Artigos sobre Radiodifusão

AS VOZES DO RÁDIO

AS VOZES DO RÁDIO

LUIZ MARANHÃO FILHO

Contam os pioneiros da implantação da “radiotelefonia sem fios”, no Brasil, que a incessante busca de uma forma de comunicação pelas ondas sonoras, não inscreveu entre as preocupações dos pesquisadores das “maravilhas da Física”, a qualidade da voz que se utilizava nos experimentos. Via de regra, o próprio investigador usava a própria voz, proferia algumas palavras ou frases e o que lhe importava, de fato, era a captação ou o alcance do artefato montado artesanalmente. Assim deve ter acontecido com Marconi ao mandar suas mensagens para os navios em alto mar; o mesmo ocorreu com o Padre Roberto Landell de Moura nas noites de Campinas. Mais hodiernamente, vamos encontrar, no Brasil, tanto o cientista Edgard Roquette Pinto fazendo a leitura dos jornais nas Notícias da Manhã, pela Rádio Educadora do Rio de Janeiro, como o radiotelegrafista Oscar Moreira Pinto usando o microfone da PRA-P, a célula máter do que seria mais tarde a Rádio Clube de Pernambuco.

Segundo depoimento dado pelo experimentador Oscar Dubeux Pinto (seu nome chega a se confundir, em Pernambuco, com o pioneiro Moreira) os primeiros microfones, montados a partir de esquemas trazidos por revistas estrangeiras, eram confeccionados com latas vazias de um produto muito popular no Recife, nos anos 20 - a “Goiabada Marca Peixe”, das Indústrias Carlos de Britto, localizadas na cidade interiorana de Pesqueira - cujo metal do recipiente era bem rígido, permitia uma série de furos feitos a prego e martelo, além de facilitar a fixação central de um carvão que era sustentado por molas espirais. Para usar esse artefato que lhe reproduziria a voz até o transmissor, o orador teria que se posicionar a uns cinco metros de distância, dentro de uma sala hermeticamente fechada. É o que confirma o depoimento concedido por Abilio Leôncio de Castro, apontado como o primeiro profissional remunerado para fazer aquilo que ele mais tarde chamaria de Locução. Como professor de português em ginásios pernambucanos, reagiu ao batismo de “Speaker” que lhe deram e formulou a expressão “Locutor”, a qual foi oferecida a outros colegas que operavam no Rio e São Paulo.

O termo foi aceito, sem antes ter provocado uma polêmica na imprensa pernambucana, envolvendo o jornalista Mario (Carneiro do Rego) Melo e o filólogo português, Adalberto Marroquim, em trânsito pelo Recife e que, arbitrando a questão, terminou por aprovar a nova proposta. O uso de “vozes especiais” para o rádio surgiu em função da descoberta dos técnicos, em relação a certas nuances que os seres humanos detinham, em termos de diferenciação. Certos tons graves e aveludados permitiam uma melhor reprodução, diferentemente de vozes classificadas como metálicas e que provocam ressonâncias ou reverberações nas paredes das salas onde eram emitidas. O mesmo ocorria com os cultores do bel canto, os primeiros a chegar ao Rádio por força da música clássica ou erudita; vozes estridentes levavam a uma reprodução esganiçada, enquanto que tenores e barítonos, sopranos e contraltos, mesmo sem uma potência vocal de maior intensidade, conseguiam melhor rendimento, quando conseguiam colocar no mesmo diapasão, a emissão vocal e a respiração.

Por esse preâmbulo, podemos tentar chegar a uma classificação, a partir da fase experimentalista de aparelhos emissores, o que cedeu lugar a um direcionamento para o conteúdo das chamadas programações. A perquisa começou, de fato, por duas vertentes: a primeira, a das conferências de cunho cultural ou educacional; a segunda, a utilização da música na onda sonora. No primeiro caso, mestres de renomado conceito, quando escreviam suas ricas preleções, nem sempre atingiam o receptor, do outro lado do processo, em virtude de tons roufenhos, falta de ritmo respiratório e até mesmo inibição. O Rádio começou a experimentar através da utilização de dois parceiros: o que escrevia e o que lia. Como era praxe, nos salões elegantes, a realização de tertúrias com exímios declamadores, estes foram os primeiros a ser utilizados. Aos poucos, foi-se aprimorando o tipo do leitor, conforme depoimento colhido pelo Autor em seu ciclo familiar, através da professora Maria Luiza Maranhão (1903/1993), lente da Escola Normal do Recife e primeira voz feminina a se fazer ouvir pala PRA-8, na leitura de palestras sobre datas cívicas, assinadas por colegas de Magistério.

Em relação à música, é interessante notar dois aspectos: as primeiras notas musicais emitidas através do Rádio vieram do piano, um instrumento capaz de ir do grave ao agudo sem estridência, ou do violão que tanto se prestava ao solo como à base de acompanhamento; e as primeiras vozes do Rádio, diferentemente de nomes do canto lírico, com potência de voz para os palcos, foram intérpretes quase coloquiais, vindos de ambientes fechados. Cita-se, por exemplo, os primeiros “astros” do novo veículo, que conquistaram posição no disco ainda incipiente: Mario Reis (“Jura”, “Gosto que me enrosco”), Gastão Formenti (“Ó Lua Nova”), bem como Almirante, João Petra de Barros, Renato Murce, os “Turunas da Mauricéia”, entre outros.

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Para se tentar uma proposta embrionária de “Vozes do Rádio”, é preciso, preliminarmente, estabelecer as funções do novo e nascente meio, ainda não florescente. O que se pretendia com a emissão de ondas sonoras?  A Fala, o Canto e a Interpretação. Ou seja, falar para dizer coisas, para transmitir informações e instruções; o canto, para situar no novo meio os gêneros que começaram a se consolidar nos salões, de vez que o primeiro público foi elitizado; a interpretação para criar emoções, como forma de ingressar no mercado da concorrência entre teatro e cinema. Se tal objetivo foi atingido na primeira etapa, é difícil aquilatar, principalmente porque as tentativas divergiam de uma região para outra do Brasil, considerado ser mesmo o país continental, sem uma rápida conexão entre culturas distantes.

Interessante notar que, mesmo em diferentes pontos do globo, observa-se que a história do Rádio está vinculada às primeiras tentativas de multiplicar a voz do Poder, a voz do Estado. Não foi apenas no Brasil que se consignou o discurso do Presidente Epitácio Pessoa, proferido no Passeio Público, na abertura da Exposição do Centenário, no Rio de Janeiro, como o 1º pronunciamento radiofônico. Também nos Estados Unidos, com mensagem presidencial, de costa a costa, e na Rússia, com o discurso de Lenin, a bordo de um navio, o rádio tem sua versão oficial. Fiel à nossa proposta de classificação, devemos abordar, em primeiro lugar, o Instituto da Fala. O que se pretendeu com “voz falada”, na alvorada do Rádio? Basicamente, a informação em seu sentido genérico, e a notícia em seu ponto específico. O “speaker” (ou “falador”, proposta que, felizmente, não vingou, para classificar a função do locutor) deveria levar uma informação ao ouvinte; o que é que ele estava ouvindo e o que é que ele precisava saber. Ou seja, “você está ouvindo a Rádio Clube de Ribeirão Preto, a primeira voz do interior do Estado de São Paulo”. E mais: “vamos ouvir agora a composição Casinha Pequenina, na voz da cantora Linda Batista”. Era uma função de anunciador, basicamente. De posse de registros escritos, ele anunciava o nome da emissora (daí a exigência do prefixo, feita mais tarde pela legislação), anunciava as músicas irradiadas, anunciava a hora certa, a previsão do tempo, os horários das emissões (as pioneiras saíam do ar, no meio da tarde, para esfriar as válvulas) e tudo o mais que se colocasse nas duas mãos. E foi aí que ele passou a anunciar... o anúncio. A chegada da propaganda comercial ao Rádio, ainda com o nome de reclame (há pesquisadores que afirmam que é uma expressão francesa e que significa “clamar mais de uma vez”, ou seja, “repetir o clamor”).

Criou-se a necessidade de um “locutor comercial”, diferente do anunciador da programação, justamente para dar melhor ênfase aos apelos dos comerciantes que precisavam atrair compradores através do rádio. E assim vieram as outras necessidades: um leitor para as palestras, os artigos opinativos e que exigiam mais calor nas palavras repetidas; um outro tipo de voz para informar as notícias, o que ocorria dentro e fora da cidade; mais tarde, uma voz que seria muito mais intérprete do que leitor, alguém capaz de viver um momento dramático, romântico ou risível nas histórias que seriam narradas pelo rádio; e finalmente, um falador-espetáculo, capaz de improvisar diante do público e fazer a animação de uma sala de assistência. Cada etapa seguiu a própria evolução do meio, veio a seu tempo, consolidou-se diante da criação de uma necessidade e do preenchimento por um talento que se agregava ao meio. Por isso, nos dias presentes, decorridos 75 anos do surgimento do Rádio no Brasil, arriscamo-nos a formular, academicamente, uma classificação de locução que abrange todas as eras do veículo, desde a sua fase inicial às exigências dos tempos presentes, abstraindo-se qualquer casuísmo vinculado a esta ou aquela praça.

I - OS LOCUTORES DO RÁDIO

a) O LOCUTOR FORMAL - este é o genérico, é a voz neutra que tem de ocupar os espaços do rádio, uma vez que ele precisa funcionar. Necessita de boa leitura, timbre agradável ao ouvinte e uma postura linear na anunciação. Pelo espaço físico que sempre ocupou nas emissoras, terminou sendo rotulado por locutor de cabine, o que consideramos uma injustiça com inúmeros profissionais que valorizaram os seus prefixos, sustentando longos horários sem perda de qualidade. O que se exige dele, antes de tudo, é cultura geral, boa base instrutiva, para evitar algumas aberrações que temos ouvido através do Brasil inteiro: “os tramites legais” (paroxítona), o “deficit público” (oxítona), “o espaço de laser criado pela Prefeitura” (confundindo o raio com a diversão), “basta que você opite” (colocando um i onde a opção não pede), etc, etc, etc.

b) O LOCUTOR NOTICIARISTA - Imprescindível em qualquer sistema, mesmo como forma de contribuir para que o ouvinte faça a distinção entre a voz que conduz a programação e a voz que lhe dá a notícia inédita. O profissional que faz noticiário deve estabelecer um ritmo diverso da locução formal, dando valor a cada pedaço da notícia, acentuando os verbos operativos (“decretou”, “faleceu”, “destruiu”, “conquistou”, “venceu”). Daí porque o jornalismo trouxe para o rádio a figura da Manchete do Jornal e substituiu as “letras garrafais” do impresso, pela ênfase da voz. O histórico e inovador “Repórter Esso”, estabeleceu para a última notícia do seu bloco, uma ênfase - e atenção! - o que cobrava maior expectativa do ouvinte. Para ser Noticiarista, não basta ser locutor. É preciso saber “o que vai pelo mundo”, o nome correto das autoridades, os povos em conflito, os acidentes geográficos, um conhecimento, no rigor do termo. Evitam-se equívocos como “O Papa Pióxi”, “O Rio Tamisa”, o “satélite Esquilabe”, entre outros captados em ondas curtas e médias.

c) O LOCUTOR NARRADOR - A exigência de interpretar o texto faz com que esse profissional se afaste do padrão normal do Locutor, porque ele terá que rir, chorar, transmitir emoção, fazer pausas, baixar ou subir o tom da voz, expressar sentimentos de prazer, de revolta, de júbilo. É muito mais um ator de posse de um texto do que um simples repetidor de sentenças e parágrafos. Muito utilizado no passado, quando o Radioteatro exigia algumas intervenções de um descritor das cenas, será hoje o formato adequado para viver os editoriais, as crônicas, os comentários, as mensagens específicas de alguns momentos excepcionais na vida das nações. No rádio de ontem, quando as emissoras mantinham a “Hora da Prece”, o narrador fazia o seu público ao demonstrar sentimento de religiosidade na leitura da Prece da Ave Maria. Na História do Rádio, repetem-se os exemplos do Narrador que aí se fez conhecido.

d) O LOCUTOR COMERCIAL - A chegada da publicidade ao Rádio não veio acompanhada de uma tecnologia própria. As técnicas de gravação eram rudimentares e onerosas, o disco de acetato ainda não estava ao alcance do sistema e a maneira de fazer o anúncio ainda não se refinara. Nos primeiros tempos, o Locutor do horário fazia a leitura dos reclames. Dependendo da qualidade do ocupante do espaço, o Anunciante se alegrava ou se aborrecia (O anedotário brasileiro é farto de maus exemplos: o locutor que colocou uma interrogação onde não devia - eu disse hepatina? Nossa Senhora da Penha! O outro confundiu o nome do produto - licau de cocôr xavier, ao invés de Licor de Cacau Xavier). Por isso, o dono do reclame, justamente aquele que pagava uma verba necessária à sustentação da emissora, passou a exigir esta ou aquela voz para o seu anúncio. Então, as emissoras adotaram o sistema de duplas: o 1º locutor conduzia o programa e o 2º locutor fazia a propaganda. A adoção do sistema de gravações dos textos - logo chamados de “spot” - e o posterior surgimento da propaganda cantada - denominada “jingle” - levou aos estúdios e às agências o locutor comercial que, nos dias correntes, não é tão identificado nos prefixos embora o seja na produção de material publicitário, para uso em âmbito nacional. Antes de se alçar na televisão, o locutor Cid Moreira percorreu o Brasil, pelas ondas dos prefixos que reproduziam suas gravações.

e) O LOCUTOR ESPORTIVO - Pela ênfase dada ao esporte no início do Rádio, e principalmente ao futebol iniciante dos times de São Paulo, onde residia o introdutor Charles Miller, a figura do narrador do jogo logo se firmou. Sem dúvida, o criador do gênero, o paulista Nicolau Tuma, “o speaker metralhadora”, que fez a 1a. descrição em 1932, estabeleceu uma proposta que virou um estilo. Vários profissionais, em diferentes Estados, sabendo da inovação, enfrentaram as mesmas dificuldades, subiram em telhados, invadiram campos, divergiram dos dirigentes, mas levaram aos ouvintes as emoções de uma disputa que envolvia 11 jogadores de cada lado, uma bola correndo, um juiz de apito na boca e um padrão de cores a identificar esquadrões que se tornariam coqueluche nacional. O mais interessante é que, decorridos mais de 60 anos da 1a. transmissão, pouco ou quase nada se alterou na forma de narrar, salvo a introdução de algumas inovações tecnológicas. Talvez por isso mesmo, o rádio esportivo sempre foi um setor consolidado, marcante na vida de um prefixo, conquistador de audiência e que, dificilmente, perderá o espaço que conquistou.

f) O COMENTARISTA - Muita gente pensa que a presença do Locutor Esportivo no rádio motivou, de imediato, o profissional responsável pelo comentário. Não foi assim que aconteceu. Há registro de que a Bolda de Valores de São Paulo manteve no rádio dos anos 30, um programa que se destinava a orientar o investidor e era conduzido por um especialista, ainda não identificado, que fazia o comentário sobre o movimento. Teria sido então a economia, a atividade responsável pela improvisação no rádio. A presença do comentarista se fez notar também nas transmissões externas, quando o veículo se libertou das barreiras dos estúdios e foi às ruas para transmitir desfiles cívicos no 7 de setembro, procissões da Semana Santa, incêndios, calamidades, eventos os mais diversos. Isso exigiu a presença de um comentador ao lado do locutor que fazia a transmissão-descrição propriamente dita. Não se pode negar, porém, que o espaço onde a função de comentarista ganhou dimensões maiores foi no esporte, embora nos dias correntes, há comentaristas de cinema, de teatro, de música, de política, ocupando espaços no rádio.

g) O REPÓRTER - Há quem queira separar os profissionais do radio-jornalismo da locução propriamente dita. No entanto, eles não deixam de pertencer ao que chamamos “o instituto da fala”. Há diferenças na função do repórter, por exemplo, pois ele vive, habitualmente, a emoção do fato ao vivo, nas externas realizadas a partir do advento da Freqüência Modulada como inovação e recurso técnico. Rara a emissora do país que não se equipou com um transmissor (os primeiros foram “Motorola”, fabricados pelo grupo Byington, fundador da Rádio Cruzeiro do Sul-SP) e passou a utilizar locutores que iam às ruas em busca da notícia. Na sua função, incluía-se o domínio de técnicas de entrevista, capacidade de improvisação, poder de síntese e de concretude na forma de “mostrar” ao ouvinte o que ele, repórter, estava vendo. Houve também uma fase áurea em todo o país. Exemplos são citados no passado com os “Comandos Continental”, de Carlos Pallut, no Rio de Janeiro. Por isso que, nos dias atuais, quando a entrevista passou a ocupar também o estúdio e as ruas foram quase que abandonadas pelo radio-jornalismo, seria preferível não isolar a função de locutor-entrevistador, porque isto viria a simplificar muito a de Repórter Radiofônico, função extinta em vários segmentos da radiodifusão.

h) O ANIMADOR - O auditório, introduzido no rádio como um segmento do espetáculo, gerou a nova função que sofreu um crescendo até atingir o estrelato. Primeiramente, esses “locutores improvisadores” simulavam um rádio “ao vivo”, apesar de confinados nos estúdios. Um exemplo disso está no pernambucano Abelardo Barbosa, ex-estudante de medicina, ex-baterista dos navios do Lloyde Brasileiro e que fez escola ao “simular” um rádio-baile que “acontecia” na “Chacrinha”, apelido dado ao prédio da emissora fluminense, onde ele atuava em Niteroí. O compositor Antonio Maria, quando atuou em Pernambuco, no Ceará e na Bahia, fez programação idêntica incentivando a fantasia do ouvinte. Com a construção de palcos e platéias, o mesmo improvisador passou a ver o público, a trazê-lo à ação, criando brincadeiras, promovendo desfile de artistas diversos, cantores, músicos, humoristas, dançarinso, sem, no entanto, abandonar a “fala” como instrumento principal de seu trabalho. Com a hegemonia da Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, os radialistas Manoel Barcelos e César de Alencar se alçaram à fama de animadores, secundados por nomes como Heber de Bóscoli, Aerton Perlingeiro, Paulo Gracindo, para citar alguns. Ainda sobrevivem, em algumas praças, os programas populares que mantém a figura do Animador, esteja ele no estúdio conduzindo variedades, esteja no palco promovendo atrações. Modernamente, têm sido rotulados de “Comunicadores”, os profissionais que seguem a trilha de seus antecessores; mas a sua função continua a ser a de fazer a “animação” de determinado horário. Uma menção especial deverá ser feita à presença feminina no rádio, assumindo a locução em todas as suas modalidades. Mulheres ocuparam e ainda ocupam cabines, fazem narrações, realizam transmissões e reportagens. Há ainda uma forte predominância masculina nos esportes e na animação do auditório, mas nada impede que a voz feminina alcance todos os setores. Em todos os prefixos brasileiros, as locutoras tiveram espaço; basta que cumpram os requisitos da função.

II - OS CANTORES DO RÁDIO

Não se deve fazer distinção entre a “voz que canta”, seja ela no rádio, no disco ou no palco, por isso que uma classificação proposta para o veículo soaria em falso. O canto erudito chegou primeiro ao microfone, através dos “recitais” de “prendadas senhorinhas” que estudavam no Brasil e no além-mar. No entanto, a música popular ocupou o espaço devido e não saiu mais. O rádio primitivo adotou o esquema de reservar “um quarto de hora” com a voz bonita de Fulano de Tal. E dentro desses quinze minutos, apoiado em arranjos orquestrais ou acompanhado por um conjunto regional (dois violões, bandolim ou cavaquinho, pandeiro, flauta, clarinete e, tempos depois, o acordeon), o intérprete desfilava o seu repertório e fazia com que suas músicas, valsas, canções, sambas, fossem memorizados pelo público, para que se pedissem as repetições através de cartas.

O passo seguinte foi o “Recital” que cresceu em tempo; chegava a 30 minutos. Na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, consagrou-se o recital de domingo, ao meio-dia, quando a voz nasalada da excepcional locutora Lucia Helena anunciava o bordão: “quando os ponteiros se encontram, os ouvintes se encontram também com Francisco Alves, o Rei da Voz”. A consolidação do veículo trouxe a segmentação das vozes cantantes, seguindo a mesma trilha dos palcos teatrais. Do lado do erudito, o naipe masculino incluía Tenor, Barítono, Baixo Cantante, Baixo Profundo, via de regra. No lado feminino, o Soprano, o Contralto, o Mezzo Soprano, também. No âmbito da Música Popular, principalmente a nacional, os intérpretes geralmente se vinculavam ao gênero que abraçavam; Seresteiros, para os românticos, Cançonetistas, para os brejeiros, Sambistas, entre outros, embora a grande maioria cumprisse um repertório eclético, marcado pelas músicas em evidência. Os criadores do estilo radiofônico, que foram os produtores de programas (entendam-se como redatores de idéias), adotaram o “slogan” para marcar o artista. Além do “Rei da Voz” (Francisco Alves), tivemos o “Caboclinho Querido” (Silvio Caldas), o “Cantor das Multidões” (Orlando Silva), a “Voz Orgulho do Brasil” (Vicente Celestino), a “Favorita da Marinha” (Emilinha Borba), “O rei do samba de breque” (Moreira da Silva), a “Patativa do Norte” (Augusto Calheiros), “O Rei do Baião” (Luiz Gonzaga), para citar apenas alguns.

Uma das inovações do rádio em relação à música foi a personalização das vozes em conjunto, antes apenas chamadas de Coro Vocal. Nasceram, com o rádio, os conjuntos de vocalistas; desde as 5 vozes do “Bando da Lua” (que seguiu com Carmen Miranda para o cinema de Hollywood), dos “Demônios da Garoa”, “Quatro Azes e um Coringa”, até os trios - Trio de Ouro, com Herivelto Martins, Nilo Chagas e Dalva de Oliveira - Trio Irakitan, Trio Nagô, vindos do nordeste, até as duplas - Joel e Gaúcho, Cascatinha e Inhana, cantando guarânias paraguaias, a voz feminina em uma oitava acima, a exemplo das atuais duplas sertanejas do centro-sul. Também cantando, mas usando a fala para fazer humor nas anedotas, o Brasil acolheu, com sucesso, duplas caipiras: Alvarenga e Ranchinho, paulistas e Jararaca e Ratinho, nordestinos, foram os precursores. Se fôssemos alongar o registro, seria forçoso consignar as especificidades surgidas, abraçando o melhor do folclore brasileiro, o mais autêntico de nossas raízes, como o amazonense Jorge Fernandes, a paulista Inesita Barroso, a acordeonista Dilu Melo, o gaúcho Pedro Raimundo, que não se apartavam do regional autêntico.

Para que esse panorama musical atingisse o grau de popularidade e aceitação que alcançou, na chamada “Era de Ouro” do rádio, um período que vai do início dos anos 40 ao advento da televisão, nos anos 60, considerando-se que apenas nessa década, o novo meio saiu da barreira do Rio e São Paulo, torna-se imperioso que se dê a devida vênia aos musicistas, maestros da melhor estirpe que não se enraizaram apenas nas Sinfônicas e nos Concertos; foram exímios arranjadores, ensaiadores e condutores de excelentes orquestras: Lirio Panicalli, Radamés Gnatali, Luiz Arruda Paes, Alberto Lazzolli, Mozart Brandão, Guerra Peixe, Cipó, Francisco Gorga, Nelson Ferreira, Severino Araújo e tantos outros que a memória pode trair, mas a história não deve esquecer. Esperamos que, algum dia, faça-se o resgate da face musical do rádio, com a ênfase merecida.

III - OS INTÉRPRETES RADIATRAIS

Negar ao Radioteatro a maior parcela de sustentação do brilho do meio sonoro é subverter o conceito de sucesso. Entende-se o êxito plural da modalidade como uma tarefa coletiva de manifestação artística, sem estrelismo nem individualismo, pois foi o ramo onde o conjunto se tornou impescindível. Por isso, em qualquer referência que se faça ao passado do rádio, a primeira indagação se dirige à “novela”. Foi ou não foi a idéia-explosão dos anos 40 a melhor base, o melhor alicerce, para a televisão se consolidar como espetáculo no seu evoluir? Haverá quem possa negar a relação intrínseca entre radioteatro e telenovela brasileira?

Por isso, eis uma história que precisa ser dissecada palmo a palmo. Onde estarão as suas raízes? É evidente que o primeiro fator a considerar é o Teatro. O público conhecia a representação através do palco. Ali se viviam, com a consciência da imitação, o realismo da vida e o perfil do ser humano. Anterior ao cinema, o teatro se firmou como espetáculo. Sua influência foi tão forte que não permitiu ao rádio abeberar-se, por exemplo, nas coisas projetadas na tela. Das companhias teatrais, vieram os primeiros intérpretes para o rádio, acompanhados dos primeiros escritores. O segundo fator é a Literatura. A criação ficcional valeu para assegurar às equipes de criação, a possibilidade de retorno; ouvintes, sob a forma de leitores. Tanto que não se pode negar a presença do Folhetim nas primeiras experiências seriadas. Os nossos avós conheceram uma fase em que se adquiria, de porta em porta, um fascículo semanal narrando uma história, primeiramente em traduções de textos internacionais. Assim se chegou aos Antonio Adverse, às profecias de Nostradamus, aos romances de Michel Zevaco, para deixar apenas umas referências.

Há um dado interessante que ainda não foi devidamente considerado pelo academicismo das pesquisas que estudam o rádio. Quando se procura o Pioneiro, o “pai da criança”, o ideólogo do formato do Teatro pelo Microfônio, que chegou a ser chamado de Teatro Cego, o que se encontra é a presença de uma verdadeira confraria de companheiros do mesmo ofício, frutos do mesmo ninho. Todos os que são apontados como pioneiros do Radioteatro no Brasil, fizeram teatro entre o Rio e São Paulo, integraram o mesmo ambiente artístico e irradiaram a sua arte de representar para o norte e para o sul, desde as capitais até o interior. Apenas para confirmar com as citações correntes, faremos uma panorâmica de nomes sem situá-los no tempo: de São Paulo, Oduvaldo Viana, Octavio Gabus Mendes, José Medina, como escritores, Manuel Durães, Augusto Barone, como autores. Do Rio, Olavo de Barros, Vitor Costa, Plácido e Cordélia Ferreira, Pepa Ruiz, Letícia Flora, Floriano Faissal, Brandão Filho. Do nordeste, Luiz Maranhão, Rosália Pombo, Vicente Cunha, Maria Amorim. Será fácil encontrá-los a todos nos elencos de grupos teatrais que conviveram nos anos 20 e 30. E quando agregados ao rádio, eram ex-companheiros que se correspondiam, trocavam idéias, permutavam experiências.

O Radioteatro começou timidamente no novo meio. Sob a forma de “sketchs” - nome que se dava a cenas ligeiras envolvendo dois ou três atores, ora sob a forma de comicidade, ora com uma carga dramática - os primitivos espetáculos radiofônicos eram inseridos numa programação mais ampla e variada, como se fossem os “entreatos” ou “entremezes” da cena tradicional. Com o filão na mão, os criadores foram ao experimentalismo; adaptaram poemas que incluíam personagens (“Juca Mulato”, de del Picchia, “Os Três Cegos”, cujo autor ficou no esquecimento, “A Ceia dos Cardeais”, de Júlio Dantas, um texto teatral). Depois se aventuraram mais com o “Grand-Guignol”, um retalho dramático, de inspiração francesa, que servia como fecho grandioso de certos espetáculos, onde um ator famoso deveria ser a apoteose, a atração final. Até que as emissoras chegaram ao teatro completo, com a adaptação de peças teatrais, sendo apontada “A Serenata de Schubert”, de Celestino Silva, como a primeira delas.

A novela veio depois. A história seriada - segundo pesquisa realizada pelos radialistas Helio Tys e Mauro Borja Lopes (Borjalo), do sistema Globo - foi tentada pela primeira vez, no Recife, em 1937, quando Luis Maranhão quis radiofonizar o romance do escritor pernambucano Mario Sette, intitulado “Senhora de Engenho”, e a extensão da história o levou a fracionar em sete episódios para cobrir uma semana de irradiação. A protagonista da história, Maria da Betânia, a “Sinhazinha Moça” (título escolhido para a adaptação), serviu de tema a uma valsa do compositor Capiba, mais tarde gravada em disco por Nelson Gonçalves. Cortou-se por eufonia a preposição “da” e a música valeu como a primeira trilha de que se tem notícia.

O alongamento das histórias veio por sugestão do teatrólogo Oduvaldo Viana, quando de regresso de um exílio político na Argentina, onde conhecera experiência semelhante. E muitos tentaram o gênero, entre veteranos como Gabus Mendes e estreantes, como Francisco Inácio do Amaral Gurgel. A história da rádio-novela ainda está longe de ser contada, mas o que se deve sempre contestar é a afirmativa acadêmica de que as “soap-operas” americanas foram as inspiradoras do modelo brasileiro, o que não é verdade. A importação de produções cubanas de Blasco Ibañez e Felix Cagnet aconteceu com o ingresso das saboarias no mercado publicitário brasileiro, pelos Irmãos Lever e a Colgate-Palmolive. Mas antes dela, já se fazia novela no Brasil sem modelagem. E estas continuaram a ser feitas dentro de temáticas nacionais, muito distantes da fórmula americana que era sempre feita numa sucessão de historietas, mantendo-se fixos os personagens básicos. Basta confrontar o que os americanos ainda fazem hoje na TV - (“Dallas”, “Peyton Place”) - para se verificar a divergência de rumo e de formato. Infelizmente, a pesquisa no país é sempre a repetição do que alguém já disse ou supôs, sem maiores profundidades.

Mas, o que nos propusemos no trabalho foi a formulação de uma classificação para o naipe de intérpretes, que inspirava o trabalho do escritor e a seleção feita pelo diretor, ou seja, tentar descobrir a galeria de tipos do Radioteatro. O espetáculo se apoiava num texto dialogado, onde era importante a inclusão de rubricas (inscritas em caixa alta e dentro de parêntesis), servindo de orientação do autor ao intérprete, sobre a intenção da fala construída. Ou seja, (com rancor), (começando a chorar), eram formas de comunicação Autor-Intérprete.

Duas pilastras complementares seguravam o gênero: a sonoplastia, feita através de discos de música erudita, para ilustrar cada passagem, dando intensidade romântica, dramática, descontraída, mística, etc. E a contra-regra em que se produziam, por gravações ou ao vivo, nos estúdios, os ruídos que facilitavam o entendimento da ação: passos cautelosos - sineta da porta - ruídos de talheres em jantar, etc. Até onde a imaginação do autor pudesse ir, o contra-regra deveria acompanhá-lo.

No quadro masculino, o Radioteatro definia basicamente os seguintes tipos:

A) GALÃ - Voz quente, entre grave e agudo, pausada, capaz de transmitir emoção num suspiro, num arfante beijo.

B) VILÃO - Voz áspera, cortante, um pouco sibilante, capaz de provocar reações adversas, por meio de uma gargalhada profunda ou de uma frase dita entre dentes quase cerrados.

C) CENTRO DRAMÁTICO - Voz pesada, demonstrando cansaço, peso dos anos, respiração entrecortada, capaz de sugerir complacência ou emoção forte através de tremor nas frases dramáticas.

D) CENTRO CÔMICO - Voz semelhante à anterior, mas descontraída, com galhofa, riso velhaco, tirando partido de cada respiração, de cada tosse.

E) CARICATO - Voz extravagante, rachada, esganiçada, com defeitos de pronúncia, capaz de fazer rir com cacoetes ou repetições.

F) EXCÊNTRICO - Voz neutra, com domínio suficiente para adotar sotaques estrangeiros ou tipos exóticos, como bobos, extraterrenos, mostros, tartamudos, gagos, etc. É lógico que, neste elenco, colocavam-se as gradações e intermediações. Haveria um 2º Galã, um Galã Jovem; um Vilão violento ou calculista, uma boa variedade de Tipos Centrais, desde o Avô Octogenário ao “Pater Família” ainda na ativa de uma repartição pública.

No quadro feminino, os tipos adotados se equivaliam aos masculinos, como se formassem uma paridade de duplas, para o desenvolvimento das tramas. Poderíamos citar:

A) INGÊNUA - Voz doce, suave, aveludada, capaz de protagonizar a moça sofredora, vítima dos vilões, debulhada em lágrimas, inocente diante das maldades do mundo. Deverá rir e chorar com facilidade.

B) DAMA GALÃ - Voz de mulher de meia idade, ainda insinuante no calor das frases, no veludo que põe em cada conquista. Não pode ser meiga, porque lhe competirá viver tanto personagens vencedoras, como sofredoras.

C) DAMA VILÃ - Voz metálica, em tudo semelhante ao vilão, porque deverá rir transmitindo maldade, exaltar-se de forma dominadora e fazer sofrer aos outros personagens, embora tenha que demonstrar resistência ao receber o castigo final.

D) DAMA CENTRAL - É a voz idosa, afetuosa, transmitindo paz e doçura, resistente ao sofrimento, porém, capaz de chorar profundamente.

E) CARICATA - É a voz estranha, espremida, cheia de vícios de linguagem, com rompantes sob a forma de interjeições, pois lhe tocará também a função de fazer rir.

F) EXCÊNTRICA - Voz neutra, dominável em diferentes tipos, estrangeiras, bruxas, velhas escravas, fadas más. A mesma variação admitida ao naipe masculino acontecerá entre as mulheres, diante da gradação de idade das ingênuas e da posição no drama das mulheres de idade madura.

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Pode parecer à primeira vista que os autores escreviam em função do elenco da emissora. Mas tal não ocorria, em virtude da conscientização geral de que não se poderia montar um elenco, sem que o diretor tivesse à sua mão, os tipos básicos acima perfilados. As histórias comportavam um sem número de pessoal permanente, preenchendo as necessidades do perfil do elenco e o pessoal temporário, remunerado a “cachet” (sistema de pagamento por tarefa), requisitado à medida que surgia a necessidade. No segundo grupo, vivia-se um aprendizado, almejando o convite para a efetivação; prestadores de serviço chegavam a consignar tantas intervenções em diferentes novelas que se igualavam aos contratados, em muitos meses do ano.

A título de exemplificação, poderíamos pinçar, na longa trajetória do nosso rádio, alguns tipos que marcaram época. Por exemplo:

- O SOMBRA - seriado americano, importado pelo anunciante “Gillete do Brasil”, vivido pelo ator Saint Clair Lopes, da Rádio Nacional. Era um detetive que se tornava invisível e o ator teria que transmitir tal presença, usando uma voz gutural, arrancada da garganta, com uma risada compassada. “Ninguém sabe o mal que se esconde no coração humano. O Sombra sabe”, era o bordão de abertura da história.

- MAMÃE DOLORES - personagem básico da novela “O Direito de Nascer”, interpretado pela atriz Yara Sales, na Rádio Nacional. Simbolizava a velha escrava negra, que se agregara à família, como babá e presenciara todo o sofrimento de uma criança enjeitada.

- O PRIMO RICO - tipo humorístico, criado por Max Nunes para o ator Paulo Gracindo, no programa “Balança mas não cai”. Era o rico “snob” que se exibia para um primo pobre, o ator Brandão Filho, para quem declarava ao final do quadro: “você é que é feliz, primo”. Ao que o outro contestava: “Felicíssimo, primo”.

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É longa a lista, como longa foi a existência do Radioteatro como sucesso radiofônico. Por que se extinguiu? Difícil uma resposta, sem que se tenha um perfil do novo empresário brasileiro de radiodifusão que veio substituir a figura histórica, controvertida, folclórica, do “dono da rádio”, aquele que explodia, sofria, chorava, vibrava com a grande família que convivia ao seu lado, no mundo inesquecível do microfone, do estúdio, da voz no ar. Ficam muitas interrogações para serem respondidas. Uma coisa é certa, porém. Muitos novelistas sobreviveram ao tempo, muitos atores e atrizes curtem sua saudade, muitas gerações ainda desconhecem esse tempo. E a Escola, o que fez nisso tudo?

PERFIL

EDITORIAL JANGADA selecionou para a sua série de fascículos dedicados à Radiodifusão, o autor pernambucano LUIZ MARANHÃO FILHO que completou, em 1997, o seu cinquentenário profissional. Foi em 1947 que a Rádio Club de Pernambuco irradiou a sua primeira novelinha policial - “Uma Família Sinistra”, em 5 capítulos. A sua experiência radiofônica que se iniciou na PRA-8, onde o Radioteatro era dirigido por seu pai, o pioneiro Luiz Maranhão, desdobrou-se depois pela Rádio Tamandaré, Rádio Jornal do Commércio e Rádio Continental, todas do Recife, Rádio Borborema, de Campina Grande, Rádio Verdes Mares e Rádio Dragão do Mar, de Fortaleza e, finalmente, Rádio Universitária do Recife, pela qual se aposentou em 1992. Atualmente é professor adjunto do Departamento de Comunicação Social, da Universidade Federal de Pernambuco e concluiu Doutorado na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo - USP, com a defesa de tese “SÃO PAULO - O RÁDIO DE IDÉIAS”.

Em tempo:

A obra, de autoria do professor Luiz Maranhão Filho, foi editada pela EDITORIAL JANGADA, Rua São Miguel, 918 ap.201, Olinda-PE, CEP 53120-030, e faz parte da:

COLEÇÃO “RÁDIO”

I      -  Evolução do “Script” no Rádio
II     - As vozes do Rádio - 1996
III   - Uma pedagogia para o Rádio
IV   - Humor no Rádio
V    - Modelo matricial para a retomada do Rádio-teatro
VI   - Documentário Radiofônico - Releitura de antigas fórmulas
VII  - Como adaptar para o Rádio
VIII - Rádios Universitárias: Escola ou Passatempo? - 1996.