Artigos sobre Radiodifusão

NAZARENO MEDEIROS - PP1WT

RÁDIO GUAÍBA

Fundada em maio de 1957, a Rádio Guaíba trouxe também uma autêntica revolução ao rádio gaúcho, especialmente no sentido de mudar amplamente o estilo do que se apresentava, então, através dos microfones do Estado e, especialmente, aqui em Porto Alegre. Com a sobriedade característica da Cia. Caldas Júnior, mas sem a sisudez do Correio do Povo ou o alvoroço da famosa Folha da Tarde, a nova emissora, desde logo, marcou preferência na sintonia. Uma das grandes novidades era também o estilo da locução, de forma pausada, clara, sem os exageros dos "erres" ou dos improvisos de efeito, comum dentre as concorrentes. A boa música, muito qualificada por Osmar Melletti e Fernando Veronezi, é um dos pontos que ainda hoje se mantém, especialmente na emissora de FM e, à noite na madrugada, na tradicional AM dos 720 quilociclos.

Mas, afora isso, a Guaíba tinha algo de muito especial: não eram apresentados "jingles". Realmente, para a maioria dos ouvintes esta inovação foi uma bênção, um verdadeiro oásis na forma de se ouvir rádio, então. Contam que em inúmeras oportunidades o departamento comercial da emissora tentou colocar os "jingles" na programação, passando por cima das ordens do sempre severo e às vezes arrogante doutor Breno Caldas. Dr. Breno Caldas não tolerava este tipo de comerciais, mesmo porque atentava contra a linha da emissora e, certas vezes, quando na surdina, um "spot" foi apresentado, invadiu a "técnica" e quebrou o dito cujo, acabando de vez, mas jamais para sempre, com o "abuso". Atualmente, a Guaíba está encharcada de "jingles", a exemplo das demais emissoras, porque grana é grana e a qualificação de um estilo, às vezes é derrotada pela vil prática de certos tipos de comerciais. Embora a vulgarização dos "jingles", geralmente de péssimo gosto comercial e produzidos pelas agências, a emissora mantém uma grande sintonia.

À época de sua fundação e por largo tempo, a Guaíba trouxe o melhor da programação e de profissionais para o seu elenco. Programas notáveis se notabilizaram, dentre eles o "Absolutamente Certo" ou algo assim, que o Mendes Ribeiro comandava diretamente do Cinema Imperial, levando grande público, marcando uma sintonia quase que absoluta e oferecendo prêmios cobiçados por ilustres participantes. A programação esportiva, notabilizada pela transmissão da Copa do Mundo de 1958, marcou o estilo impecável da Guaíba, também pela qualidade do som, badalado pela categoria de Homero  Simon, e marcou ainda a participação da emissora em todas as Copas desde então, algo que faz parte também dos "slogans" usados e bem abusados pela equipe a cada quatro anos, na festa maior do futebol mundial.

Recentemente a Guaíba deu uma guinada na sua programação diária, renovando o estilo jornalístico e de reportagem. Isso acirrou as concorrentes maiores – Gaúcha e Bandeirantes - que logo se antenaram para as mudanças criativas. O noticiário da hora cheia, por exemplo, que a Guaíba havia modificado, passou da Gaúcha a receber novo tratamento, mas o famoso espaço do "correspondente", manteve o estilo impecável do Milton Jung, que agora é único como "noticiarista", algo que então dividia com José Aldair, posteriormente aposentado, pela RBS.

A Guaíba faz 50 anos gloriosos, muito responsável pela inovação do rádio no Estado, para não dizer, completamente. Mantém uma credibilidade especial junto ao ouvinte, marca da Caldas Júnior. Mas, como todos estes magníficos predicados, tem sólido impacto na concorrente da RBS, a Gaúcha, que, às vezes, a supera bem em alguns ângulos. E a boa briga entre Guaíba e Gaúcha é muito bom para o ouvinte. A liderança geralmente se divide, entre o popularesco, e o à vontade, o chulo da programação de certos programas esportivos da emissora da RBS, enquanto a Guaíba mantém a elegância de tratamento e respeito ao ouvinte, o que a leva para um público mais requintado, conquistado ao longo do tempo e que se mantém fiel nestes 50 anos.