Biografia sobre Radiodifusores

O PIONEIRO DA TELEVISÃO BRASILEIRA

O PIONEIRO DA TELEVISÃO BRASILEIRA

Assis Chateaubriand, Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, nasceu a 4 de outubro de 1892, na cidade de Umbuzeiro, interior do Estado da Paraíba. Em sua mocidade, transferiu-se para Recife, onde se bacharelou em Direito, vindo, mais tarde, a ocupar a cátedra de Direito Romano, além de, no jornalismo ingressar no Diário de Pernambuco, onde ascendeu ao cargo de Redator-Chefe. Vindo para o Rio de Janeiro, defender uma causa junto ao Supremo Tribunal, defrontou-se com Epitácio Pessoa Cavalcanti, seu conterrâneo. Desde então, fixou-se no centro-sul do País, mais jornalista do que advogado, trabalhando em vários jornais até conseguir fundar seu próprio noticioso, embrião de sua futura cadeia associada: O Jornal.

Acionando, primeiramente, uma rede de imprensa escrita que do Rio se estendeu a São Paulo e, a seguir, a muitas outras capitais e cidades brasileiras, Assis Chateaubriand, o “Velho Capitão”, como David Nasser o intitulou, partiria, já então em 1935, para acrescentar a seus veículos impressores, a radiofonia. O jornalista Assis Chateaubriand funda o Museu de Arte de São Paulo - MASP, em 1947. Em 1952 foi eleito Senador pelo seu Estado natal e, em 1957, nomeado por Juscelino Kubistchek de Oliveira, embaixador do Brasil na Grã-Bretanha. O jornalista dinâmico e arrebatado, a quem se deve o pioneirismo da Televisão no Brasil, faleceu a 4 de abril de 1968, no Rio de Janeiro, com 75 anos de idade, após pertinaz enfermidade que, por anos seguidos, o menteve preso ao leito. Isto jamais o impediu de até seus últimos momentos, apegar-se à vida como legítimo jornalista que sempre foi.

Pouco anos antes de sua morte, em que, como já dissemos, procurou manter-se sempre jornalista, escrevendo seus polêmicos artigos e, mais tarde, apenas ditando-os, entendeu de legar o seu império a seus mais fiéis colaboradores constituindo o Condomínio Acionário Associado e atribuindo àqueles funcionários 49% de seu imenso patrimônio. Em 1948, a extraordinária figura dinâmica do jornalista Assis Chateaubriand já fixara sua meta de dotar sua cadeia de jornais e rádios com os meios de som e imagem. Bastante interessante, e aqui provavelmente nos cumpre ressaltar inventiva do brasileiro, é o fato de que neste ano de 1948, haver funcionado na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, a primeira estação experimental de televisão. Diz Alceu N. Fonseca: “Sob minha direção, pela primeira vez na América do Sul, a 29 de setembro de 1948, a Rádio Industrial de Juiz de Fora passou a transmitir programas de televisão, inclusive o Congresso Eucarístico, os festejos de Centenário da cidade e, com grande sucesso, patrocinado por “Carlos Pereira, Indústrias Químicas”, o jogo de futebol entre o Bangu, do Rio de Janeiro e o Tupi, de Juiz de Fora. A aparelhagem técnica foi construída na própria cidade, pelo técnico Olavo Bastos Freire”.

“A notícia foi publicada nos Estados Unidos, na revista especializada “Television”, em julho de 1951, com fotografias e dados completos”. Eis ai, dois anos antes da implantação da telelvisão no Brasil, um episódio dos mais relevantes. O que se sabe, pelo farto noticiário dos jornais de Assis Chateaubriand, é que a torre que se elevava no alto do Pão de Açucar e, lá em São Paulo, no morro e bairro do Sumaré, destinavam-se às primeiras estações brasileiras de televisão.

Coube a São Paulo a primazia. A 18 de setembro de 1950, nas instalações das Rádios Tupi e Difusora de São Paulo, no chamado Palácio do Rádio, às 16 horas, Assis Chateaubriand presidiu o lançamento da TV Tupi-Difusora, inicialmente Canal 3. Participaram da cerimônia o bispo D. Paulo Rollim Loureiro e a poetisa Rosalina Coelho Lisboa, convidada especial e paraninfa. À noite, o ato público, se assim se pode chamar, ou mais propriamente, a entrega da emissora à sociedade paulista, autoridades e ao povo. Às 21 horas, os salões do Automóvel Clube do Brasil, secção de São Paulo, foram tomados pelos convidados especiais, por ali se encontravam diversos aparelhos receptores.

A audiência domiciliar foi mínima. Afirmava o radialista Dermival Costalima, na ocasião, que em toda a cidade e assim mesmo a maior parte ainda nas lojas comerciais, em exposição, não deveriam existir mais do que mil aparelhos. Mas, como é evidente, os próprios comerciantes e os representantes das indústrias norte-americanas fabricantes de televisores tinha interesse em que, através das vitrines das lojas, o grande público participasse dos transcendentais acontecimentos dessa noite.

Assis Chateaubriand circulava, sorridente e afável, como sempre irradiante em sua simpatia pessoal, junto às personalidades mais marcantes dos meios sociais e econômicos de todo o país, ali reunidos. E aconteceu a impontualidade brasileira. A hora marcada era 21 horas, mas somente por volta das 22 horas a TV Tupi-Difusora, sob a supervisão de Dermival Costalima, tendo à frente Cassiano Gabus Mendes e, à frente das câmeras Homero Silva, lançou, em grande estilo, como todo o “cast” artístico associado brasileiro, o primeiro programa de televisão na América do Sul. Quatro meses após a TV Tupi-Difusora de São Paulo, chegou a oportunidade dos cariocas conhecerem a televisão. Foi a 20 de janeiro de 1951 que Assis Chateaubriand comandou as festividades inaugurais da TV Tupi-Rio, nesta primeira fase com estúdios no quarto andar do Edifício Associado, da Avenida Venezuela, bem próximo ao cais do porto e da Praça Mauá. Seu primeiro diretor foi o radialista José Mauro, então diretor geral das Rádios Associadas do Rio de Janeiro; na mesa de corte, como diretor de TV, estava o veterano Mário Pronvezano.

O Pioneiro Canal de Televisão no Rio Grande do Sul, surgiu em Porto Alegre, a 20 de dezembro de 1959, foi o Canal 5, mais uma nova TV Associada, com a presença de Assis Chateaubriand, do Governador do Estado Leonel de Moura Brizola, do Mininstro da Viação e Obras Públicas, Ernani do Amaral Peixoto; do Deputado Fernando Ferrari, e do Arcebispo D. Vicente Scherer. Estava assim inaugurada a TV PIRATINI. No fim de 13 anos após ter inaugurado a sua primeira emissora de televisão, Chateaubriand chegou a realizar quase que inteiramente aquilo que planejara para o Brasil: oferecer uma preliminar cobertura de seu território com o sinal de tevê. A sua organização, as Emissoras Associadas, inaugurou 16 estações, das quais nove no último período, da década de 60: as do Paraná, Porto Alegre, Salvador, Pernambuco, Ceará, Pará, Goiânia, Ribeirão Preto e Campina Grande. Inscreveu-se, na história da radiodifusão brasileira, ao lado do nome de Edgard Roquette Pinto, o de Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello.