Artigos sobre Radioamadorismo

PRATICAR RADIOAMADORISMO

PRATICAR RADIOAMADORISMO

A comunicação passou por diversos estágios (sinais luminosos, fogueiras, sinais alfabéticos, pintura, gravura, gestual, dança, som, escrita) que através dos milênios vêm se aprimorando e preenchendo demandas diversas que vão além da satisfação das necessidades básicas. É o exemplo do comunicar para ampliar conhecimentos; para ir através da escrita e do som aonde muitas vezes o corpo não consegue chegar; para satisfazer-se através de meios de comunicação que fascinam e estimulam por serem intrinsecamente repletos de mistério e surpresa. Quem, desde a infância, não sonhou em ter contato com outras civilizações, com pessoas do outro lado do mundo, com cultura e língua diferentes? Quem não desejou escrever para alguém, sem saber ao certo a quem e, desta pessoa desconhecida, receber uma resposta? Muitos de nós.

Mensagens em garrafas lançadas ao mar e cartas para Papai Noel fizeram parte do imaginário de muitas crianças. E quantas delas não levaram o desejo tão a sério que, de fato, realizaram as suas vontades? Adultos também têm desejos como estes. E isso se confirma pela quantidade de pessoas inscritas em sites de penfriend ou penpal (amigos por correspondência) e pelos inúmeros adeptos ao radioamadorismo. O radioamadorismo, nosso enfoque neste artigo, é um hobby compartilhado por pessoas de todas as idades e nacionalidades. Com diversas modalidades, os radioamadores podem usar este meio de comunicação tanto para um bate-papo informal, quanto para contactar órgãos de Defesa Civil em situações críticas.

Através da estação de radiocomunicação, que é composta de um transceptor (transmissor-receptor), de uma linha de transmissão e da antena propriamente dita, os usuários podem comunicar com qualquer outra pessoa em qualquer lugar do planeta. A aquisição de uma estação de radioamador segue as normas estabelecidas pelo país de origem do operador. Os usuários são habilitados por órgãos competentes a operar uma estação de rádio nas freqüências delimitadas, no Brasil, pela ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações, em Portugal, pela ANACOM - Autoridade Nacional de Comunicações, seguindo padrões mundiais da União Internacional de Telecomunicações - UIT, que não permitem a operação para fins comerciais, políticos, raciais, religiosos, assim como fazer uso de palavras obscenas e ofensivas. As penalidades para os usuários que infringirem as normas estabelecidas vão desde multas até cassação da permissão de operador da Estação de Radioamador.
O Serviço de Radioamador é modalidade de serviço de radiocomunicações, destinado ao treinamento próprio, à intercomunicação e a investigações técnicas, levadas a efeito por amadores devidamente autorizados, interessados na radiotécnica a título pessoal, que não visam qualquer objetivo pecuniário ou comercial ligado à exploração do serviço, inclusive utilizando estações espaciais situadas em satélites da Terra.

A permissão para execução do Serviço de Radioamador é intransferível e será outorgada ao titular do Certificado de Operador de Estação de Radioamador; a pessoas jurídicas, como Associações de Radioamadores, universidades e escolas. A importância do radioamadorismo em tempos de crise, por exemplo, é enorme. Quando tudo falha, quando os satélites são bloqueados em casos de guerra, o radioamador está pronto para colocar sua estação para funcionar em prol da sua pátria, independente de energia elétrica ou de redes públicas. O sistema de radioamador funciona com a utilização de ondas de rádio como meio de propagar as mensagens e estabelecer a comunicação. No caso de Estação Repetidora, o sistema recebe sinais de onda fracos ou de baixa altitude e os retransmite de um local mais alto ou de maior potência. Através do repetidor, o sinal pode ser transmitido para maiores distâncias sem, contudo, perder a qualidade.

Muitos se aprofundam neste universo encantador, estudando temas complexos, tais como propagação de ondas no espaço, reflexão ionosférica (reflexão das ondas em uma camada altamente ionizada da atmosfera terrestre, que tem, aproximadamente, de 40 km a 700 km de altitude), reflexão lunar e espectro de radiofreqüência em geral. De acordo com dados estatísticos, até o ano de 2004 havia espalhados pelo mundo inteiro mais de três milhões de radioamadores, sendo 50% deles sedeados nos Estados Unidos. As radioamadoras são raras. Elas devem representar, atualmente, cerca de 15% do total de radioamadores no mundo. E foi com muito orgulho que a comunidade de Fernando de Noronha festejou, no dia 15 de junho, a chegada da tocha do PAN 2007. Moradores, visitantes, brasileiros e turistas estrangeiros, e muitos jornalistas acompanharam o percurso da tocha, que teve seu ponto final no alto do Forte dos Remédios. O motivo maior da celebração foi o fato da tocha ter sido levada, num dos trechos, pelas mãos de Adriana Sampaio - PU0FNI, uma radioamadora brasileira, que representou as mulheres atletas da Ilha. Adriana Sampaio, a “Morena”, foi a radioamadora que transportou a tocha do PAN em Fernando de Noronha. Algumas modalidades deste hobby científico utilizam o Código Fonético Internacional e o Código Internacional de Sinais, chamado de Código Q, para estabelecer a comunicação. Estes códigos foram aprovados em 21 de dezembro de 1959, na Convenção Internacional de Telecomunicações, realizada em Genebra.

O Código Q tem a função de simplificar a compreensão da informação e otimizar a comunicação dos operadores em qualquer idioma pela substituição das principais mensagens por um conjunto de três letras, sempre iniciadas pela letra Q. Ambos os códigos são usados tanto pelos usuários civis, quanto pelos militares no exercício de suas funções. Uma outra curiosidade sobre o radioamadorismo são os Cartões QSL. Tratam-se de cartões que os radioamadores trocam após um primeiro contacto, com o objetivo de registrar o contacto, também chamado de QSO. No cartão estão os dados do radioamador que o envia (nome, endereço, e-mail, telefone, etc), indicativo de chamada da sua estação e da qual ele fez o contacto, data, hora (utilizando sempre o horário UTC), frequência, modalidade de emissão que usou (AM, SSB, VHF, CW, etc) e reportagem do sinal da estação do colega (RST), registrando o contacto (QSO). Aconselha-se também que no cartão QSL haja espaço para indicar o equipamento que o radioamador usa, tipo de antena e microfone utilizado no contacto e outro espaço em branco para suas observações finais.