na primeira tentativa, perdeu a concessão para uma empresa de Pelotas, que estabelecia uma filial em Bagé, no final dos anos 40.

Vicente Gallo Sobrinho não desistiu: continuou com ideal e garra, tendo conseguido, anos mais tarde, em 1956, colocar em operação definitiva a Rádio Difusora “A voz de Bagé”, prefixo ZYU-46, que iniciou no dia 27 de fevereiro daquele ano, com o auxílio de valorosos amigos e colaboradores.

Além de Vicente Gallo Sobrinho, foram sócios fundadores: Maurício Infantini Filho, Nilo Vaz Cachapuz, Carlos Poester, Antônio Fued Kalil, Hermes Barreto, Hilma Salgado Filho representando João Batista Fico, João Citro, Dronico Jacinto Pereira, Heitor Germano Filho e Júlio Magalhães Vieira.

A primeira sede foi na Barão do Triunfo, 999, esquina Juvêncio Lemos e o primeiro transmissor tinha 100 watts, operando na frequência de 1.210 KHz. Para se ter uma idéia da diferença, hoje são cinco mil watts na maior potência de transmissão da cidade e região, na emissora de integração regional.

A primeira equipe da Rádio Difusora teve como locutores Conrado Mendes Cardoso, Gilmar Oliveira Brum, conhecido como Ivan Cézar, Carlos Lopes Peres, o Peres Filho e Leila Barros, pseudônimo de Glodete Corrêa. Cuidavam da sonoplastia Manoel Lopes de Moraes, Rufino Mendes Aristimunha, Derny Vaz Gomes e Urânia Pires. Os técnicos eram Paulo Silveikra Médici e Alberto do Canto Lucena. O departamento esportivo era constituído por Lauro Lima, Adail Sidney Silveira, Sílvio da Silva, o Capitão e Jorge Chagas. Atuava no radiojornalismo Mário Nogueira Lopes. Como animador, João Carlos Cazarré. Florisbal dos Santos era o porteiro. E a administração ficava a cargo de Léo Tavares de Llano, Felisbino Ricardo, João Henrique Gallo e Walter Conceição.

A programação era variada: notícias, esportes, programas religiosos, de auditório, atendimento a participações de ouvintes por carta ou telefone e, claro, música seleta.

Em 1966, quando a Rádio Difusora tinha 10 anos de existência, Vicente Gallo Sobrinho adquiriu o prédio-sede da emissora, no coração da cidade, na Avenida 7 de Setembro, 1115,  que hoje abriga também os estúdios da Rádio Delta FM, fundada em 1983. Ainda com seu filho João Henrique, a empresa passou a ter seu sistema irradiante na Avenida General Mallet, em frente ao Ginásio Presidente Médici. Em 1981, a Difusora transformou-se em emissora regional com a inauguração de seus cinco mil watts, a maior potência de transmissão de rádio bageense.

Nas décadas de 60 e 70, a Difusora realizou transmissões jornalísticas consideradas pioneiras, como as promoções do Miss Bagé e Miss Rio Grande do Sul; incontáveis programas de auditório com grandes atrações musicais da época: Trio Los Panchos, Ângela Maria, Cauby Peixoto, orquestras e grandes conjuntos daquele tempo, espetáculos esportivos inesquecíveis acompanhando a dupla Ba-Gua, clubes de futebol da cidade. Também acompanhou as famosas rádio-novelas.

A Rádio Difusora também foi a primeira a contar com equipamento de unidade móvel para transmissão externa, desde a década de 70, e a primeira emissora de Bagé a realizar transmissões internacionais, numa época em que não existia satélite nem celular!

Em outubro de 1981, a Difusora passa a transmitir com 5 Kw de potência abrangendo mais de 20 municípios. O prefixo passou a ser ZYK-213, operando na frequência de 1.170 KHz.

A partir de seu ideal, a empresa Rádio Sociedade Difusora A Voz de Bagé Ltda. Inaugurou também a pioneira estação de FM na cidade e região, a Rádio Delta FM, em 1983.

Acompanhando a evolução tecnológica, a Rádio Difusora foi pioneira no sistema digital, a número um em Bagé e a quarta no Rio Grande do Sul a investir na programação on-line, desde janeiro de 2000. A rede mundial proporcionava aos bageenses divididos pelo mundo a possibilidade de ter acesso às notícias de seu pago pelo endereço www.difusorabage.com.br  . O transmissor totalmente transistorizado de última geração, instalado em 2003, está pronto para o novo rádio digital. Também investiu na qualificação de seus colaboradores, a partir da família Gallo, já que João Henrique trabalha ao lado dos filhos, os jornalistas João Vicente e Andréa.

Vicente Gallo Sobrinho fundou o Minicine Difusora e o Cine Ritz, de grande sucesso nos anos 70. Foi o idealizador e deu os primeiros passos para que Bagé tivesse um canal de TV, a partir de sua amizade de infância com o então Presidente da República da época, bageense Emílio Garrastazu Médici, que chamava a Difusora, carinhosamente, de “emissora do Gallo”.

O município contava apenas com uma repetidora de TV. A luta de Vicente Gallo Sobrinho estava focada no afã de que a cidade ganhasse uma geradora. A história começou em 27 de dezembro de 1973, quando o ministro das Comunicações, Higyno Corsetti, outorgou concessão à emissora no canal 6 VHF. No entanto, a inauguração custou bons anos de trabalho. Afinal era preciso montar a estrutura.

Em 19 de janeiro de 1977, com produção quase exclusivamente local, era inaugurada a TV Bagé.

Em 1983, Bagé contava com três emissoras de rádio AM. A frequência modulada era assunto de Capital. Ainda incipiente nas cidades do interior, as FMs vinham como uma evolução na programação: mais música, qualidade de áudio superior, em estéreo, diversidade. E pioneirismo era com Vicente Gallo Sobrinho. Começava aí o embrião da Rádio Delta FM. As transmissões experimentais começaram no dia 12 de maio. Em 8 de agosto daquele ano, às 7h, operando em 99,7 MHz, Bagé ganhava sua primeira estação FM pelas ondas da ZYD-592.

Os primeiros estúdios da Delta FM Estéreo estavam localizados junto aos transmissores da Rádio Difusora, na Avenida General Mallet. A equipe de trabalho inicial contava além dos operadores de áudio, Domingos Sávio Deble e Luis Pedro Magalhães atuando na locução. A programação ficava a cargo de Carlos Alberto Gonçalves, o Bozó. O departamento de radiojornalismo tinha o comando de Roberto Ribeiro. A programação era toda gravada, salvo raras exceções. O perfil musical apresentava inclusive músicas orquestradas ao meio-dia – o Delta Voando Livre teve momentos de pura fama. O transmissor da rádio possui 1.000 watts de potência e a antena estava assentada no Cerro de Bagé como até hoje.

Em pouco tempo, a primeira mudança: os estúdios operacional e de gravação juntaram-se ao Edifício do Rádio, na Avenida 7 de Setembro. Com isso, Difusora e Delta FM passaram a atuar no mesmo local, com estúdios contíguos como continuam atualmente. O retorno da comunidade foi imediato.

A partir do final da década de 80, a programação passou por uma grande transformação progressiva. Visando atingir um perfil de público mais abrangente, a Delta FM realizou alguns ajustes tornando-se uma rádio com padrão popular, mais interativa e com a participação dos ouvintes. A receita deu certo.

A rádio consolidou sua liderança no segmento e conquistou a preferência da comunidade.

Os diversos eventos realizados em parceria ou promovidos pela emissora, em locais abertos ou recintos fechados, sempre resultaram superlotados.

Hoje, o sinal da Delta FM chega a Aceguá, Candiota, Hulha Negra, Pedras Altas, Lavras do Sul, Pinheiro Machado e áreas de Dom Pedrito e Piratini. O sistema de operação é todo informatizado, com músicas rodando nos mais modernos formatos de arquivos de áudio assim como os comerciais.

A Rádio Delta FM tem sinal disponibilizado via Internet desde 2007 – WWW.deltafmbage.com.br – onde é possível ver a programação, conferir as fotos da equipe e dos eventos, acessar o boletim informativo, além, obviamente, de poder escutar o sinal da rádio pela web. Até em um canal de televisão é possível acompanhar a “Mais Ouvida”. Em uma parceria com a NET, sistema de TV por assinatura, no canal 20, a Delta FM exibe sua programação, numa iniciativa pioneira em Bagé. Os ouvintes criaram também uma comunidade na rede de relacionamentos Orkut, onde opinam sobre diversos aspectos ligados à emissora.

Vicente Gallo Sobrinho era estimado por todos os segmentos comunitários. Seu filho, Ruy Bianculli Gallo, foi pracinha da Força Expedicionária Brasileira, tomando parte nas batalhas da FEB na Itália na 2ª Guerra Mundial. Veio a falecer poucos anos depois. Seu filho João Henrique Gallo, casado com Lourdes Mosqueira Gallo, tem dois filhos: João Vicente e Andrea, ambos formados em Comunicação Social – Jornalismo pela PUC de Porto Alegre.

João Henrique é seu sucessor na direção da empresa Rádio Sociedade Difusora A Voz de Bagé Ltda, cujos filhos João Vicente e Andrea já fazem parte da terceira geração nos trabalhos da empresa, com o mesmo ideal, trabalho e dedicação dos pioneiros.

Vicente Gallo Sobrinho era casado com Felícia Bianculli Gallo, também descendente de italianos. O casal teve gêmeas: Recy e Reni.

Em 1986 veio o pesar:  a morte de Vicente Gallo Sobrinho entristece a Família Difusora e toda a comunidade regional. Seus ideais, no entanto, catalisaram a disposição na prestação de serviços à comunidade.

Vicente Gallo Sobrinho recebeu. Pelo Decreto 834/86, após sua morte, a homenagem de ser nome de bairro da cidade de Bagé que ele tanto amava. O prefeito de então, Luis Alberto Vargas, denominava de Vicente Gallo Sobrinho, o núcleo Promorar da Arvorezinha; também pelo legislativo bageense, no decreto 655, passava a ser o nome da rua 782 do bairro Hidráulica;  da Aciba homenagem pelos seus 50 anos de atividades comerciais;  da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, a medalha “Duque de Caxias”; do Juis de Direito da comarca de Bagé à época, o “título declaratório de cidadania brasileira”; da Itália, o diploma “El Leon de San Marco”; do Instituto Vêneto per Raportti com Paesi Dell América Latina, registrando o reconhecimento e contribuição dos imigrantes italianos na fé e futuro do Brasil; entre muitos registros comunitários e homenagens.

RÁDIO CLUBE DE BAGÉ LTDA.

Em 14 de julho de 1965, foi publicada a notícia sobre a concorrência para a exploração de uma rádio-emissora, a qual foi vencedora a Rádio Clube de Bagé Ltda.. Os diretores, na época, eram Sr. Aristides Kucera e Mário Nogueira Lopes.

Faziam parte da Rádio Clube de Bagé, além dos já citados, os Srs. Jônio Salles, Eduardo Teixeira, jornalista Waldemar Reis, Álvaro Oscar Tavares, Darso Charão Moraes, Vilmar Monteiro, Benjamin Lopes Mello, Ney Machado Costa, Fredolino Hagg, Adeomar dos Santos e Francisco Bidone Costa.

A Rádio Clube, hoje pertencendo ao Sr. Aristides Kucera, continua no ar, funcionando no prédio inacabado do Cine Hotel Consórcio.