Artigos sobre Radioamadorismo

O QUE É RÁDIO EM ONDAS CURTAS ?

O QUE É RÁDIO EM ONDAS CURTAS ?

O QUE SÃO AS ONDAS CURTAS ?

Dentre as muitas faixas de radiodifusão estão as ondas curtas. Elas têm características especiais de propagação e, por isso, são utilizadas para transmissões a longa distância. Uma freqüência em ondas curtas é determinada em MHz, e a faixa em que essa freqüência aparece é medida em metros. Atualmente, as ondas curtas estão classificadas em faixas de metros, que são as seguintes: 11, 13, 16, 19, 25, 31, 41, 49 metros e as tropicais de 60, 75, 90 e 120 metros. Essas faixas são utilizadas segundo um mapa de zonas, aferido na Conferência Mundial Administrativa de Rádio, elaborado pela última vez em 1979, e que entrou em vigor a partir de 1983. As faixas de 60, 75, 90 e 120 metros, por exemplo, somente são utilizadas por países que ficam entre os trópicos de Capricórnio e de Câncer, por isso são chamadas informalmente de tropicais. Esse mapa de zonas foi dividido em três regiões: região 1, que compreende a Europa e a África; região 2, que são as Américas do Sul, Central e do Norte; região 3, que engloba a Oceania e uma parte da Ásia.

Uma prova de que a radiodifusão em ondas curtas é uma saída simples e viável nas comunicações é a abertura da faixa de 22 metros, que muitas emissoras norte-americanas já começaram a utilizar. As faixas de 49 e 41 metros são apropriadas para emissões de curtas distâncias, porém, à noite, as emissoras que transmitem nessas faixas podem alcançar maiores distâncias. Já no outono e inverno podem alcançar distâncias maiores ainda, principalmente ao cair da tarde, quando já não há mais atividade solar. A faixa de 31 metros é uma das mais utilizadas. Não há emissora potente que não tenha uma freqüência nessa faixa. Isso, às vezes, torna os 31 metros sobrecarregados, com emissoras causando interferências umas às outras. A faixa de 31 metros dá uma excelente recepção para um sinal que é transmitido a uma distância de mais de 3 mil quilômetros. Outra faixa que é bastante utilizada pelas emissoras é a de 25 metros. A sua recepção é boa para distâncias médias. Durante o verão, especialmente à noite, pode alcançar grandes distâncias. Já a faixa de 19 metros é excelente a partir do pôr-do-sol, e até consegue boas distâncias nas últimas horas da manhã. Por sua vez, a faixa de 16 metros funciona bem durante a primavera e o outono, sendo sensível a qualquer condição atmosférica nas demais estações do ano.

As outras duas faixas de ondas curtas, de 13 e 11 metros, são totalmente dependentes das atividades das chamadas manchas solares, que podem silenciá-las até por algum tempo. No Brasil e na América Latina nenhuma emissora se aventurou a transmitir nessas faixas. Já na Europa as principais emissoras não tiveram dúvidas em utilizá-las. A prova disso é que a Rádio Vaticano mantém há muito tempo um programa em português destinado aos ouvintes brasileiros no exótico horário de 10 horas da manhã, na faixa de 13 metros. Elas podem alcançar grandes distâncias. As outras faixas de ondas curtas, chamadas informalmente de tropicais, de 60, 75, 90 e 120 metros, são utilizadas para pequenas distâncias. Sua recepção pode melhorar depois do pôr-do-sol e ao amanhacer, podendo chegar até a mil quilômetros. Essas faixas são utilizadas por grande parte dos países do Terceiro Mundo, como Bolívia, Brasil, Peru e diversos países africanos. No Brasil, a faixa mais utilizada é a de 60 metros. Atualmente mais de sessenta emissoras brasileiras utilizam essa faixa, ocorrendo, inclusive, interferências porque muitas emitem numa mesma freqüência, como é o caso de 5.015 kHz, onde funcionam as rádios Cultura, de Cuibá-MT, Copacabana, do Rio de Janeiro-RJ, Pioneira, de Teresina-PI e Marimoto, de Ji-Paraná-RO.

AS PRIMEIRAS EMISSÕES EM ONDAS CURTAS.

As primeiras transmissões em ondas curtas surgiram no ano de 1927. E o pioneirismo foi da PHOHI (Philips Omroep Holland India), prefixo PCJJ, que transmitia na freqüência de 9.590 MHz, na faixa de 31 metros, diretamente da cidade de Eindhoven, Holanda. Os primeiros programas foram apresentados no mês de março. Durante a semana eram irradiados em holandês e, aos domingos, era apresentado um programa em vários idiomas, chamado de Happy Station, comandada por Edward Startz, que depois ficou conhecido como o “Senhor Ondas Curtas”. Inicialmente as transmissões eram destinadas às Índias Orientais Holandesas (atualmente Indonésia); no entanto, o sucesso de Happy Station foi tanto que acabou sendo sintonizado em outros lugares. O “Senhor Ondas Curtas” apresentou o programa até 1970, quando se aposentou. Em seguida, Happy Station foi transformado em La Estación de la Alegria e é apresentado até hoje, por Tom Meijer, no serviço espanhol da Rádio Nederland. Depois do pioneirismo da Holanda, foi a vez da Alemanha, em 1930, testar transmissores em ondas curtas. Foram feitas algumas transmissões destinadas aos Estados Unidos e Argentina, porém, só dois anos depois é que os transmissores alemães operaram em definitivo. Também em 1932, o Reino Unido, por intermédio do BBC Imperial Service, começou a emitir em ondas curtas em inglês, sendo seguida, ainda no mesmo ano, pela Rádio Roma, da Itália, que começou a transmitir em vários idiomas.

Em 1938, a BBC de Londres começou a transmitir em outros idiomas. Primeiro em árabe, depois em alemão, francês, português e espanhol. Um ano depois, no início da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha já possuía dez transmissores de 50 kW transmitindo em seis línguas. A Itália já transmitia em dezoito idiomas, e a então União Soviética em nada mais nada menos do que sessenta idiomas. Cinco anos mais tarde, a Alemanha já contabilizava mais de doze transmissores, com alguns chegando a ter a potência de 120 kW. Nessa mesma época, a BBC de Londres já transmitia em 43 línguas.

EMISSORAS PIRATAS OU CLANDESTINAS

No domingo de Páscoa de 1964 um navio zarpou da Irlanda para o Mar do Norte, mudando o curso da história do rádio. Foi assim que surgiu a Rádio Caroline, a mais antiga rádio pirata da Europa. Tudo começou quando Roanan O’Rahilly deixou a sua terra natal, Dublin, em 1961, com 21 anos, atraído pelo cenário da música pop de Londres. Ele era agente de jovens artistas, mas como encontrou as rádios da época fechadas para aqueles que não pertenciam ao cartel das gravadoras, decidiu criar sua própria rádio. Com um empréstimo de 250 mil libras, comprou um antigo navio holandês de porte médio para o transporte de passageiros e partiu para Greennore, um estaleiro a cem quilômetros de Dublin, que pertencia a seu pai. Em 1964, o navio estava renovado, equipado com transmissores de rádio e rebatizado de Caroline, em homenagem à filha do primeiro presidente católico dos Estados Unidos, John Kennedy, que tinha origens irlandesas. Em 1966, a emissora teve que sair das águas britânicas e passou a operar no Mar do Norte, onde permanece até hoje.

O exemplo do Caroline foi seguido pelas Rádios Verônica e Mi Amigo, outras emissoras que surgiram na mesma época. O nome “pirata”, que se dá às emissoras clandestinas, vem dessas três primeiras, por estarem sempre operando dentro de um navio em águas internacionais. Nas ondas curtas, as emissoras passaram a ser chamadas, também, de clandestinas. Isso se deve ao fato de estarem nas mãos de grupos políticos, religiosos ou econômicos que são declarados ilegais por determinados países. Até 1989, quando a derrubada do Muro de Berlim terminou com a chamada Guerra Fria, dezenas de países lutavam contra grupos políticos que utilizavam a guerrilha e uma estação de rádio para tentar derrubar o grupo político que estava no poder. Angola e El Salvador são exemplos clássicos onde isso aconteceu. Há pouco tempo os governos dessas nações conseguiram fazer um acordo com as guerrilhas, o que determinou o fim da Rádio A Voz da Resistência do Galo Negro, que estava a serviço da Unita, e a Rádio Farabundo Marti, que lutava através do sinal de rádio contra o governo do presidente Alfredo Cristiane. E, dessa forma, muitas outras emissoras clandestinas acabaram sucumbindo em diversos países do Terceiro Mundo.

Os outros dois propósitos que fazem com que determinado grupo utilize uma emissora clandestina, o religioso e o econômico, ainda persistem, principalmente no mundo árabe e em relação a Cuba, onde o propósito econômico também pode ser de natureza política. Um exemplo de país em que o dial de ondas curtas se vê invadido por estações clandestinas tentando passar mensagens religiosas é o Irã. Diversas facções utilizam o rádio. Num rastreamento feito por radioescutas em 1987, foram captadas as seguintes emissoras: Rádio Iraniana do Trabalhadores, Voz da Libertação do Irã, Rádio Nacional do Irã, Voz do Partido Comunista do Irã, Voz Livre do Irã, Voz do Curdistão Iraniano e Rádio Irã. Com relação a Cuba, numa pesquisa feita por radioescutas, também em 1987, foram relacionadas as seguintes estações que trabalham contra o regime de Fidel Castro: Radio Camilo Cienfuegos, Radio Libertad Cubana, Radio Caimán, Radio Soberania Nacional, La Voz de Alpha 66, Radio Antorcha Martiana e Radio Mambí, que é uma emissora de Miami, legalizada pelo governo norte-americano em 710 kHz, que não deixa de ter uma programação clandestina em relação a Cuba. A grande sensação que puxa essas emissoras contra Cuba, no entanto, é a Radio Martí, que foi instalada em 1986 para combater Fidel Castro e seu governo. Ironicamente a emissora recebeu o nome de um dos maiores líderes de Cuba.

O HOBBY DO DEXISMO

Escutar uma emissora em ondas curtas se chama “DX”: “D” de distância e “X” de desconhecida. O hobby é pouco divulgado no país, mas os clubes de radioescutas que existem são extremamente organizados. Para praticar o dexismo é necessário ter um bom receptor de ondas curtas, uma antena externa razoável, calma e paciência para embarcar em viagens fascinantes. Os clubes auxiliam os iniciantes no hobby enviando todo tipo de material, como endereços, horários e freqüências de emissoras. Outro material fundamental para o radioescuta é o World Radio and TV Handbook - WRTH, considerado a bíblia dos dexistas, porque traz todas as informações possíveis sobre emissoras do mundo inteiro. Algumas publicações que tratam do assunto. A maioria vem de outros países. - World Radio TV Handbook - Considerado o manual oficial para ouvintes das ondas curtas. Traz informações sobre freqüências, horários e endereços de emissoras de rádio e televisão de todo o mundo. Endereço: P. O. Box 88, DK-2650, Hvidovre, Dinamarca. - Radio Database International - Outro guia do mundo do rádio. É publicado nos Estados Unidos. Endereço: Casilla 1844, Asunción, Paraguai. - International Listening Guide - Informa sobre programas específicos e noticiários, além de horários de transmissões. Endereço: Samtholz 1, D-3579, Frielendorf, Alemanha. - An Introduction to Amateur Radio Dxing - Boletim com informações gerais sobre as ondas curtas. É publicado pelo Australian Radio DX Club. Endereço: P. O. Box 227, Box Hill, Victoria, 3128, Austrália. - International Broadcasting Handbook - Traz informações sobre as emissões em ondas curtas e radiodifusão em geral. Endereço: Merianstrasse 2, D-3588, Homberg, Alemanha. - L’Écoute du Monde - Revista publicada bimestralmente pelo Club Amitié Radio. Apresenta artigos e curiosidades das ondas curtas. Endereço: Boite Postale 56, 94002, Créteil, França. - Tropical Bands Survey - Publicação que aborda especificamente a radiodifusão nas chamadas ondas tropicais. Endereço: DK-2670, Greve Strand, Dinamarca.