Artigos sobre Radiodifusão

CRISTO REDENTOR

CRISTO REDENTOR

No dia 12 de outubro de 1931, exatamente às 19h15min, em Gênova, Itália, na estação radiotelegráfica do Iate Electra, o físico italiano Guglielmo Marconi, acionou uma minúscula chave de onda eletromagnética, que iluminou do outro lado do Atlântico, no Rio de Janeiro, Brasil, no bairro das Laranjeiras, a Estátua do Cristo Redentor, no Corcovado, dando-a como inaugurada... Na antiga capital federal, as festividades iniciaram-se simultaneamente com as da estação radiotelegráfica do Iate Electra, e, no Brasil, foram prestigiadas pelo Presidente da República, Sr. Getúlio Vargas, por Dom Aloisi Marsella, apostólico, Dom Sebastião Leme, Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Augusto Álvaro da Silva, Arcebispo da Bahia e primaz do Brasil, além de centenas de convidados, autoridades, turistas e o povo em geral, que assistiram emocionados àquele importante acontecimento...

O Papa Pio XI, em documento redigido em latim, que chegou ao antigo Distrito Federal no dia 3 de outubro, nomeou Dom Sebastião Leme seu representante pessoal, como cardeal legado, nessas cerimônias comemorativas. Os festejos da “Semana do Cristo Redentor” foram iniciados no domingo, dia 4, e se estenderam até o dia da inauguração, segunda-feira, 12 de outubro de 1931. Foi cunhada uma bela medalha comemorativa à inauguração do Cristo, em prata e bronze e três em ouro; uma para o Presidente da República, Sr. Getúlio Vargas, uma para o Cardeal Dom Sebastião Leme e a terceira para Sua Santidade, o Papa Pio XI.

A eletrônica já dava claras sinalizações de como seria importante o seu desenvolvimento e a sua utilização neste século... Como seria rápido o seu avanço... Com o simples movimento de uma chave, Marconi, na Itália, possibilitou que se acendesse, no Rio de Janeiro, a Estátua do Cristo Redentor, com seus 30 metros de altura, a 710 metros acima do nível do mar, majestosa, a recepcionar a cidade, seus moradores, seus visitantes, independentemente da condição social de cada um, bem como de raças ou cores, de qualquer credo político ou religioso, já que ali estava, imponente, a partir daquele momento, com seus braços abertos, saudando a todos, o Salvador da humanidade, representado pela Estátua de Cristo...
A construção do monumento, um marco dos mais importantes na história do Rio de Janeiro e do Brasil, foi confiada ao engenheiro Heitor da Silva Costa e ao arquiteto francês Paul Landowski, em 1926, quando era Presidente da República o Sr. Washington Luiz Pereira de Souza, e prefeito do Rio de Janeiro o Sr. Antônio Prado Júnior. A obra levou cinco anos para ser concluída.

O Cristo Redentor, hoje, é patrimônio nacional, e anualmente recebe um sem-número de visitantes, sendo um dos pontos turísticos mais procurados do Rio de Janeiro e mantendo-se, ao longo dos seus 66 anos, com seus braços inteiramente abertos, integrado que está na vida dos habitantes e visitantes da “Cidade Maravilhosa”... O pitoresco nisso tudo é que quando o sábio italiano acionou a chave eletromagnética em Gênova, esta não funcionou, deixando atônitos as autoridades e convidados presentes. Foi um oh! de decepção. Marconi havia anunciado que o Rio de Janeiro ficaria totalmente às escuras por 60 segundos, para que a iluminação do Cristo Redentor se refletisse de forma esplendorosa, despontando como o único ponto de luz na antiga Capital da República... Somente após o célebre jeitinho brasileiro, com a intervenção dos engenheiros Gustavo Corção e Austregésilo de Athayde, que conseguiram levar o sinal de força (que chegou da Itália fraquíssimo) para aquele loca é que, finalmente, a estátua pôde ser totalmente iluminada e as cerimônias puderam ser realizadas sob os aplausos delirantes da multidão presente...

Mesmo com as limitações da época, o rádio acompanhou tudo, levando aos lares de toda a Baixada Paulista, desde o Rio de Janeiro e cercanias, na voz do locutor José Antônio de Menezes, pelas ondas da Rádio Clube de Santos - PRB-4, em cadeia com a emissora do signo das estrelas, PRA-X - Rádio Philips do Brasil, todos os detalhes daquele evento.