Artigos sobre Radioamadorismo

Por: RADIOAMADORISMO

RADIOAMADORISMO

O QUE É RADIOAMADORISMO?

O radioamadorismo é um meio de adquirir-se aptidão pessoal nos campos da eletrônica e das telecomunicações, através de um serviço que a legislação nacional e internacional determina como sendo de “treinamento próprio, à intercomunicação e a investigações técnicas, levadas a efeito  por amadores devidamente autorizados pela ANATEL, que se interessam pela radiotécnica unicamente a título pessoal, não visando qualquer objetivo pecuniário ou comercial” (Referência: Regulamento. Norma 31/94 Port. MC 1.278/94 - DOU 30.12.1994; Lei nº 9.472, de 16.07.1997; Anexo à Resolução nº 449, de 17.11.2006 - Regulamento do Serviço de Radioamador). O radioamadorismo, assim, é uma atividade que visa ao desenvolvimento técnico das pessoas interessadas em radiocomunicações, através da pesquisa e do aprimoramento de conhecimentos dos seus usuários. É assim também que o radioamadorismo colabora para o progresso e o bem-estar da humanidade, por intermédio das inúmeras descobertas, nos campos das telecomunicações e da eletrônica, que tem legado em benefício da coletividade. O radioamadorismo também tem inestimável valor para o país em tempos de emergências, de desastres naturais, como inundações, epidemias, na paz e como elemento militar, na guerra. É um passatempo nobre.

O QUE É RADIOAMADOR?

É a pessoa habilitada a exercer as atividades previstas para o Serviço de Radioamador, como este é definido pela legislação brasileira. Não confundir estação ou equipamento de radioamador com o executante do serviço. Assim, está incorreto dizer-se: “vou instalar um radioamador”, ou “vou comprar um radioamador”. O certo é “vou instalar ou vou comprar uma estação (ou um equipamento) de radioamador”. O radioamador é uma pessoa útil à sociedade. Em muitas oportunidades é o principal e as vezes, o único meio de comunicação disponível nas emergências.

COMO TUDO COMEÇOU

Os passos iniciais do radioamadorismo confundem-se com o próprio alvorecer do rádio, ou, como era chamado na época, do TSF, Telégrafo Sem Fio. Tudo começou com o físico escocês James Clerk Maxwell (1831-1879) que, em 1864, previu a existência das ondas de rádio, através de equações matemáticas que se tornaram célebres. Em 1888, o físico alemão Heinrich Rudolf Hertz (1857-1894) comprovou, na prática, que tais ondas realmente existiam. Hertz foi o primeiro a construir um instrumento chamado oscilador, capaz de gerar ondas eletromagnéticas. Trata-se de um instrumento formado por dois condutores retilíneos, em cujas extremidades há duas esferas. As ondas elétricas são chamadas de hertzianas em sua homenagem. Mais ou menos à mesma época que Hertz, o italiano Guglielmo Marconi (1874-1937) realizou, em 1895, no mês de setembro, sua primeira experiência de transmissão e recepção de sinais de telegrafia, por ondas eletromagnéticas, criando o telégrafo sem fio.

No Brasil, já em 1893, portanto muito antes de Marconi, o ilustre inventor gaúcho Padre Roberto Landell de Moura (1861-1928) realizava demonstrações públicas inéditas de transmissão de mensagens à distância, em fonia e em telegrafia, por ondas eletromagnéticas e ondas luminosas, com aparelhos de sua invenção, do alto da Avenida Paulista para o alto de Sant’Ana, numa distância aproximada de uns oito quilômetros em linha reta, na capital paulista. Marconi somente transmitia em telegrafia. Por seu pioneirismo, o Padre Roberto Landell de Moura foi eleito pela LABRE - Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão, em reunião realizada em Brasília, no dia 25 de setembro de 1981, como o “Patrono dos Radioamadores do Brasil”. Na história do radioamadorismo brasileiro, destacamos o fluminense, natural de São João da Barra, Lívio Gomes Moreira, detentor dos indicativos de chamada BZ-1M, depois SQ-1, Sb-3IG e posteriormente PY5AG e o engenheiro Carlos Gooda Lacombe, detentor dos indicativos de chamada Sb-1AC, posteriormente PY1AC, que foram os radioamadores a realizarem a primeira comunicação rádio-telegráfica. Este primeiro contato ocorreu em uma tarde de outubro de 1909, às 17 horas. O equipamento utilizado por Lívio Gomes Moreira foi construído por ele próprio, ao qual deu o nome de “espirocheta”. Realmente tratava-se de complicado conjunto de três “andares”. O engenheiro Carlos Gooda Lacombe também montou seu primeiro rádio-receptor de ondas curtas.

Lívio Gomes Moreira, em 1909, na cidade de Curitiba, no Paraná, dedicava-se à construção de transmissores e receptores caseiros para a demonstração da “nova invenção de telegrafia sem fio”. A partir das experiências de Lívio Gomes Moreira, fica comprovado que a descoberta do rádio estava ao alcance de todos, podendo ser experimentada por amadores curiosos, mesmo os desprovidos de grandes recursos técnicos e financeiros. Não demora muito e centenas de pessoas se integram à nova atividade. A 1º de dezembro de 1925, após a regulamentação do Decreto nº 16.657, de 5 de novembro de 1924, sancionado pelo então Presidente da República Arthur Bernardes, que disciplinava as estações de radioamadores existentes no Brasil, tirando-as da clandestinidade, Lívio Gomes Moreira conseguiu um comunicado com outro radioamador brasileiro, Humberto Silva - Bz-1A, de Nilópolis, Estado do Rio de Janeiro. Essa comunicação ocorreu após uma vigília de cerca de dez noites consecutivas, com intermináveis chamados (CQ), culminando com a audição fraquíssima dos sinais de Morse (CW) de seu colega fluminense. A estação de Lívio Gomes Moreira alcançou rápido progresso, conseguindo ele, ainda no mesmo ano, mais vinte e quatro comunicados com as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Santos e Niteroi. Seu primeiro comunicado a grande distância (DX) ocorreu no dia 18 de janeiro de 1926, com um radioamador argentino (DK-1), de Bahia Blanca. Roberto Landell de Moura, Guglielmo Marconi, Lívio Gomes Moreira, Carlos Gooda Lacombe e todos os outros que ajudaram a descobrir o mundo das radiocomunicações foram, na verdade, radioamadores. Imbuídos do mais genuíno espírito da pesquisa, do interesse pela experimentação, construíram as bases, não só da atividade radioamadorística, mas também do fascinante mundo das telecomunicações modernas.
Os radioamadores e o rádio surgiram simultaneamente.

TEMPOS DIFÍCEIS

Importante salientar as dificuldades existentes na época em nosso país que os pioneiros radioamadores tiveram que enfrentar, pois era proibido instalar-se antena ligada a um simples receptor de galena! Esse "crime" redundava em apreensão do material e prisão do seu possuidor! Mesmo assim, aqueles moços de então, pioneiros amadores, não se deixaram abater, porque acreditavam (e não se enganaram) nos dias vindouros em que o campo das experiências ficariam totalmente livre aos estudiosos. E assim foi. Carlos Gooda Lacombe, ao embarcar em viagem de férias para a Europa, vários colegas (companheiros das "criminosas experiências") foram se despedir dele. Ali também estava o então Diretor dos Telégrafos, e o engenheiro Carlos Gooda Lacombe aproveitou para uma investida: "O Sr. está vendo aquele grupo? São todos experimentadores de rádio. São, como eu, clandestinos e por tal perseguidos pelas autoridades. Não fazem nada de mal, muito ao contrário, estudam rádio e procuram desenvolver conhecimentos técnicos úteis ao País. Por que essa perseguição?" Admirado de ver a quantidade de "clandestinos" o Diretor dos Telégrafos disse ao Eng. Carlos Lacombe que assim que regressasse da viagem fosse procurá-lo. Apesar disso, somente dois anos depois do regresso o Eng. Carlos Gooda Lacombe e seus companheiros obtiveram permissão para continuar suas experiências. Diante dessa semi-oficialização, dada em caráter particular pelo Diretor dos Telégrafos, passaram a usar prefixos que eles mesmos se outorgavam e, à proporção em que novos adeptos surgiam, os colegas indicavam o prefixo a usar.

Entre os colegas do Eng. Carlos Gooda Lacombe estavam Lívio Gomes Moreira (Bz-1M, SQ-1, Sb-1IG e PY5AG), Eng. José Jonotskoff de Almeida Gomes (Bz-1AA, Sb-1AA e PY1AA), Walter Freire, Jorge Novais Banitz, Leonardo V. Jones Júnior (Sb-2AA), Dr. Henrique Dolbert Lucas, João Ramos Baccarat (Sb-2AJ), Carlos Baccarat (Sb-2AK), etc. Daí, sentiram a necessidade de se constituírem em um clube que pudesse representá-los perante as autoridades dos Telégrafos, a quem deviam a inicial autorização, sendo então fundado um grupo em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, portanto, duas sociedades de radioamadores. Posteriormente, por conveniências próprias, houve a fusão numa só entidade que manteve o nome da primeira a ser fundada em São Paulo, que é a atual LABRE - Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão. Por ocasião da memorável assembléia dos radioamadores, ocorrida a 2 de fevereiro de 1934, no Rio de Janeiro-RJ, quando se processou a fusão da Rede Brasileira de Radioamadores com a Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão, fundando a atual LABRE, o Eng. Carlos Gooda Lacombe foi quem apresentou a chapa da diretoria, que foi vitoriosa, aprovada por unanimidade, eleita por aclamação. Carlos Lacombe disse na ocasião que encontrava-se ali com a missão de apresentar a chapa, organizada de comum acordo com o máximo critério por comissões especiais da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão e da Rede Brasileira de Radioamadores, a qual deveria gerir os destinos da nova LABRE. Em 17 de abril de 1925, o engenheiro Carlos Gooda Lacombe, na França, em Paris, representou o Brasil na memorável reunião plenária, sob a presidência do Sr. Edouard Belim, presidente do Rádio Clube Francês, com a presença de 22 delegados representando seus países, quando foi aprovado, por unanimidade, o Estatuto da International Amateur Radio Union - IARU.

UMA INFINIDADE DE OPÇÕES

Os radioamadores podem utilizar diversas técnicas para a transmissão e recepção de sinais radioelétricos através de suas estações. Como podem ser estas estações? As configurações são muitas, de acordo com os interesses específicos de cada usuário. Podem ir desde as estações com sofisticados transceptores (transmissor e receptor conjugados), de procedência industrial, auxiliados por computadores e acessórios diversos, até estações com pequenos transmissores montados em latas vazias de goiabada, construídos na bancada dos apreciadores das montagens caseiras, ou então dos apreciadores da operação em baixas potências. Os radioamadores também podem instalar e utilizar estações não só em seus respectivos domicílios, mas também em automóveis, barcos, aeronaves, etc. Até em balões dirigíveis é possível instalar estações de radioamador! Podem operar em qualquer parte do território nacional e, em casos especiais, com a devida licença, emitida pelo país visitado, também no exterior. Eis algumas das modalidades de comunicação que podem ser empregadas pelos radioamadores: Telefonia (Fonia) - comunicação por voz, em AM, FM e SSB; Telegrafia (CW) - forma de comunicação através de sinais do Código Morse; Paket Radio - modalidade onde o radioamador busca um melhor aperfeiçoamento técnico e se integra a atividades diversas como o envio e recebimento de mensagens, boletins específicos ou gerais e pessoais, utilização e elaboração de programas, comunicação com BBS, enlace a distância via Nodes, comunicação com a Internet; SSTV (Do inglês Slow-Scant TV) - transmissão e recepção de imagens pela televisão de varredura lenta, através de computador e do aparelho do radioamador; RTTY (Símbolo do radio teletype) - transmissão e recepção de sinais de telex ou rádio-teletipo; comunicação via satélites, inclusive um satélite artificial radioamadorístico foi projetado e lançado pelo ilustre radioamador brasileiro Júnior Torres de Castro - PY2BJO, paulista de Botucatu, que construiu com recursos próprios, o primeiro satélite artificial com fins educativos e humanitários, o Dove (pomba em inglês), colocado no espaço pela empresa francesa Ariane Espaciale. O satélite falante na forma de um cubo de 23 centímetros e dez quilos de peso, foi lançado da Base Espacial de Kourou, em Caienna, na Guiana Francesa, a bordo do foguete Ariane 4, às 21h30min do dia 21 de janeiro de 1990. Para a prática destas modalidades, os radioamadores dispõem ainda de uma grande variedade de faixas de freqüências para a operação de suas estações, desde a assim chamada banda de 160 metros, em torno de 1.800 KHz, até a banda de 1,4 centímetro, de 24 a 24,25 GHz!

É importante, contudo, frisar que a exploração das diversas faixas de freqüências reservadas ao Serviço de Radioamador, bem como a execução desta ou daquela modalidade de comunicação radioamadorística, deve atender sempre, rigorosamente, aos regulamentos e às normas existentes para a atividade. No Brasil, estas determinações são baixadas - e atualizadas regularmente - pelo Ministério das Comunicações, seguindo as diretrizes governamentais estabelecidas para o setor e seguindo também as convenções internacionais sobre radiocomunicações. São estas imposições legais que determinam, igualmente, que o conteúdo dos comunicados mantidos pelos radioamadores nunca pode abranger, por exemplo, assuntos de natureza comercial, religiosa, política ou qualquer outro tema que possa gerar controvérsia.

A IMPORTÂNCIA DO RADIOAMADORISMO

O radioamadorismo é responsável, desde o seu surgimento, por importantes descobertas legadas à humanidade. Foi graças à colaboração prestada por radioamadores que se consolidou, por exemplo, a utilização do Código Morse nos primeiros anos da telegrafia sem fio, ou que se conheceu o comportamento dos sinais de rádio em freqüências “acima de 200 metros”, isto é, nas bandas que hoje conhecemos como ondas curtas. O mesmo aconteceu com o pioneirismo dos radioamadores na exploração das freqüências de VHF, no ensaio de novos tipos de antenas, no estudo dos fenômenos de propagação em UHF, bem como no auxílio ao desenvolvimento de novas técnicas de transmissão, como o SSB, hoje de utilização rotineira nas comunicações a médias e longas distâncias. Pouca gente sabe, mas os radioamadores também foram igualmente pioneiros na utilização de satélites de comunicações, lançando, em dezembro de 1961, o OSCAR 1 (sigla de Orbiting Satellite Carrying Amateur Radio), até o OSCAR 3, o primeiro satélite ativo de comunicações, colocado em órbita em março de 1965, várias semanas antes do Early Bird, o primeiro satélite comercial. Atualmente, vários satélites, construídos e operados por radioamadores de vários países, encontram-se em funcionamento no espaço.

O QUE É NECESSÁRIO PARA TORNAR-SE RADIOAMADOR?

Basicamente, podem habilitar-se como radioamadores os cidadãos brasileiros natos ou naturalizados maiores de 10 anos de idade, bem como os portugueses. A execução do Serviço de Radioamador também pode ser autorizada a radioamadores estrangeiros, após encaminhamento da documentação adequada e desde que haja reciprocidade de tratamento em seus países de origem. O Certificado de Operador de Estação de Radioamador é o documento que comprova a aptidão do seu titular em executar o serviço operando estações de radioamadores, nas faixas atribuídas à classe nele especificada. O Certificado de Operador de Estação de Radioamador é emitido aos aprovados em exames de habilitação ao Serviço de Radioamador, exames estes realizados periodicamente pela ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações, órgão vinculado ao Ministério das Comunicações. No Brasil existem, na atualidade, três classes de habilitação à execução do Serviço de Radioamador: A, B e C. O nível de conhecimento necessário para a aprovação em cada exame varia de acordo com a classe de habilitação pretendida pelo candidato.  De uma forma geral, a classe C, por exemplo, reúne os estreantes no radioamadorismo. Para esta classe, o exame de habilitação é mais simplificado. Já para a promoção à classe A é necessária, além da aprovação no respectivo exame, também a comprovação de um ano de habilitação, no mínimo, como radioamador classe B.

A Licença de Estação de Radioamador é o documento que autoriza a instalação da estação do Serviço de Radioamador, dentro dos limites de freqüência e potência impostos à classe para a qual o radioamador responsável pela mesma está habilitado. A Licença de Estação de Radioamador, fornecida pela ANATEL, também é outorgada às associações de radioamadores, universidades e escolas, bastando o encaminhamento de um requerimento em modelo próprio e o recolhimento das devidas taxas.

MUITO MAIS QUE UM PASSATEMPO

O radioamadorismo é muito mais que um simples passatempo científico. Os radioamadores prestam valiosos serviços às comunidades onde vivem, especialmente nas situações de calamidades públicas, quando falham os meios normais de comunicações, nas situações de emergência, em operações de busca e salvamento, etc. Os radioamadores também são responsáveis por muitas descobertas que contribuíram e contribuem diretamente para o desenvolvimento das telecomunicações, de enorme importância no mundo moderno, graças às pesquisas técnicas e ao espírito prospectivo que está impregnado na própria atividade, desde o seu surgimento. Os radioamadores são esses bandeirantes do éter que rasgam os espaços e penetram em todos os cantos, plantando em cada pouso a semente da concórdia e fazendo-se presentes nas maiores conquistas do saber humano e nas menores dores do seu semelhante. os matizes das condições sociais ou econômicas, das condições étnicas ou religiosas, o radioamador é sempre igual, nem inferior, nem superior. O radioamadorismo nivela todos, magistrados, militares, astronautas, funcionários, nacionais de qualquer categoria.

A diferença de línguas e raças, de credos políticos e religiosos, de cor e de condição social, não constituíram e não constituem obstáculos para que se considerem irmãos, prontos para o atendimento numa emergência, um carinho na desventura, uma palavra de afeto num transe doloroso, o socorro técnico no isolamento, a esperança na desgraça. Os radioamadores estão sempre unidos em torno dos ideais da fraternidade, formam o maior clube leigo de serviços, o contingente dinâmico dos que agem como pensam, fiéis a si mesmos, úteis ao próximo, servis da Pátria e servidores da Humanidade, artífices de uma ordem fundada no trabalho, na compreensão, na solidariedade e no exemplo. Na verdade são uma comunhão jovial de homens de boa-fé e de boa-vontade, em constante estado de graça com o mundo que os envolve, e do qual se sentem o próprio centro, quando operando em DX, na instantaneidade que o SSB os propicia, da presença simultânea dos sinais que transmitem e recebem (irradiam) em várias latitudes. É fora de dúvida, portanto, que a finalidade do Radioamadorismo colima sempre uma boa causa, sem dela fazerem alarde. Por isso mesmo, dentro da sinceridade e da limpidez com que se ornam as boas causas, as manifestações do pensamento humano, traduzindo os sentimentos sadios dos seus batalhadores, varam os anos e chegam a posteridade.

Os radioamadores foram os pioneiros nas telecomunicações. Eles ajustavam e experimentavam, tentavam isso e aquilo, sempre com o propósito de aumentar o alcance da comunicação ou a eficiência do equipamento. Os radioamadores foram os primeiros a demonstrar a grande utilidade das ondas curtas e foram também os pioneiros no uso do espectro das ondas de VHF e UHF. Foram os primeiros a projetar praticamente os equipamentos de transmissão e recepção, empregando válvulas à vácuo e contribuíram bastante para a pesquisa da radiopropagação. Foram os primeiros a abolir completamente as transmissões empregando faísca e também a utilizar a telegrafia. O radioamadorismo tem sido uma verdadeira câmara de compensação de idéias, e um campo de provas para quase todos os grandes projetos técnicos e operacionais no campo da radiocomunicação. O radioamadorismo, desde o princípio, ganhou destacada reputação por facilitar as comunicações durante as emergências, ou quando os outros meios falham ou estão sobrecarregados. Os anais da história do radioamadorismo contém um impressionante relatório das várias emergências, catástrofes, epidemias e tantos outros fatos, nos quais os radioamadores, com habilidade e devoção, e até mesmo com o sacrifício pessoal, serviram às suas comunidades e trouxeram recursos rápidos àqueles que necessitavam. Grandes dificuldades foram atenuadas e milhares de vidas e propriedades valiosas foram salvas por seu esforço. Os radioamadores consideram essa assistência um DEVER e estão sempre pronto para SERVIR a humanidade.           

DIA DO RADIOAMADOR

A fixação de 5 de novembro como o DIA DO RADIOAMADOR foi em razão de que, nesta data, no ano de 1924, o Diário Oficial da União publicou o Decreto nº. 16.657, sancionado pelo então Presidente da República Arthur Bernardes, que regulamentava as estações de radioamadores existentes no Brasil. O referido Decreto, resultado de uma campanha que o radioamador Edgard Roquette-Pinto (1AG) vinha fazendo pelo livre exercício da radiofonia, foi baixado tendo em vista a representação feita no ano de 1923, pela Academia Brasileira de Ciências, reconhecendo a existência do radioamadorismo no Brasil, tirando-o da clandestinidade.