Artigos sobre Radioamadorismo

UM HOBBY NÃO SÓ PARA HOMENS

UM HOBBY NÃO SÓ PARA HOMENS

Por ALDA SCHLEMM NIEMEYER - PP5ASN

O Radioamadorismo é realmente um hobby reconhecido mundialmente. Como para dirigir um carro é necessário uma licença, o radioamador precisa de uma licença para fazer funcionar sua estação de rádio. Ele consegue esta licença na ANATEL, prestando exames de legislação, técnica e ética operacional, radioeletricidade e telegrafia (recepção e transmissão). E, parecido com o número que identifica o carro, o radioamador recebe um indicativo de chamada. Este se compõe de letras e números. As primeiras letras identificam o país do radioamador. O Brasil, por exemplo, tem o prefixo “PY”, subdividido, conforme o estado ao qual pertence o radioamador, em PP, PQ, PR, PS, PT, PV, PW, etc. O número que segue estas letras indica a região militar à qual pertence e estado da federação. As duas ou três letras depois do número são as características do radioamador. Assim personalizado, cada indicativo existe apenas uma vez no mundo. O radioamador tem várias maneiras de se comunicar: em telegrafia, isto é, em código morse (CW); em telefonia, falando; em rádio-pacote, SSTV, RTTY e outros sistemas de comunicação.

Conforme a legislação, pode se tratar na freqüência de técnica radioamadorística, pode se falar do tempo, da família e de outros assuntos agradáveis e atuais. É proibido falar sobre política, religião e comércio; também não se pode transmitir música. Mas, também pode ser prestado grandes serviços à comunidade em casos de emergência ou calamidade pública. Nestes casos o radioamador não mede tempo ou esforço para ajudar. Homens, digo “OMs” e mulheres, “YLs”, trabalham em redes de emergência, formando pontes de comunicação, se necessário, para aliviar situações precárias.“OMs” vem do inglês e é a abreviação de “old man”, enquanto “YL” vem de “young lady”. Uma mulher casada é uma “XYL”, o que significa “ex-young lady”. Os “OMs” gostam de contactar as “YLs” na freqüência. A modulação feminina torna um QSO (contato entre radioamadores) mais vivo e mais colorido. E, existem muitas YLs ativas em todas as freqüências no Mundo inteiro.

Por exemplo:
PT2TF - TEREZA, em BRASÍLIA-DF,
PY2ATL - AFONSINA T. SALEMA, em ITANHAÉM-SP, em CW,
PY2DHP - ELZA COBRA DE MORAES, em ITANHAÉM-SP, em CW,
PY5AEV - AMÉRICA BETTOLI DE ALMEIDA, em CURITIBA-PR,
PY7VBG - MARIA AMÉRICA REGEHR, em GARANHUNS-PE,
GM4UMN - CHRISTINE, na ESCÓCIA,
DL1HH - ANITA, na ALEMANHA,
JI7GAG - YOHKO, no JAPÃO,
FY4FC - AIMÉE, em CAYENNE,
I0OB - LUCIANA, na ITÁLIA, para citar apenas algumas. Existem muito mais mulheres de microfone em punho, prontas para qualquer contato, porque o radioamadorismo não é um hobby somente para homens.

Temos um exemplo flagrante como uma mulher, uma religiosa, se empenha no radioamadorismo: no Instituto para Cegos, em Pederborn, na Alemanha, temos a freira Irmã Cecília Steffens, o indicativo de chamada dela é DL9CS, que ministra cursos para cegos, visando os exames de radioamador. Muitos cegos na Alemanha conseguiram seus indicativos graças a esta freira. E muitos padres e pastores são radioamadores. Um padre que soube do valor do radioamadorismo como elo entre os homens de boa vontade, foi o mártir polonês Padre MAXIMILIANO MARIA KOLBE. Seu indicativo de chamada era SP3RN e foi canonizado em 1982. Qualquer pessoa pode se tornar radioamador. Os sinais de telegrafia acham os amigos nos mais distantes pontos do globo terrestre. Em fonia (falando) pode-se treinar línguas extrangeiras. E com os meios mais modernos, em SSTV ou em PACKET RADIO estreitam-se os laços de amizade.

Se há membros de uma entidade ou sociedade que podem afirmar: “NÓS ABRAÇAMOS O MUNDO INTEIRO!”, são estes, os RADIOAMADORES, os “OMs” e as “Yls”.