Biografia sobre Radiodifusores

SAINT-CLAIR LOPES

SAINT-CLAIR LOPES

Saint-Clair da Cunha Lopes nasceu no Rio de Janeiro em 1906. Bacharel em Direito, dedicou-se apaixonadamente ao rádio, não deixando, contudo, de por em prática seus conhecimentos jurídicos, sempre que ele foi solicitado para defender os interesses da nascente radiodifusão no país. Lecionou na Faculdade de Filosofia da UFRJ e na PUC foi professor de radiojornalismo. Como autor publicou várias obras historiando o rádio e estudando e divulgando a jurisprudência da radiodifusão.

Foi comentarista de assembléias da ONU em 1947, sendo a sua palavra ouvida a respeito através da Rádio Nacional. Exerceu também a consultoria jurídica da ABERT, dos empresários do rádio; da ABR, dos radialistas; das Empresas do Patrimônio Nacional e ainda, da Rádio Nacional. Prestou serviços relevantes a essas entidades. O início de sua carreira no rádio foi na condição de locutor, em 1937, por meio de concurso promovido por Renato Murce na Rádio Philips. Depois de algum tempo passou para a locução da Rádio Educadora do Brasil, onde exerceu toda a espécie de atividades, durante os quatro anos que serviu à emissora do Dr. Alceu Sá Freire. Teve alí como companheiro outro destacado radialista: Luiz Vassalo.

Em 1939, este se transferiu para a Rádio Transmissoram, da RCA, e Saint-Clair, para a Rádio Nacional, levado por Celso Guimarães. Nos 33 anos que atuou nesta grande emissora, “fez de tudo”: locutor, animador, apresentador, produtor de programas. Participou do elenco de radioteatro, novelas, etc. Foi radioator da primeira novela “Em busca da felicidade”; de “Renúncia” de Oduvaldo Viana; do “Direito de Nascer”, no papel de D. Rafael de Juncal; no seriado “O Sombra” que esteve no ar durante seis anos.

Quando a ABERT procurou dotar a radiodifusão brasileira de um código de ética, sugeriram-lhe que apresentasse ao III Congresso de Radiodifusão, no Rio, um projeto sobre a matéria. Saint-Clair baseou-se no código norte-americano, um tanto complexo e descendo a detalhes, mais parecendo um regulamento. Outro projeto, de Clóvis Ramalhete, também consultor jurídico da ABERT, foi mais compacto e resumido e abrangendo genericamente a matéria. Após apresentado à assembléia do Congresso os dois projetos e colocado em votação, venceu o projeto de Clóvis Ramalhete, não faltando, porém, elogios da mesa  para o trabalho de Saint-Clair. Como historiador do rádio, ele reuniu em suas diversas publicações grande número de informes. Uma de suas obras é “Radiodifusão, hoje”, editora Temário, 1970.