Artigos sobre Radioamadorismo

Por: A ANTENA “LONG WIRE” (FIO LONGO)

A ANTENA “LONG WIRE” (FIO LONGO)

DIETRICH CARLOS ADOLPHO KUHLMANN - PY3DK

Eu uso, há muitos anos, com pleno sucesso, uma antena long wire em todas as faixas, 80, 40, 30, 20, 17, 15, 12 e 10 metros. Atendendo a solicitações de amigos, farei alguns comentários sobre ela. As considerações abaixo abordam alguns aspectos originais que, ao que eu saiba, pelo menos, não constam da literatura técnica.
Seu nome, “long wire”, é apropriado, com restrições, pois, a rigor, define uma antena com um comprimento de várias meias ondas na freqüência de operação. A antena, abaixo comentada, tem um comprimento de apenas uma meia onda em 80 metros e não é, portanto, uma long wire. Mas em 10 metros, por exemplo, possui 8 meias ondas e é uma legítima long wire. Em 12 metros  são 7 meias ondas, em 15 metros 6, em 17 metros 5, em 20 metros 4, em 30 metros 3, e em 40 metros 2. Pequenas diferenças de ressonância são compensadas pelo sintonizador de antena que contrapõe uma reatância capacitiva ou indutiva de sinal contrário à encontrada (o “conjugate match” dos americanos), restabelecendo a resistência pura, caraterística da ressonância, pois só a resistência absorve potência, a reatância não. Firulas semânticas à parte, falamos doravante simplesmente de “long wire”.

Para dar mais vida ao assunto, dei-lhe a forma Pergunta-Resposta(P-R).

P - Eu quero instalar uma antena alimentada na extremidade (end fed wire) para 80 a 10 metros. Devo preferir uma meia ou um quarto de onda?

R - Ponha uma antena de meia onda, 40,5 m de comprimento. (Eu uso um fio encapado de 2,5 mm quadrados) Ela é ressonante ou quase ressonante em todas as faixas e sempre alimentada em tensão (voltagem). Não ponha um quarto de onda.

P - Por que não um quarto de onda?

R - Você terá um máximo de corrente na saída do seu sintonizador e, conseqüentemente, um máximo de radiação (lembre-se que é a corrente que irradia, não é a tensão). Você vai precisar um contrapeso, um quarto de onda também. Assim, o que você tem? Uma antena de fio com um contrapeso? Não, você tem um dipolo com uma perna dentro do seu “shack”, enchendo este de radiofreqüência e desperdiçando a metade da potência do seu transmissor. E se você muda de freqüência ou de faixa, você vai ter de ressintonizar seu contrapeso (ou pôr 8 contrapesos, um para cada faixa). Assim vai operar dois  sintonizadores, um eufemisticamente chamado “terra artificial” (o “artificial ground” dos americanos, como, por exemplo, o modelo 931 da MFJ-USA). Complicado, não é? Além disso há possíveis danos à sua saúde.

P - O quê? Danos à minha saúde? Como?

R - Você está sentado a, talvez, meio metro de um campo de intensa radiação eletromagnética, o centro de um dipolo, junto a um ventre (máximo) de corrente. Eu não gostaria de estar sentado lá por muito tempo.

P - Mas a antena, alimentada em tensão, não apresenta problemas de alta voltagem nos equipamentos, bem como de aterramento?

R - Não. A tensão é alta, algumas centenas de volts (com a potência usual de uns 100 Watts) na saída do sintonizador, pois a impedência é alta na entrada da antena, alguns milhares de ohms. Mas o sintonizador a reduz a 50 ohms e uns 70 Volts, os mesmos valores, antes do sintonizador, como se fosse um dipolo, uma W3DZZ, uma G5RV ou uma direcional. Não há problemas de aterramento de radiofreqüência, pois, devido à alta voltagem no início da antena, poucos pF (picoFarads) de capacitância à terra são suficientes. Dois, três metros de fio, estendidos ou enrolados no chão bastam e você tem um contrapeso, não um pedaço de fio irradiante.

P - OK. O que me diz sobre o sintonizador?

R - Você pode usar qualquer sintonizador de antena que possua ampla capacidade de compensação de impedâncias. Eu pessoalmente uso um da MFJ, modelo 948, que usa a configuração “T” com dois capacitores em série e uma indutância variável entre os dois capacitores à massa, coofiguração popularizada por Lew McCoy - W1ICP. O sintonizador mais simples para a long wire é a configuração “L”, com uma indutância variável em série e um capacitor do lado da antena à massa. A indutância pode ser uma bobina de uns 10 cm de diâmetro e umas 35 espiras em 8 “taps”, derivações, experimentalmente determinadas (nas freqüências altas isto exige um pouco de paciência, pois um fração de espira já faz uma diferença) ou pode ser um “roller inductor” de indutância continuamente variável. O capacitor variável é de uns 200 pF com isolação de 1 kV. Para sintonizar a antena é só escolher o tap ou a posição do roller inductor e ajustar o capacitor variável para menor potência refletida (menor ROE). Muito simples.

P - Qual a direcionalidade da “long wire”?

R - Na freqüência mais baixa, 80 metros, como um dipolo, isto é, um mínimo (pouco pronunciado, aliás) na direção do fio. Na freqüência mais alta, 10 metros, um forte efeito direcional e aumentando de sinal na direção do fio. Para quem não quer efeito direcional, como é o meu caso, basta estender o fio em zigue-zague em vez de linha reta.

P - E a eficácia da “long wire”?

R - Eu diria a mesma de qualquer outra antena de fio do mesmo comprimento e com a mesma altura. Não há alimentador e, conseqüentemente, perdas por ele causadas. Por outro lado, a proximidade de ventres (máximos) de corrente com paredes ou outros objetos pode causar alguma perda. Em 10 metros o 1º dos 8 ventres de corrente está a 2,5 m da saída do sintonizador e pode estar próximo a uma parede. Mas, mesmo na suposição de uma perda todal de radiação do 1º ventre de corrente, isto significa a perda de 1/8, menos de 0,6 dB, absolutamente imperceptível. Muitos alimentadores apresentam perdas maiores em 28 MHz. É importante, obviamente, que o fio saia logo do shack e ganhe altura o mais rápido possível.

         Resumindo , eu diria que a “long wire” é uma antena extremamente simples. É barata, eficaz e onibanda.

GRAMADO-RS, 02 de outubro de 1993