Biografia sobre Radiodifusores

AMIR MACEDO DOMINGUES

AMIR MACEDO DOMINGUES

Amir Macedo Domingues, nascido a 22 de março de 1928, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde faleceu a 8 de outubro de 2007, no Hospital São Francisco, do Complexo Hospitalar da Santa Casa, aos 79 anos de idade, era funcionário público e para sustentar a sua família, precisava de outro emprego para complementar sua renda familiar. Na sua opinião, a única atividade paralela compatível com seu horário só poderia estar no rádio. Jogou-se por inteiro na oportunidade e terminou apaixonando-se pelo rádio e pelo jornalismo: o que de início não passava de um apêndice, tornou-se a principal atividade de sua vida.

Iniciou sua carreira no rádio e no jornalismo depois de ser aprovado num concurso aberto da Rádio Gaúcha, em 1953. Durante quatro anos, trabalhou como noticiarista e locutor no setor de radiojornalismo da emissora, na época responsável pela elaboração de noticiários de hora em hora e por três jornais falados. Neste período, aprendeu na prática a redigir e apresentar a informação e conheceu um pouco sobre os sistemas das coberturas externas. Paralelamente, trabalhou no jornal A Hora, veículo local pertencente à família Di Primo Beck, que posteriormente foi vendido para os Diários e Emissoras Associados, e entrou para a história como o primeiro jornal diagramado e a cores do Rio Grande do Sul. Passou também a atuar no Clarim, cujos donos eram Leonel Brizola e o PTB, como repórter de polícia, adquirindo experiências que lhe seriam muito úteis para o exercício da profissão.

Com a fundação da Rádio Guaíba em 1957, Amir Domingues foi convidado a participar do projeto. Ele aceitou o desafio e nunca mais deixou sua nova casa, onde escreveu uma das mais brilhantes histórias do jornalismo gaúcho. Este ano, 2007, comemorou o 50º aniversário da emissora ao lado dos fundadores em atividade: o apresentador Flávio Alcaraz Gomes (que deixou recentemente a empresa); o chefe de Externas, Celso Costa; o programador musical Fernando Veronezi e o coordenador comercial, Sidney Coelho. Amir trabalhou nos diversos órgãos da Empresa Jornalística Caldas Júnior, hoje Grupo Record, como o Correio do Povo e a Folha da Tarde.

Na Folha, começou como repórter policial e fez de tudo, até o fechamento do jornal, em 16 de junho de 1984. No Correio do Povo, foi repórter e, nos últimos anos, integrou o corpo de editorialistas. Entre as experiências mais gratificantes, Amir Domingues sempre citou o projeto de cobertura das eleições de 1958. Junto com o engenheiro Homero Simon, criou um sistema de transmissão de dados da apuração que permitiu à Guaíba antecipar ao próprio TRE o resultado, em tempo recorde. Na época, os telefones eram precários, não existia Internet nem celular, mas havia ônibus, trem e rádios. Um mapa foi traçado e a equipe montada, com postos de transmissão em municípios-pólo. Em 36 horas saiu o resultado: Leonel Brizola foi eleito governador.

Era o início da tradição que ao longo do tempo transformou-se em slogan: “Na Rádio Guaíba não perdemos eleições”.

Em 1960, Amir Domingues coordenou e atuou na cobertura do processo eleitoral que levou Jânio Quadros à Presidência da República. Outra emoção foi a “Rádio da Legalidade”. Na capital federal, Amir acompanhou a posse de João Goulart como presidente e de Tancredo Neves como primeiro-ministro. Essa cobertura tornou a emissora definitivamente reconhecida no país.

Com o seu desaparecimento, calou-se uma das vozes mais importante da imprensa do Rio Grande do Sul, que ao longo de 50 anos dedicou-se ao jornalismo na Empresa Jornalística Caldas Júnior, atualmente Grupo Record. Dentre as muitas homenagens que o jornalista Amir Domingues recebeu em sua carreira profissional está a da Maçonaria gaúcha. Em abril de 2006, ele foi destacado com a Medalha Caldas Júnior, na categoria Jornalista Destaque. Em Sessão Magna Branca, na sede do Grande Oriente do Rio Grande do Sul - GORGS, anualmente a instituição homenageia profissionais de Comunicação que são indicados pela Associação Riograndense de Imprensa - ARI.

Amir também recebeu, em dezembro de 2005, o troféu Hipólito José da Costa da Associação Riograndense de Imprensa - ARI. Em abril de 2007, em sessão solene na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, pelo cinqüentenário da Rádio Guaíba, o comentarista Amir Domingues agradeceu a homenagem à emissora, proposta pelo vereador João Dib, fazendo de sua voz a de todos os colegas.