Artigos sobre Radiodifusão

DIGNO SOBREVIVENTE

DIGNO SOBREVIVENTE

Por Roberto Perrone

A História sempre carregou controvérsias e polêmicas consigo, seja nos aspectos puramente políticos ou cronológicos. Quanto mais antiga, mais incerta, mais duvidosa. Na medida em que os anos passam e a evolução tecnológica toma conta de nossas vidas, fica cada vez mais fácil resgatar os fatos com precisão. Daqui a 80 anos os acontecimentos de hoje estarão armazenados em algum arquivo eletrônico digital e com todos os recursos de imagem e som que se possa imaginar, sendo possível reproduzi-los com a máxima exatidão. Hoje já é assim quando se necessita consultar a história recente e será muito mais ainda com o passar do tempo. Tudo isso para dizer que ao celebrarmos 80 anos de história do rádio no Brasil, quando da primeira transmissão oficial, feita pelo então presidente Epitácio Pessoa a 7 de setembro de 1922, por ocasião das comemorações do centenário da Independência, é importante fazer a ressalva de que há registros de transmissões anteriores, caso da Rádio Clube de Pernambuco, fundada a 6 de abril de 1919, portanto três anos antes.

Mas independentemente de datas de comemorações (aliás, nas palavras de um executivo da própria Rádio Clube, “acho ótimo que festejem 80 anos, mas não esqueçam de dizer que temos 83”), é importante registrar que o meio rádio, depois de viver suas três ou quatro primeiras décadas sob total glamour, sobreviveu à concorrência da TV - que o jogou no fundo do poço ao lhe roubar a maioria dos talentos e tirar sua vigorosa audiência - e à sanha dos políticos ao seu usado como moeda de troca nas barganhas mesquinhas. Hoje consolida-se como o eterno companheiro dos ouvintes, torna-se mais profissional e criativo e aguarda preparado a largada para a era digital.