Biografia sobre Radiodifusores

MANOEL BRAGA GASTAL

MANOEL BRAGA GASTAL

Comemorar 90 anos junto aos familiares, amigos e ex-alunos em uma festa com o relançamento de seu romance "Meretíssimo Juiz", escrito há quase 30 anos, foi o presente de aniversário do nosso querido amigo Manoel Braga Gastal, na tarde ensolarada do último sábado, na sede campestre da AJURIS, aqui em Porto Alegre.

Manoel Braga Gastal nasceu em São Gabriel, a 8 de agosto de 1916, e logo foi para Santa Maria, onde permaneceu durante a infância e a juventude até vir para Porto Alegre, em 1931, com a finalidade de continuar os estudos no Colégio Anchieta. Através da indicação de dois grandes amigos, Samuel de Araújo Lima e Paulo Gomes da Silveira, passou no teste de revisor do Diário de Notícias. Após temporada como revisor, Braga Gastal recebeu do amigo Danilo Beckel a informação de que haveria um concurso para locutor auxiliar e programador na Rádio Gaúcha. Fez o teste e já permaneceu no cargo de locutor auxiliar, mesmo nunca tendo passado perto de um microfone. Quando ingressou na Rádio Gaúcha, em 1935, Braga Gastal não passava de um estudante de advocacia em busca de uma fonte de renda provisória e de um horário de trabalho compatível com as aulas. Não tinha experiência, mas mesmo assim ficou um ano e meio na emissora, até aparecer novo teste para locutor e programador na Rádio Farroupilha, onde novamente compareceu para a avaliação e por ali ficou, considerando "sempre ter sido bafejado pela sorte".

Em 1º de maio de 1937, Braga Gastal iniciou na Rádio Farroupilha como auxiliar de programação e de locução. Seis anos depois, em 1943, os Diários Associados compraram a emissora. A partir deste momento, passou de 2º locutor da estação para diretor artístico, de 1943 à 1948. Foi o período áureo do rádio no Brasil. A Rádio Farroupilha transmitia diariamente do Cassino Farroupilha um programa no qual os grandes artistas brasileiros da época apareciam. No fim do ano de 1947, houve eleições para vereador em Porto Alegre, e Braga Gastal foi candidato pelo Partido Libertador. Foi eleito, mas recebeu do diretor que o substituiu a incumbência de escrever, produzir e apresentar um comentário de rádio. Começa o programa "Dois dedos de prosa", um dos programas políticos mais respeitados de seu tempo, que reunia comentários e análises, com duração de três a quatro minutos, sempre ao meio-dia, que se completava com trilha característica e publicidade, transmitido de 1948 à 1960, quando deixou a Rádio Farroupilha. Foi duas vezes vereador e, em outras duas, deputado estadual.

Após a saída da Farroupilha, trabalhou em outras emissoras, mas nenhuma tão significativa quanto a sua passagem pela estação dos Diários Associados, onde presenciou momentos marcantes como a enchente de 1941, em que a Farroupilha chegou a ser a única ligação de Porto Alegre com o resto do país e com o exterior devido ao fato de os jornais da Praça da Alfândega e as demais estações terem ficados submersas. Ocupando o lugar de segunda estação do Brasil em importância, no que se refere à potência, só atrás da Rádio Nacional, a Farroupilha produzia os seus próprios programas e importava alguns de outros estados. Após a saída da emissora, Braga Gastal foi vice-prefeito de Loureiro da Silva e Secretário da Fazenda. Já não havia mais tempo disponível para o rádio. Também ocupou a presidência da Assembléia Legislativa e ainda o governo do Estado do Rio Grande do Sul interinamente.

Quando ingressou na Gaúcha em 1935, Braga Gastal não passava de um estudante de advocacia em busca de uma fonte de renda provisória e de um horário de trabalho compatível com as aulas. A paixão veio depois e falou mais forte. Concluído o curso permaneceu no rádio, a maior parte de sua carreira na Farroupilha, onde vivenciou os momentos de glória do rádio-espetáculo.

Foi também na Rádio Farroupilha - PRH-2 que, depois de eleito vereador em 1947, passou a produzir e apresentar um dos programas políticos mais respeitados de seu tempo, o "Dois Dedos de Prosa", que reunia comentários e análises, sempre ao meio-dia. Braga Gastal deixou os veículos de comunicação para se dedicar à vida pública em 1960. Voltou aos jornais anos depois e das lembranças dos "bons tempos" de rádio pretende extrair um bom livro de memórias.