Artigos sobre Radiodifusão

RADIODIFUSÃO

RADIODIFUSÃO

Quem for consultar o verbete “Radiodifusão”, da Enciclopédia Mirador, ficará informado de que “a primeira emissão radiofônica oficial brasileira teve lugar no Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1922, como parte das comemorações do centenário da Independência”. Por estar em uma enciclopédia, a informação tende a ser recebida sem discussão. Há, porém, divergências. Note-se que o redator do verbete teve o cuidado de referir-se à emissão oficial.

A data de nascimento do rádio, no Brasil, é controversa. No livro “Jornalismo Audiovisual”, Walter Sampaio afirma o seguinte: “O Rádio, no Brasil, surgiu, fazendo vibrar as agulhas que arranhavam pedrinhas de galena, informando”. Desde logo, cabe uma constatação importante. Em nosso país, a atividade radiofônica nasceu sob o signo jornalístico, “informando”. O rádio, portanto, é filho da notícia. Não pode haver mais honrosa paternidade, em se tratando daquele que viria a ser, com o tempo, arrolado entre os principais meios de comunicação de massa. O mesmo Walter Sampaio nós dá alguns detalhes do nascimento, que, segundo ele, ocorreu no dia 6 de abril de 1919, no Recife, “quando foi fundada a ‘Rádio Clube de Pernambuco’ por Oscar Moreira Pinto que, depois, se associou a Augusto Pereira e João Cardoso Ayres”.

E, mais adiante:

“Em 1922, precisamente no dia 7 de setembro, a ‘Westinghouse Electric International Co.’, juntamente com a ‘Companhia Telefônica Brasileira’, para comemorar o Centenário da Independência, instalava no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, uma estação de 500 watts”. No artigo ‘Brasil: 50 Anos de Rádio’, publicado em ‘Comunicações & Problemas’, revista do Instituto de Ciências da Informação, no ano de 1969, encontramos o seguinte trecho:

“Através dela (a tal estação do Corcovado), maravilhados, os cariocas e forasteiros que visitaram a Exposição Internacional do Rio de Janeiro ouviram o discurso de inauguração proferido pelo então Presidente da República, Epitácio Pessoa, e emissões de música lírica, conferências e concertos, captados nos oitenta receptores que, com licença especial, tinham vindo dos Estados Unidos e haviam sido distribuídos a autoridades e pessoas de destaque ou instalados em praças públicas”.

Pelas pesquisas feitas por Octávio Augusto Vampré e que se encontram no livro ‘Raízes e Evolução do Rádio e da Televisão’, constatamos que o grande público reagiu com muita surpresa, quase com incredulidade, quando ouviu “ecoar nos ares uma voz que anunciava, pelos altofalantes, que o Presidente Epitácio iria inaugurar a ‘rádio-telefonia’ brasileira”. “Se havia, como houve, a sensação de espanto e incredulidade dentre os que a céu aberto ouviram as palavras do presidente, ditas lá dentro do Palácio de Festas, pode-se avaliar a impressão que terá causado o que se seguiu, de imediato. Ali, no aterro do Castelo, a um quilômetro, aproximadamente. do Teatro Municipal, passaram a ouvir a transmissão da récita de gala, com a companhia lírica interpretando ‘O Guarani’.”

Os jornais cariocas do dia 8 noticiaram o fato com destaque, dando, com pequenas variações de um para outro, a seguinte manchete: “Um sucesso da ‘Rádio Telephonia’ e ‘Telephone’ Alto-Falante”.

Vampré reproduz uma das notícias:

“Uma nota sensacional do dia de ontem foi o serviço de ‘radio-telephonia’ e ‘telephone’ alto-falante, grande atrativo da Exposição. O discurso do Presidente da República, inaugurando o ‘certamen’ foi, assim, ouvido no recinto da Exposição, em Niteroi, Petrópolis e em São Paulo, graças à instalação de uma possante estação retrasmissora no Corcovado e de aparelhos de transmissão e recepção nos lugares acima”. E o mesmo Vampré nos faz a seguinte e importante observação: “Observe-se que as duas emissoras norte-americanas da ‘Westinghouse’ e da ‘Western Electric’, uma no Corcovado e a outra na Praia Vermelha, muito provavelmente com antenas no Pão de Açúcar, foram adquiridas pelo Governo Federal, pelo que se alcança a conclusão de que o rádio, no Brasil, teve seus primeiros passos através de duas estações estatais”.

Foram, portanto, duas emissoras e não apenas uma.

Podemos acrescentar que o nascimento do rádio - pelo menos o nascimento oficial - também se deu em um momento no qual o país vivia em regime de exceção. Epitácio Pessoa inaugurou a Exposição do Centenário em plena vigência do estado de sítio, medida por ele imposta depois do episódio dos ‘dezoito do forte’, isto é, da revolta de 5 de julho de 1922, e prorrogada a seu pedido até dezembro de 1922. Apesar da crise política, o Governo tomou todos os cuidados para que a Festa do Centenário deslumbrasse o público, impressionasse os representantes estrangeiros e encantasse os touristes. Várias obras foram feitas na cidade, como a construção do Hotel Glória, onde se hospedaram os visitantes, e o desmonte do morro do Castelo, “cujos entulhos foram utilizados no aterro da Glória e da Ponta do Calabouço, onde Epitácio lançou a pedra fundamental do (...) aeroporto Santos Dumont” - conforme está registrado no ‘Dicionário Histórico-Biográfico’.

Encerradas as festas de comemoração do Centenário da Independência, as transmissões radiofônicas, apesar de receberem o amparo financeiro do Governo, tiveram de ser interrompidas. Não existia um sistema de transmissão regular e, mais importante ainda, de captação regular das ondas. Por falta de aparelhos receptores e de um projeto capaz de torná-los acessíveis à população, o rádio deixou de funcionar e de existir, no Brasil. Simplesmente, saiu do ar. Não estava clinicamente morto, porém, já que ressurgiu em 1923, ainda que em condições muito precárias, quando o Governo montou, na Praia Vermelha, uma pequena estação que transmitia “programas literários, musicais e informativos”.

Essas transmissões de fraca intensidade conquistaram um ouvinte fiel e ilustre. Um antropólogo brasileiro, Edgard Roquette Pinto, foi um dos primeiros ouvintes assíduos de rádio, no Brasil. Ele mesmo deixou depoimento sobre isso:

“Coincidiu (...) a inauguração das estações radiotelefônicas do Corcovado (SPC) e Praia Vermelha (SPE). O Corcovado irradiava, diariamente. Cada vez que tomava os fones vinha-me ao pensamento o que o Brasil poderia ganhar com aquele meio formidável de expansão da cultura. Levei as idéias que me ocorreram para a Academia Brasileira de Ciências”. Historiadores e pesquisadores concordam em um ponto: a radiodifusão só se tornou efetiva, no Brasil, a partir do dia 20 de abril de 1923, quando foi ao ar, pela primeira vez, a ‘Rádio Sociedade do Rio de Janeiro’, fundada por Roquette Pinto e por seu querido mestre Henrique Morize. Foi ela instalada na Academia Brasileira de Ciências, da qual os dois faziam parte.

Roquette Pinto, um otimista por natureza e por exercício espiritual, costumava dizer, a propósito da radiodifusão:

“Todos os lares espalhados pelo imenso território do Brasil receberão, livremente, o conforto moral da ciência e da arte (...) pelo milagre das ondas misteriosas que transportam, silenciosamente, no espaço, as harmonias”.

O processo de massificação do rádio, liricamente proposto e sagazmente entrevisto por Roquette Pinto, demoraria ainda alguns anos. A rigor, ele somente se tornaria realidade depois da invenção e utilização do transistor, por parte das indústrias. Esta, no entanto, é outra história. Voltemos à década de 20. Por essa época, o povo brasileiro, ou melhor, as populações das grandes cidades do Rio e de São Paulo, não poderiam nem sequer sonhar com a importação, nos Estados Unidos ou na Europa, dos aparelhos receptores, partes indispensáveis para que se estabelecesse um verdadeiro processo de comunicação. De qualquer forma, e para quem tivesse o privilégio de captá-lo, estava lá o locutor da ‘Rádio Sociedade’, levando aos seus eventuais ouvintes o slogan da emissora, o primeiro em toda a história do rádio brasileiro: “Pela cultura dos que vivem em nossa terra e pelo progresso do Brasil”.

Gisela Ortriwano, em seu ‘A Informação do Rádio’, faz uma boa observação sobre os tempos do pioneirismo e do idealismo:

“(...) o rádio nascia como meio de elite, não de massa, e se dirigia a quem tivesse poder aquisitivo de mandar buscar no exterior os aparelhos receptores, então muito caros. Também a programação não estava voltada para atingir os objetivos a que se propunham seus fundadores: ‘Levar a cada canto um pouco de educação, de ensino e de alegria’. Nasceu como um empreendimento de intelectuais e cientistas e suas finalidades eram basicamente culturais, educativas e altruísticas”.

Antes de avançarmos no processo de implantação do rádio, no Brasil, façamos uma pausa em nossa programação. Esta pausa nos ajudará a constatar que, se as datas de nascimento do rádio, entre nós, servem de estímulo à controvérsia, o estabelecimento de datas precisas na história do rádio, no mundo, deve merecer alguns cuidados. Elas, muitas vezes, se confundem e nos confundem.

Para obedecermos a um mínimo de rigor a fim de chegarmos a um máximo de clareza, apelemos para a cronologia. Ao segui-la, vamos nos fixar nas datas e nos nomes que têm uma importância indiscutível. Assim, comecemos em 1860, quando James Clerk Maxwell previu as ondas de rádio, as chamadas ‘ondas hertzianas’, do nome de Heinrich Rudolf Hertz, que as descobriu e nelas constatou, em 1887, propriedades muito parecidas com as das ondas luminosas.

É neste ponto que somos atraídos por uma história ao mesmo tempo fantástica, triste e conhecida de pouca gente, a de um genial inventor brasileiro, gaúcho, nascido em Porto Alegre, a 21 de janeiro de 1861, onde faleceu a 30 de junho de 1928, o cientista, padre Roberto Landell de Moura. É história que merece ser contada e amplamente divulgada. Padre Roberto Landell de Moura foi um dos pioneiros na descoberta do telefone sem fio, ou rádio, como é hoje conhecido, o precursor da radiotelefonia, da transmissão de textos à distância, teletipo, ou mesmo do controle remoto pelo rádio, o bandeirante da própria televisão, ao traçar, em 1904, um projeto de transmissão de imagens à distância, batizado de ‘telefotorama’.

Entre 1893 e 1894, antes da primeira experiência realizada por Guglielmo Marconi, o gaúcho padre Roberto Landell de Moura realizava, em São Paulo, do espigão da hoje Avenida Paulista até ao alto de Santana, demonstrações de telefonia sem fio, com aparelhos de sua invenção, numa distância aproximada de uns oito quilômetros em linha reta, entre aparelho transmissor e receptor, presenciadas pelo Consul Britânico em São Paulo, Sr. P. C. P. Lupton, autoridades brasileiras, povo e vários capitalistas paulistanos.

Em virtude de brilhante êxito de suas experiências inéditas, em nível mundial, Landell de Moura obteve uma patente brasileira para um ‘aparelho destinado à transmissão phonetica à distância, com fio ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso’, patente nº. 3.279. Era o dia 9 de março de 1901. O mérito do Padre Landell é ainda maior se considerarmos que desenvolveu tudo sozinho. A Igreja Católica, reconhecendo e apoiando o seu trabalho como cientista, concedeu-lhe permissão especial para viajar aos Estados Unidos, onde permaneceu por quatro anos para patentear seus inventos. Obtém três patentes no The United States Patent Office, em New York, Estados Unidos: ‘Transmissor de Ondas’, precursor do rádio, a 11 de outubro de 1904, patente nº. 771.917; ‘Telefone sem fio’ e ‘Telégrafo sem fio’, a 22 de novembro de 1904, patentes de nº. 775.337 e 775.846.

O físico francês Édouard Branly inventou o coesor, um aparelho que tornou possível o telégrafo sem fio. A 24 de março de 1896, o engenheiro russo Aleksandr Popov (a ele se atribui a construção da primeira antena) transmitiu e gravou mensagem sem fio, em morse, a uma distância de 250 quilômetros. Um pouco antes dele, o inglês Oliver Lodge também conseguiu transmitir sinais, mas a pequenas distâncias. 

Mas o nome que sobrepõe a todos os demais é mesmo o do italiano Guglielmo Marconi. Depois de fazer várias e cada vez mais ambiciosas transmissões sem fio, todas muito bem sucedidas, Marconi foi para a Inglaterra. Lá, provou a um grupo de funcionários do ‘Post Office’ a excelência de seus trabalhos. Fundou, então, como sócio majoritário, a ‘Marconi Wireless Telelgraph Company’, em 1897. No ano seguinte, deu início às transmissões marítimas. É o que nos conta Antônio Costella em ‘Comunicação - Do Grito ao Satélite’:

“A bordo do navio ‘Flying Huntress’ (‘Caçadora Veloz’) telegrafa para o jornal ‘Dublin Express’ os lances da regata de Kingstown (outros autores falam em Kingston), evoluindo a 30 quilômetros da costa. Com apoio nessa experiência, instala telegrafia sem fio nos barcos-faróis ingleses. O primeiro S.O.S. da história foi lançado por um desses barcos, o ‘East Goodwin’, abalroado por outro navio.

A primeira ligação de telegrafia sem fio entre dois países inaugurou-se em 26 de março de 1899. A ‘Companhia Marconi’ colocou em contato a Inglaterra (South Foreland, Dover) e a França (Vimereux, Boulogne). Nesse feito Marconi merece aplausos não só por vencer os 60 quilômetros de distância entre as duas localidades, mas principalmente pela gratidão que demonstrou, de público, por Branly. (...) O primeiro telegrama enviado teve como destinatário Branly: ‘Monsieur Marconi envia a Monsieur Branly seus respeitosos cumprimentos, pelo telégrafo, através da Mancha. Este belo resultado é devido, em parte, aos marcantes trabalhos de Monsieur Branly’.”

E, mais adiante:

“(...) finalmente em 12 de dezembro de 1901, às 12h30min, (...) Marconi vence o maior dos desafios. Faz transmitir um “S”, em código Morse, de Poldhu, extremo sul da Cornualha britânica, até a baía de São João, na Terra Nova, Canadá. O curto sinal - três pontos, em Código Morse - percorre 3500 quilômetros sob forma de onda eletromagnética, para ser captado por Marconi, que, na recepção, vale-se de um enorme ‘papagaio’, modo improvisado de suspender a antena a grande altura. O Atlântico, antes vencido pelo cabo submarino, é agora novamente transposto, sem cabo, em um fantástico salto elétrico”.

Foi no início do século XX que a radiodifusão passou por novo e ponderável avanço, graças a duas invenções: o emissor capaz de produzir uma onda regular e contínua, com a transmissão ainda muito precária de música e da voz humana; e a válvula radioelétrica, a válvula triodo, inventada por John A. Fleming, em 1904, composta de placa e filamento. A esses dois elementos, Lee de Forest acrescentou um terceiro: a grade. Com essa nova válvula, a reprodução dos matizes do som transmitido melhorou muito. Pode-se dizer, com um mínimo de segurança, que foi em 1908 que se iniciaram, no mundo, as transmissões radiofônicas. Nesse ano, o mesmo Lee de Forest conseguiu fazer, do alto da Torre Eiffel, uma emissão captada nos postos militares da região e até mesmo por um técnico em eletricidade que vivia em Marselha, cujo nome os compêndios não tiveram a gentiliza de registrar para a história.

Lee de Forest conseguiu realizar mais duas proezas que mexeram com a opinião pública dos Estados Unidos. Em 1910 (há quem diga ter sido em 1909), transmitiu do ‘Metropolitan Opera House’, de Nova York, um recital de Enrico Caruso. E em 1916, pôs no ar o primeiro jornal falado norte-americano, irradiando, desde a sua estação experimental de Nova York, os boletins do resultado da eleição que Woodrow Wilson venceu, para ficar mais quatro anos na presidência dos Estados Unidos. Durante toda a Primeira Grande Guerra, de 1914 a 1918, a utilização das ondas hertzianas ficou rigidamente submetida ao controle dos países envolvidos no conflito. Houve, assim, um atraso na chegada do rádio até o público. Em compensação, as pesquisas feitas durante a guerra foram de inestimável utilidade, pois facilitaram o rápido florescimento de estações radiofônicas, a partir de 1919.

Durante a guerra, o governo dos Estados Unidos pôde avaliar a importância das telecomunicações. Sua primeira preocupação foi livrar-se da hegemonia conquistada e imposta pela ‘Companhia Marconi’. Tratou de estimular a iniciativa privada e convidou as maiores empresas ligadas à produção de material elétrico e à comunicação para fundar uma estação de rádio. Com recursos materiais e financeiros fornecidos pela ‘Westinghouse’, pela ‘General Electric’ e pela ‘American Telephone & Telegraph’ nasceu então, em 1919, aquela que se tornaria uma das mais importantes empresas de telecomunicações: a ‘Radio Corporation of America’, a famosa ‘RCA’.

A partir daí, datas e acontecimentos começam a se suceder, em velocidade vertiginosa. Em 31 de agosto de 1920, uma das organizações controladas por Lee de Forest e patrocinada pelo jornal ‘Detroit News’ montou uma emissora, que noticiou os resultados da prévia eleitoral de Michigan. No dia 2 de novembro, a estação ‘KDKA’, de Pittsburgh, foi ao ar, dando em primeira mão a notícia de que Warren Harding havia conseguido se eleger presidente da República dos Estados Unidos. A repercussão do furo conseguido pela ‘KDKA’ foi impressionante. Os tradicionais leitores, acostumados a saber das novidades (‘news’) através de jornais impressos, na boa tradição gutenberguiana, começaram a se transformar em ouvintes. Antônio Costella recorda que “a iniciativa do ‘Detroit News’ não foi um fato isolado”. E faz, a propósito, uma série de considerações importantes e atuais:

“Muitos outros jornais montaram estações de rádio, entre eles o ‘Atlanta Journal’, o ‘Chicago Daily News’, o ‘Chicago Tribune’, o ‘Dallas News’, o ‘Kansas City Star’, o ‘Los Angeles Times’ (...) ... mexer com o rádio era uma maneira de valorizar o periódico perante o público, pois representava, em última análise, uma demonstração de que o jornal acompanhava a vanguarda da tecnologia. Além disso, acreditou-se logo - e hoje voltamos a acreditar - que a notícia falada, superficial e rápida, seria um estímulo para a busca da informação escrita, mais completa e elaborada do que aquela. Em síntese, o rádio funcionou aí como veículo de promoção do jornal”.

Estava, afinal, vencida para sempre uma barreira que, alguns anos antes, parecia intransponível: o mundo passou da época da radiotelefonia usada exclusivamente para comunicações pessoais, à radiodifusão, destinada a uma grande massa de ouvintes, “através de programas regulares, previamente anunciados”.

Agora, vamos ao conceito:

“Radiodifusão é a transmissão de sons no espaço, em forma de ondas semelhantes às da luz e do calor, mediante variações da corrente elétrica. Chamado, inicialmente, ‘telegrafia sem fio’, o novo meio de comunicação veio a denominar-se ‘radiotelegrafia’, por volta de 1912. Mas simplesmente, a palavra ‘rádio’ passou a substituir, na linguagem corrente, o conceito de difusão sonora por meios técnicos altamente aperfeiçoados. Diz-se, por exemplo, ‘o rádio anunciou’, para indicar o meio de informação. A palavra ‘rádio’ designa também o aparelho receptor”.

                      É, como se conclui, aquilo que os estudantes de retórica poderiam classificar de metonímia, figura de linguagem que consiste no emprego de um vocábulo por outro, com o qual estabelece uma constante e lógica relação de contigüidade. Ou, conforme Quintiliano, “est nominis pro nomine positio”. Poderia, também, ser considerada uma sinédoque de longo alcance... Calma. Paremos por aqui. Afinal de contas, estamos tratando de radiodifusão.