Biografia sobre Radiodifusores

PEDRO RAYMUNDO

PEDRO RAYMUNDO

O catarinense Pedro Raymundo, natural de Imaruí, nascido a 29 de junho de 1906, se destacou no cenário musical gaúcho, nos anos 40, com “Adeus, Mariana” e “Gaúcho Alegre”. Em 1914, Pedro Raymundo, com mais ou menos sete anos e já órfão de mãe, ganha do pai uma gaita de oito baixos. Dez anos depois, por volta de 1924, faz parte da formação da Banda do Amor à Ordem, isso tudo ainda na terra onde nasceu, em 1906, Imaruí, então pertencente ao município de Laguna-SC. Tempos depois, quando trabalhava em Lauro Müller, sofrera um acidente que lhe deixou uma seqüela: seu polegar direito foi seriamente afetado. Em 1928, residindo e trabalhando em Laguna, passa a integrar o grupo Choro Chorado.

O cantor catarinense se mudou para a Capital Gaúcha em 1929, trabalhando como motorneiro de bonde, na Cia. Carris Porto Alegrense. Nas horas vagas, além de participar do grupo de Jazz da empresa, Pedro Raymundo mostrava seu talento musical com sua gaita nos cafés do Mercado Público. Na capital gaúcha, em 1930, nasce seu filho Joecy Hedy Raymundo, o casal Pedro e Luíza Nunes já havia perdido dois filhos anteriormente. Começou sua carreira nos anos 30, quando passou a se apresentar em programas de rádio. Em 1939, criou o Quarteto dos Tauras, consolidando o folclore gaúcho ao adaptar canções como Boi Barroso e Prenda Minha. Quatro anos depois, tentou a sorte no centro do país. Freqüentou programas de calouros no Rio de Janeiro, apresentando-se de chapéu quebrado na testa, esporas, guaiaca e bombachas costuradas pela própria esposa.

Em 1944, estourou nacionalmente com Adeus, Mariana e se tornou uma estrela do rádio com o apelido de Gaúcho Alegre do Rádio. A então capital da república vivia o apogeu da Era do Rádio, e o sanfoneiro logo conseguiu apresentações na emissora Mayrink Veiga, depois na Tupi, Tamoio, Guanabara, Globo e Nacional. Sempre com sua gaita cromática xadrez e vestimenta típica gaúcha. Em 1950, a consagração de Pedro Raymundo chegou às bancas de revistas: ele apareceu na capa da Revista do Rádio, uma espécie de Caras dos anos 40 e 50. Em 1959, a bagagem de Pedro Raymundo era de 60 discos em 78 rpm e projeção nacional.

Autor de sucessos como “Adeus Mariana”, “Gaúcho largado”, “Na casa do Zebedeu” e “Tico-tico no terreiro”, relembrou os tempos vividos na Carris com a canção “Segura o bonde”, em 1945. A fama do sanfoneiro chegou também ao cinema nos filmes “Uma luz na estrada”, de Alberto Pieralise, em 1949, e “Natureza Gaúcha”, de Rafael Mancini, em 1958. Em 1973 recebe o título de Cidadão Honorário de Laguna. Pedro Raymundo morreu em 1973, de câncer, no Rio de Janeiro, onde dois anos antes recebera o título de Cidadão Honorário do então Estado da Guanabara. É bom lembrar uma entrevista que a legenda Luiz Gonzaga deu ao jornal Pasquim em 1971. Nas palavras de Gonzagão:

- “Quando Pedro Raymundo veio para cá vestido de gaúcho, eu me senti nu. Eu disse: por que é que o Nordeste não tem sua característica? (...) Vou imitar esse senhor. (...) Ele é gaúcho, vou ser cangaceiro.”