Alimentação de idosos.

Atualmente, no Brasil, sofrem importantes mudanças demográficas. A esperança de vida ao nascer é de 73,1 anos para os homens e de 79,6 anos para as mulheres (muito maior do que a princípios do século XX). O percentual de pessoas com mais de 65 anos é de aproximadamente 14 %, e acredita-se que superou em 15% em 2000.
Os processos fisiológicos do envelhecimento acarreta uma série de mudanças alimentares que tornam a população idosa em um grupo vulnerável de risco nutricional.
As pessoas idosas apresentam uma série de mudanças, tanto físicos como psíquicos, que podem influenciar de uma forma ou de outra, no seu estado nutricional.


Alterações do organismo com o envelhecimento


A perda de peças dentárias, bem como os problemas de gengivas e a frequente má adaptação das dentaduras postiças dificultam a mastigação dos alimentos e obrigam o homem a ingestão de preparações de tecidos moles que requerem pouca mastigação.
A quantidade de saliva e a atividade da mesma é menor, por isso que a insalivación é menos eficaz, podendo dificultar a digestão dos alimentos.
A sensibilidade das papilas gustativas costuma diminuir, pelo que este grupo gosta de sabores fortes, picantes, doces e salgados.
A paulatina perda de destreza manual e sensorial (visão, audição) costuma influenciar significativamente na alimentação do idoso, já que ele vai escolher um tipo de dieta que não envolva muito esforço. Isso influencia na aquisição e preparação dos alimentos, assim como a ingestão dos mesmos.
Em geral, o organismo do idoso se torna menos funcional. Seu tubo digestivo é menos eficiente, levando a uma maior dificuldade na absorção de princípios imediatos, especialmente de minerais e vitaminas.
Neste grupo, é comum o transtorno do constipação, devido a uma diminuição do peristaltismo, bem como a uma ingestão deficitária de água e fibra, e também a uma menor atividade física.
O sistema circulatório perde a elasticidade e a placa de ateroma acelera o processo de aterosclerose.
O sistema nervoso indica a sua menor atividade, com alterações na memória, lentidão de reações e resistência na mudança de hábitos ou costumes arraigados. As pessoas mais velhas são muito relutantes em aceitar qualquer situação que não lhes seja familiar, o que, na questão da alimentação, torna muito difícil a mudança de hábitos.
A solidão, a depressão, a constatação da própria incapacidade, bem como a possível limitação de recursos económicos são circunstâncias que, muitas vezes, se dão no coletivo de idosos, influenciando de forma direta na alimentação.


Necessidades alimentares e nutricionais


É difícil estabelecer as diretrizes alimentares concretas nesse coletivo, já que as necessidades vão variar individualmente, dependendo do grau de deterioração de cada pessoa em questão. Nem todos os idosos têm a mesma capacidade funcional. Há velhos como jovens, tanto física como psiquicamente, com capacidade para seguir um estilo de vida ativo. Há psiquicamente lúcidos, mas com importantes deficiências físicas e, ao mesmo tempo, existem pessoas idosas com capacidades tanto físicas como psíquicas muito deterioradas que condicionam completamente seu estilo de vida. Por tudo isso, o padrão alimentar este coletivo é, em todo momento, muito individual.
Em geral, este grupo de idade avançada tem os processos de degradação (catabolismo) mais acelerados que os processos de síntese ou construção (anabolismo), ou seja, não é garantido substituição 100 % eficaz obrigados a substituir as estruturas e diferentes materiais deteriorados.
Neste grupo ocorre uma perda progressiva de mineral ósseo. A alimentação do idoso deve tentar compensar, na medida do possível, essas perdas. É importante manter um correto aporte de proteínas de boa qualidade (as que contêm a carne, o peixe, os ovos…). Muitas vezes esses alimentos são rejeitados ou muito pouco consumidos pelo velho, devido a seu alto custo, a sua dureza (carne), a dificuldade na preparação (espinhos), ou o medo do colesterol (ovos).
As gorduras devem ser controladas e devem ser reduzidos aquelas que escondem alguns alimentos como bolos, os doces… que tanto gosta a este grupo de idade, assim como os enchidos gordos e alguns pratos e refeições preparadas.
É importante manter um elevado consumo de frutas e verduras para garantir um bom aporte de vitaminas e minerais, bem como fibra alimentar, o que ajudará a prevenir e combater os problemas de prisão de ventre.


Variação e adequação


Como se viu até agora, a alimentação da pessoa, maior deve ser o mais variada possível, adaptando as texturas e diferentes técnicas culinárias para as necessidades específicas deste grupo. Assim, por exemplo, os legumes podem ser oferecidos em forma de purê, o que as tornará mais digestivas e evitará problemas de flatulência. Em casos de inapetência, sopas e outras preparações podem enriquecer com legumes, macarrão, leite desnatado, ovo, sêmolas de trigo ou de arroz, tapioca, etc…
As preparações culinárias mais adequadas para este grupo são as sopas, caldos, refogados, ensopados, confecções no vapor, papillotes, purês, cozidos e rebozados, estes últimos não de forma habitual. A alimentação do idoso deve ser bem fracionada ao longo do dia, evitando grandes ingestões.
Como pode ser visto, a alimentação do idoso é um compêndio de disciplinas que não devem negligenciar a individualidade da pessoa. Ter em conta o seu estado físico e anímico, assim como o baixo custo, é a melhor garantia de sucesso na hora de planejar a alimentação de pessoas de idade. Deve manter, em todo momento, a ilusão e o prazer de comer e começar por este prazer para uma nutrição adequada e eficaz.

Alimentação de idosos.
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